Tratamento de Trombose de Veia Tibial Posterior em Paciente Pós-Cirúrgico com Alto Risco de Sangramento
Em pacientes pós-operatórios com alto risco de sangramento e trombose de veia tibial posterior, a profilaxia mecânica com compressão pneumática intermitente deve ser utilizada como monoterapia até que o risco de sangramento diminua, momento em que a anticoagulação farmacológica pode ser cuidadosamente introduzida. 1
Abordagem Inicial no Período Pós-Operatório Imediato
Profilaxia Mecânica como Primeira Linha
- Utilize dispositivos de compressão pneumática intermitente (CPI) como monoterapia inicial quando a anticoagulação farmacológica está contraindicada devido ao alto risco de sangramento ativo ou recente 1
- A compressão pneumática reduz a trombose venosa profunda em 66%, embora com redução modesta (31%) na embolia pulmonar 1
- Meias de compressão graduada podem ser adicionadas aos dispositivos pneumáticos para aumentar a eficácia 1
Avaliação do Risco de Sangramento
- Avalie diariamente a hemostasia cirúrgica observando o volume, tipo (seroso, serossanguinolento, sanguinolento) e progressão da drenagem em curativos ou drenos 1
- Considere o tipo de cirurgia realizada: procedimentos neurocirúrgicos, cardiovasculares maiores e cirurgias com dissecção extensa apresentam maior risco de sangramento 1
- Monitore hemoglobina, contagem de plaquetas e função renal antes de iniciar anticoagulação 1
Transição para Anticoagulação Farmacológica
Momento de Introdução
- Inicie anticoagulação farmacológica somente quando houver hemostasia adequada no sítio cirúrgico, tipicamente 48-72 horas após cirurgias de alto risco de sangramento 1
- Para cirurgias de risco moderado, a anticoagulação pode ser iniciada 12-24 horas após o procedimento 1, 2
Escolha do Agente Anticoagulante
- Heparina de baixo peso molecular (HBPM) em dose profilática é o agente preferencial quando o risco de sangramento diminuiu suficientemente 1
- Heparina não fracionada (HNF) em baixas doses é alternativa, especialmente em pacientes com insuficiência renal grave ou em diálise 1
- Fondaparinux pode ser considerado, mas tem meia-vida mais longa e maior dificuldade de reversão em caso de sangramento 1
Estratégia de Dose Escalonada
- Comece com doses profiláticas baixas (ex: enoxaparina 40 mg/dia) ao invés de doses terapêuticas completas 1, 2
- Evite doses terapêuticas de HBPM (enoxaparina 1 mg/kg duas vezes ao dia) no período pós-operatório imediato, pois aumentam o risco de sangramento maior em até 20% 1
- Considere doses intermediárias (enoxaparina 40 mg duas vezes ao dia) apenas após 3-5 dias se o risco de sangramento estiver controlado 1
Duração da Profilaxia
Período Mínimo
- Continue a profilaxia por no mínimo 7-10 dias após a cirurgia 1, 3
- Para cirurgias ortopédicas maiores, o período mínimo recomendado é de 10-14 dias 3, 4
Profilaxia Estendida
- Considere profilaxia estendida por até 4 semanas em pacientes com fatores de alto risco 1:
- Cirurgia abdominal ou pélvica por câncer
- Doença maligna residual após cirurgia
- Obesidade
- História prévia de tromboembolismo venoso
- Mobilidade restrita prolongada
- Idade ≥60 anos
- Tempo cirúrgico >2 horas
Armadilhas Comuns e Como Evitá-las
Erro: Iniciar Anticoagulação Terapêutica Precocemente
- Nunca inicie doses terapêuticas de anticoagulação nas primeiras 48-72 horas após cirurgias de alto risco de sangramento 1
- O pico de efeito anticoagulante da HBPM ocorre 2-4 horas após administração, aumentando dramaticamente o risco de ressangramento 1
Erro: Usar Apenas Profilaxia Mecânica por Tempo Prolongado
- A profilaxia mecânica isolada não deve ser mantida como monoterapia além do período de alto risco de sangramento 1
- Assim que possível, adicione anticoagulação farmacológica à profilaxia mecânica 1
Erro: Subestimar o Risco Trombótico Pós-Alta
- 40% dos eventos tromboembólicos ocorrem após 21 dias da cirurgia 1
- Não interrompa a profilaxia na alta hospitalar se o paciente mantém fatores de alto risco 1
Monitoramento Durante o Tratamento
- Avalie diariamente sinais de sangramento: drenagem de ferida, hematomas em expansão, queda de hemoglobina 1, 2
- Monitore sinais de progressão trombótica: aumento de edema, dor, eritema no membro afetado 2
- Reavalie o balanço risco-benefício diariamente nos primeiros 5-7 dias pós-operatórios 1, 2
Considerações Especiais para Trombose de Tibial Posterior
- Tromboses de veias da panturrilha (incluindo tibial posterior) têm menor risco de embolia pulmonar comparadas a tromboses proximais 1
- Entretanto, 20-30% podem se estender para veias proximais sem tratamento adequado 1
- A abordagem conservadora com profilaxia mecânica seguida de anticoagulação em dose profilática é apropriada para esta localização em contexto de alto risco de sangramento 1