Bradicardia do Atleta
Em atletas jovens e saudáveis com bradicardia sinusal de repouso de 40-50 bpm, se assintomáticos, nenhuma intervenção é necessária e o marca-passo permanente está contraindicado, pois representa uma adaptação fisiológica normal ao treinamento de resistência. 1
Avaliação do Atleta Assintomático
Características Fisiológicas Normais
- Atletas bem condicionados apresentam tônus parassimpático dominante em repouso, resultando em frequências cardíacas que podem estar bem abaixo de 40 bpm, especialmente durante o sono (até 30 bpm). 1, 2
- Pausas sinusais até 2 segundos são comuns e não requerem avaliação adicional em atletas assintomáticos. 2, 3
- Bloqueio AV de primeiro grau e bloqueio AV de segundo grau Mobitz Tipo I ocorrem em aproximadamente 35% e 10% dos ECGs de atletas, respectivamente, e são considerados benignos quando assintomáticos. 2, 3
Quando NÃO Intervir (Classe III: Dano)
As diretrizes ACC/AHA/HRS de 2018 estabelecem contraindicações claras para marca-passo:
- Em indivíduos assintomáticos com bradicardia sinusal ou pausas sinusais secundárias ao tônus parassimpático fisiologicamente elevado, o marca-passo permanente NÃO deve ser realizado. 1
- Em pacientes com bradicardia sinusal relacionada ao sono ou pausas sinusais transitórias durante o sono, o marca-passo permanente NÃO deve ser realizado, a menos que outras indicações para marca-passo estejam presentes. 1
- Em pacientes com disfunção do nó sinusal assintomática, o marca-passo permanente NÃO deve ser realizado. 1
Características Tranquilizadoras
- Ausência de sintomas como tontura, síncope ou intolerância ao exercício. 2, 3
- Resposta adequada da frequência cardíaca durante o exercício, com normalização da FC e preservação da FC máxima. 2
- Reversibilidade da bradicardia com redução ou descontinuação do treinamento. 2
Avaliação do Atleta Sintomático
Sinais de Alerta Requerendo Avaliação Adicional
- Bradicardia profunda com FC <30 bpm durante horas de vigília. 2
- Pausas sinusais prolongadas >3 segundos durante horas de vigília. 2, 3
- Bloqueios AV de grau mais elevado (Mobitz Tipo II ou bloqueio de terceiro grau), que são raros em atletas e devem ser cuidadosamente avaliados. 2
- Sintomas como tontura, síncope ou intolerância ao exercício correlacionados temporalmente com bradicardia. 1, 2
Abordagem Diagnóstica para Sintomas
- Estabelecer correlação temporal entre sintomas e bradicardia documentada - este é o ponto crucial para distinguir bradicardia fisiológica de patológica. 1
- Monitorização prolongada com Holter ou monitor de eventos pode ser necessária para capturar episódios esporádicos. 1
- Teste de esforço para avaliar resposta cronotrópica - a normalização da FC durante exercício indica bradicardia fisiológica. 2
- Excluir causas reversíveis:
Considerações Específicas por Idade
- Em atletas veteranos (>50 anos), a bradicardia pode progredir de fisiológica para patológica devido a:
Armadilhas Comuns a Evitar
Superdiagnóstico
- Não implantar marca-passo baseado apenas em FC baixa ou duração de pausa sem correlação com sintomas. 1, 2
- Complicações associadas à implantação de marca-passo variam de 3% a 7%, com implicações significativas a longo prazo para sistemas com eletrodos transvenosos. 1
Subdiagnóstico
- Não descartar toda bradicardia em atletas mais velhos como benigna - a idade é um fator de risco para progressão de bradicardia fisiológica para patológica. 2, 5
- Incompetência cronotrópica (incapacidade de atingir resposta adequada da FC ao esforço) pode indicar patologia em vez de adaptação fisiológica. 2
Fatores Genéticos Emergentes
- Evidências recentes sugerem que variação genética contribui para a função do nó sinusal em atletas de resistência, com atletas bradicárdicos apresentando escores de risco poligênico mais baixos para FC. 6
- Tanto a aptidão física quanto a genética contribuem para bradicardia em repouso, potencialmente influenciando quem desenvolve bradicardia mais profunda. 6
Manejo Prático
Para Atletas Assintomáticos (FC 40-50 bpm)
- Tranquilizar o paciente - esta é uma adaptação fisiológica normal. 1
- Nenhum teste adicional ou tratamento é necessário. 1, 2
- Evitar implantação desnecessária de marca-passo. 1, 2
Para Atletas Sintomáticos
- Documentar correlação temporal entre sintomas e bradicardia usando monitorização prolongada. 1
- Excluir causas reversíveis antes de considerar marca-passo. 1
- Marca-passo permanente pode ser considerado em pacientes minimamente sintomáticos com FC crônica <40 bpm enquanto acordados (Classe IIb). 1
- Marca-passo permanente é indicado quando há correlação clara entre sintomas e bradicardia documentada que não é reversível. 1