Perda de Sensibilidade Esfincteriana em Fratura Torácica
Avaliação Inicial Obrigatória
A perda de sensibilidade esfincteriana em fratura torácica, mesmo sem lesão medular documentada inicialmente, indica lesão neurológica real que requer avaliação urgente com ressonância magnética e classificação ASIA completa, pois a disfunção esfincteriana é um marcador crítico de comprometimento medular que pode não ser aparente em exames iniciais. 1
Investigação por Imagem
- A ressonância magnética deve ser realizada imediatamente, pois influencia o manejo em até 25% dos pacientes com fraturas toracolumbares, especialmente para avaliar a integridade do complexo ligamentar posterior e identificar lesões medulares ocultas 1
- A ausência de lesão medular visível em exames iniciais não exclui comprometimento neurológico funcional, particularmente quando há sinais de disfunção autonômica como alteração esfincteriana 1
Avaliação Neurológica Padronizada
- Utilize a escala ASIA (American Spinal Injury Association Impairment Scale) como padrão-ouro para classificação neurológica, pois o grau ASIA inicial é o preditor mais forte de desfechos funcionais 1, 2
- Examine especificamente:
Interpretação Prognóstica
Significado da Disfunção Esfincteriana
- A ausência de sensação perineal ao teste de picada tem valor preditivo negativo: prediz recuperação vesical pobre 1, 3
- A presença de contração voluntária do esfíncter anal/uretral correlaciona-se significativamente com potencial de recuperação da função vesical (P < 0,01) 1
- A espasticidade do tornozelo tem valor preditivo positivo de 95,2% para espasticidade vesical e 100% para espasticidade esfincteriana 5
Padrão de Lesão Esperado
- Fraturas torácicas (acima de T12) tipicamente resultam em disfunção vesical do tipo neurônio motor superior (bexiga hiperreflexiva/espástica), caracterizada por hiperatividade detrusora com ou sem dissinergia detrusor-esfincteriana 6
- A lesão em nível torácico preserva o centro sacral de micção, mas interrompe as vias inibitórias descendentes, criando padrão espástico 6
- Fraturas na junção toracolombar (T11-L2) podem causar apresentações mistas: 59,6% têm disfunção vesical espástica, 35,6% flácida, e 5,8% mista, exigindo estudo urodinâmico para diagnóstico correto 5
Manejo Clínico
Estudos Complementares Essenciais
- O estudo urodinâmico é essencial para diagnóstico definitivo e caracterização do padrão específico de disfunção, orientando o tratamento 6, 5
- Avalie pressões intravesicais de armazenamento, pois pressões elevadas colocam o trato urinário superior em risco significativo de hidronefrose e dano renal 6
Estratificação de Risco
- Pacientes com disfunção esfincteriana requerem estratificação de alto risco devido às pressões elevadas de armazenamento que ameaçam a função renal, exigindo vigilância agressiva 6
- A maioria dos pacientes com fratura em T12-L1 não melhora a função miccional ao longo do tempo (44 de 51 pacientes permaneceram inalterados em seguimento médio de 698 dias) 3
Tratamento Inicial
- O objetivo primário é reduzir pressões elevadas de armazenamento para proteger o trato urinário superior de dano progressivo 6
- Terapia de primeira linha: cateterismo intermitente combinado com medicações anticolinérgicas ou agonistas beta-3 6
- Alfa-bloqueadores podem reduzir resistência de saída em pacientes com dissinergia detrusor-esfincteriana 6
Considerações Cirúrgicas
- A decisão cirúrgica para a fratura vertebral deve considerar a presença de déficit neurológico, mesmo que sutil, pois a RM pode revelar compressão medular ou instabilidade ligamentar não aparente em radiografias simples 1
- Não há evidência suficiente para recomendar metilprednisolona, e o perfil de complicações deve ser cuidadosamente considerado 1
Armadilhas Comuns
- Não assuma ausência de lesão medular baseado apenas em exames iniciais ou radiografias simples quando há sinais de disfunção autonômica 1
- Não negligencie a avaliação sacral completa: a sensação sacral e função esfincteriana são componentes críticos da classificação ASIA e têm valor prognóstico significativo 1
- Não confie apenas no exame sensorial para prever o tipo de bexiga neurogênica: o exame sensorial inicial não se correlaciona com o tipo de disfunção vesical 3
- A preservação de sensação perineal à picada não garante recuperação (48% dos pacientes com sensação inicial não melhoraram) 3