Indicação de Ácido Zoledrônico em Adjuvância de Câncer de Mama
O ácido zoledrônico deve ser considerado como terapia adjuvante em mulheres pós-menopáusicas (natural ou induzida) com câncer de mama em estágio inicial recebendo terapia endócrina adjuvante, particularmente aquelas com receptores hormonais positivos e linfonodos positivos em uso de inibidores de aromatase. 1
População Alvo e Indicação Principal
- Mulheres pós-menopáusicas (menopausa natural ou induzida por supressão ovariana) com câncer de mama em estágio inicial são as candidatas ideais para terapia adjuvante com bisfosfonatos 1
- A meta-análise do EBCTCG com 26 estudos demonstrou evidência convincente de benefício em pacientes pós-menopáusicas, mas nenhum benefício significativo em mulheres pré-menopáusicas 1
- Pacientes recebendo inibidores de aromatase como terapia endócrina adjuvante são particularmente apropriadas, dado o risco aumentado de perda óssea associada a estes agentes 1
Benefícios Clínicos Demonstrados
Redução de Recorrência Óssea e Fraturas
- Em mulheres pós-menopáusicas, o ácido zoledrônico reduziu significativamente a recorrência óssea (3,4% vs 4,5%; RR 0,73; IC 99% 0,53-1,00; p=0,004) 1
- Redução de fraturas ósseas (RR 0,85; p=0,02) 1
- Importante: Não houve efeito em recorrência distante fora do osso (RR 0,98; p=0,69) 1
Sobrevida Livre de Doença e Sobrevida Global
- No estudo ABCSG-12, em pacientes >40 anos, o ácido zoledrônico reduziu o risco de recorrência em 34% (HR 0,66; p=0,014) e o risco de morte em 49% (HR 0,51; p=0,020) 1
- No estudo AZURE, em mulheres >5 anos pós-menopausa, houve melhora na sobrevida livre de doença com redução de risco relativo de 25% (HR 0,75; IC 95% 0,59-0,96; p=0,02) e redução de morte em 26% (HR 0,74; IC 95% 0,55-0,98; p=0,04) 1
- No estudo ZO-FAST, o ácido zoledrônico imediato reduziu o risco de eventos de sobrevida livre de doença em 34% (HR 0,66; p=0,0375) 1, 2
Recomendações do NCCN
O painel do NCCN recomenda considerar terapia adjuvante com bisfosfonatos para mulheres pós-menopáusicas (natural ou induzida) recebendo terapia endócrina adjuvante. 1
Esta recomendação foi atualizada com base na meta-análise do EBCTCG que incluiu 26 estudos randomizados 1
Regime de Dosagem Recomendado
- Dose: Ácido zoledrônico 4 mg intravenoso 1
- Frequência: A cada 6 meses 1
- Duração: 3 a 5 anos 1
- Tempo de infusão: Mínimo de 15 minutos para minimizar toxicidade renal 1
Requisitos Pré-Tratamento Essenciais
Avaliação Laboratorial Obrigatória
- Verificar creatinina sérica e clearance de creatinina antes de cada infusão 1
- Contraindicação absoluta: Clearance de creatinina <30-35 mL/min 1
- Corrigir deficiência de vitamina D antes do tratamento para prevenir hipocalcemia grave 1
- Monitorar cálcio sérico, eletrólitos, fosfato e magnésio 1
Cuidados Dentários
- Realizar exame odontológico antes de iniciar a terapia para reduzir risco de osteonecrose de mandíbula 1
- A incidência de osteonecrose de mandíbula com ácido zoledrônico 4 mg a cada 6 meses é de aproximadamente 1,26% 1
Suplementação
- Suplementação com cálcio (1.200-1.500 mg diariamente) e vitamina D (400-800 UI diariamente) é obrigatória durante o tratamento 1
Evidência Específica por Subgrupo
Mulheres >5 Anos Pós-Menopausa
- Este subgrupo demonstrou o maior benefício no estudo AZURE, com melhora significativa em sobrevida livre de doença e sobrevida global 1
Mulheres >60 Anos
- No estudo NSABP B-34 com clodronato, pacientes >60 anos tiveram redução de quase 60% em metástases esqueléticas e 40-50% em metástases não-esqueléticas 1
Pacientes com Receptores Hormonais Positivos
- A meta-análise de 7 estudos (AZURE, ABCSG-12, ZO-FAST, Z-FAST, EZO-FAST, NSABP-B34, GAIN) mostrou benefício significativo em pacientes com estado de baixo estrogênio 1
Armadilhas Comuns e Precauções
Não Benefício em Pré-Menopáusicas
- Crítico: Em mulheres pré-menopáusicas sem supressão ovariana, os bisfosfonatos não demonstraram benefício significativo em recorrência óssea 1
- No estudo ABCSG-12, pacientes <40 anos não tiveram melhora em sobrevida livre de doença ou sobrevida global 1
Efeitos Adversos Principais
- Pirexia (febre) ocorre em aproximadamente 9% dos pacientes, mais comum com início imediato 3
- Dor óssea em 13% dos pacientes no grupo de início imediato vs 6,7% no grupo tardio 3
- Sintomas de fase aguda (febre, mialgia, artralgia) ocorrem em 25-40% dos pacientes nas primeiras 3 dias após infusão, resolvendo em 4 dias 1
- Manejo: Acetaminofeno e AINEs são eficazes para sintomas de fase aguda; corticosteroides profiláticos não são recomendados 4
Monitoramento Durante Tratamento
- Verificar creatinina sérica antes de cada infusão anual 1
- Descontinuar se aumento inexplicado de creatinina >0,5 mg/dL 1
- Monitorar marcadores de turnover ósseo a cada 3-6 meses se houver preocupação com supressão excessiva 5
Comparação com Outros Bisfosfonatos
- Ibandronato oral não mostrou efeito em sobrevida livre de doença ou sobrevida global em pacientes com doença linfonodo-positiva 1
- Pamidronato oral não demonstrou benefício em reduzir fraturas ou recorrência óssea 1
- No estudo S0307, não houve diferença de eficácia entre ácido zoledrônico, clodronato e ibandronato, mas o ácido zoledrônico teve maior incidência de osteonecrose de mandíbula (1,26% vs 0,77% vs 0,36%) 1
Duração Ótima de Tratamento
- O estudo SUCCESS A comparou 2 vs 5 anos de ácido zoledrônico e não encontrou diferença significativa em sobrevida livre de doença (HR 0,97; p=0,81) ou sobrevida global (HR 0,98; p=0,90) 1
- Tratamento por 5 anos foi associado a maior frequência de eventos adversos (46,2% vs 27,2%; p=0,001) e maior incidência de osteonecrose de mandíbula (11 casos vs 5 casos) 1
- Recomendação prática: 3 anos de tratamento parece ser adequado, com reavaliação do risco de fratura após este período 1
Prevenção de Perda Óssea Induzida por Terapia
- Em mulheres pré-menopáusicas recebendo supressão ovariana com goserelin + tamoxifeno ou anastrozol, o ácido zoledrônico 4 mg a cada 6 meses preveniu efetivamente a perda óssea significativa (densidade mineral óssea -14,4% sem bisfosfonato vs estável com ácido zoledrônico; p<0,0001) 6
- Em mulheres pós-menopáusicas recebendo letrozol, o ácido zoledrônico imediato resultou em densidade mineral óssea lombar 4% maior aos 12 meses (p<0,0001) e 6,7% maior aos 36 meses (p<0,0001) comparado ao grupo de início tardio 7, 3, 2