Tratamento de Neurocisticercose com Edema
Em pacientes com neurocisticercose e edema cerebral difuso ou hipertensão intracraniana não tratada, o manejo da pressão intracraniana elevada deve ser a prioridade absoluta e o tratamento antiparasitário deve ser evitado até a resolução do edema. 1
Abordagem Inicial Crítica
Nunca inicie drogas antiparasitárias na presença de edema cerebral difuso não controlado ou hidrocefalia não tratada, pois os antiparasitários estão associados ao agravamento do edema e podem causar deterioração neurológica grave. 1
Manejo do Edema Cerebral
- Corticosteroides são o tratamento de escolha para edema cerebral difuso causado pela resposta inflamatória do hospedeiro à neurocisticercose. 1
- A hidrocefalia requer abordagem cirúrgica (derivação ventricular) antes de qualquer terapia antiparasitária. 1
- Evite completamente antiparasitários em pacientes com encefalite cisticercótica (infecção maciça com centenas de cistos viáveis e edema difuso), pois podem exacerbar a reação inflamatória no parênquima cerebral. 1
Protocolo de Tratamento Após Controle do Edema
Para Cistos Parenquimatosos Viáveis (1-2 cistos)
- Albendazol 15 mg/kg/dia dividido em 2 doses diárias por 10-14 dias (dose máxima 1200 mg/dia), administrado com alimentos. 1, 2, 3
- Inicie corticosteroides ANTES do albendazol para prevenir episódios de hipertensão cerebral durante a primeira semana de tratamento. 1, 3
- Regimes de corticosteroides incluem dexametasona 0,1 mg/kg/dia durante a terapia ou prednisona 1-1,5 mg/kg/dia. 1
Para Cistos Parenquimatosos Múltiplos (>2 cistos)
- Terapia combinada: Albendazol 15 mg/kg/dia MAIS Praziquantel 50 mg/kg/dia por 10-14 dias, que demonstrou superioridade sobre monoterapia. 1, 4
- Corticosteroides devem ser iniciados antes dos antiparasitários para reduzir a resposta inflamatória dos parasitas morrendo. 1, 4
Para Lesões Calcificadas
- Não use antiparasitários em lesões calcificadas, pois os cistos já estão mortos e não há indicação para terapia antiparasitária. 1
- Corticosteroides não devem ser usados rotineiramente em pacientes com neurocisticercose parenquimatosa calcificada isolada, mesmo com edema perilesional. 1
Terapia Adjuvante Obrigatória
Anticonvulsivantes
- Todos os pacientes com convulsões devem receber drogas antiepilépticas, independentemente do tratamento antiparasitário. 1
- Fatores de risco para convulsões recorrentes incluem: calcificações residuais na TC de seguimento, convulsões intercorrentes durante o tratamento, ou >2 convulsões durante o curso da doença. 1
Exame Oftalmológico Pré-Tratamento
- Exame fundoscópico é obrigatório antes de iniciar terapia anti-helmíntica para descartar cisticercose retiniana, pois o tratamento antiparasitário pode causar dano retiniano irreversível. 1, 4, 3
Monitoramento Durante o Tratamento
- Monitore hepatotoxicidade e leucopenia em todos os pacientes recebendo albendazol por >14 dias, com hemograma e enzimas hepáticas no início e a cada 2 semanas. 1, 2, 4, 3
- Triagem para tuberculose latente e Strongyloides stercoralis é recomendada em pacientes que necessitarão corticosteroides prolongados. 1, 4
Seguimento Pós-Tratamento
- Repita a ressonância magnética pelo menos a cada 6 meses até a resolução completa do componente cístico. 1, 2
- Considere retratamento com terapia antiparasitária se lesões císticas parenquimatosas persistirem por 6 meses após o curso inicial. 2
Armadilhas Comuns a Evitar
Nunca inicie antiparasitários sem primeiro:
- Controlar a pressão intracraniana elevada 1
- Realizar exame fundoscópico 1, 4, 3
- Iniciar corticosteroides profiláticos 1
Atenção especial: O praziquantel interage com esteroides (diminuindo suas concentrações séricas) e pode reduzir níveis de fenitoína e carbamazepina. 4