Conduta para Papilite Lingual Transitória em Criança de 4 Anos
A conduta inicial mais apropriada é tranquilizar os pais, orientar higiene oral, e prescrever analgésicos simples (paracetamol ou ibuprofeno) para controle da dor, pois trata-se de uma condição autolimitada que resolve espontaneamente em 7-10 dias.
Diagnóstico Diferencial Crítico
Antes de confirmar papilite lingual transitória, é essencial descartar doença de Kawasaki, especialmente se houver febre ≥5 dias, conjuntivite, exantema polimorfo ou alterações de extremidades, pois a "língua em morango" com papilas edemaciadas é um achado cardinal desta doença potencialmente fatal 1. A ausência de febre neste caso torna Kawasaki improvável, mas deve-se questionar ativamente sobre estes sinais sistêmicos 1.
Características da Papilite Lingual Transitória
Esta condição apresenta-se tipicamente com:
- Início abrupto de papilas fungiformes inflamadas e hipertróficas na ponta e bordas dorsolaterais da língua 2, 3
- Dor ou desconforto que pode interferir com alimentação, acompanhado de sialorreia aumentada 2, 3
- Duração média de 7,3 dias com resolução espontânea entre 2-15 dias 3
- Possível transmissão intrafamiliar em 53% dos casos, sugerindo etiologia infecciosa viral 3
Manejo Sintomático
Controle da Dor
Prescrever analgésicos orais simples é a intervenção mais importante:
- Paracetamol (15 mg/kg/dose a cada 4-6 horas, máximo 75 mg/kg/dia) ou ibuprofeno (10 mg/kg/dose a cada 6-8 horas, máximo 40 mg/kg/dia) 4
- Evitar aspirina em crianças devido ao risco de síndrome de Reye 5
- Para casos com dor intensa que interfere com alimentação, considerar lidocaína tópica 2,5% com cautela 4
Orientações aos Pais
- Tranquilizar que a condição é benigna e autolimitada 2, 6
- Orientar higiene oral adequada 6
- Alertar sobre possível transmissão a outros membros da família, que podem desenvolver sensação de queimação lingual 2, 3
- Recorrência pode ocorrer em 13% dos casos 3
Quando NÃO Usar Antibióticos
Antibióticos não têm indicação nesta condição, pois:
- A etiologia é provavelmente viral, não bacteriana 3
- Não há evidência de infecção estreptocócica (ausência de febre, exsudato faríngeo) 5
- O uso desnecessário contribui para resistência bacteriana 4
Sinais de Alerta para Reavaliação
Orientar retorno imediato se desenvolver:
- Febre persistente ≥5 dias com conjuntivite ou exantema (suspeita de Kawasaki) 1
- Piora progressiva após 48-72 horas 4
- Incapacidade de manter hidratação oral 4
- Sintomas que não resolvem em 15 dias 3
Variantes Clínicas
Existem formas não-dolorosas descritas 6, mas a maioria apresenta dor 7, 2. A ausência de vesículas, erosões, língua geográfica ou candidíase oral ajuda a confirmar o diagnóstico 2.