Agomelatina para Prevenção de Crises de Pânico
Não há evidência que suporte o uso de agomelatina para prevenção de crises de pânico
Agomelatina não possui estudos controlados demonstrando eficácia na prevenção de crises de pânico (transtorno do pânico), e não é recomendada por nenhuma diretriz clínica para esta indicação.
Base de Evidência Atual
Evidência em Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
Agomelatina demonstrou eficácia em estudos duplo-cegos de curto prazo (12 semanas) e prevenção de recaída (6 meses) especificamente para transtorno de ansiedade generalizada (TAG), não para transtorno do pânico 1, 2, 3.
Em pacientes com TAG, agomelatina mostrou taxas superiores de resposta clínica e remissão comparada ao placebo, com perfil de tolerabilidade satisfatório 3.
A incidência de efeitos adversos em doses terapêuticas não foi maior que placebo nos estudos de TAG 1.
Ausência de Evidência para Transtorno do Pânico
Não existem estudos randomizados e controlados avaliando agomelatina especificamente para transtorno do pânico 2, 4.
A literatura disponível sobre agomelatina em outros transtornos de ansiedade além do TAG consiste apenas de relatos de casos isolados, sem estudos de grande porte 2, 4.
Revisões sistemáticas concluem que a evidência clínica para agomelatina está limitada ao TAG, com necessidade de investigação adicional em outros transtornos de ansiedade 2, 3.
Tratamentos com Evidência Estabelecida para Transtorno do Pânico
Opções Farmacológicas de Primeira Linha
Embora as diretrizes fornecidas não abordem especificamente transtorno do pânico, o conhecimento médico geral estabelece que as opções com evidência robusta incluem:
- ISRSs (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) - primeira linha com evidência forte
- ISRNs (inibidores de recaptação de serotonina-noradrenalina) - alternativa de primeira linha
- Benzodiazepínicos - para controle agudo, com cautela devido ao potencial de dependência
Mecanismo de Ação da Agomelatina
Agomelatina atua como agonista dos receptores melatonérgicos MT1/MT2 e antagonista dos receptores 5-HT2C 1, 3.
O bloqueio dos receptores 5-HT2C em regiões como amígdala, núcleo do leito da estria terminal e hipocampo parece mediar os efeitos ansiolíticos observados no TAG 1.
Este mecanismo é claramente distinto dos agentes atualmente empregados para transtornos de ansiedade, o que explica seu perfil de efeitos adversos mínimos 1.
Armadilhas Clínicas a Evitar
Não extrapolar evidência de TAG para transtorno do pânico - são condições distintas com fisiopatologia e resposta terapêutica diferentes 2, 4.
Não utilizar agomelatina como opção off-label para pânico sem antes esgotar tratamentos com evidência estabelecida - a ausência de dados controlados impede recomendação segura 3, 4.
Os estudos existentes utilizaram amostras pequenas e pacientes sem comorbidades, limitando a generalização dos resultados mesmo para TAG 3.
Conclusão Prática
Para prevenção de crises de pânico, utilize medicações com evidência robusta de eficácia (ISRSs, ISRNs). Agomelatina pode ser considerada apenas para TAG refratário como opção off-label de segunda ou terceira linha, mas não possui base de evidência para transtorno do pânico 4.