Morfina Oral de Hora em Hora é Preferível a Bomba PCA em Paciente com Fibromialgia e Possível Transtorno por Uso de Opioides
Nenhuma das duas opções deve ser utilizada: opioides fortes (incluindo morfina) não são recomendados para fibromialgia devido à falta de eficácia e risco significativo de danos, especialmente em pacientes com possível transtorno por uso de opioides. 1
Por Que Opioides Fortes Devem Ser Evitados na Fibromialgia
A European League Against Rheumatism e o American College of Rheumatology recomendam explicitamente contra o uso de opioides fortes na fibromialgia, com evidência Nível Ia, Grau A. 1
Opioides fortes não demonstraram benefício para dor de fibromialgia e estão associados a danos significativos, incluindo dependência, efeitos adversos sistêmicos e piora dos desfechos funcionais. 1
Pacientes com fibromialgia usando opioides apresentam pior status de saúde, maior incapacidade, maior desemprego, mais transtornos psiquiátricos instáveis e histórico mais frequente de abuso de substâncias e tentativas de suicídio. 2
Em estudos prospectivos de 2 anos, usuários de opioides com fibromialgia tiveram piores sintomas, status funcional e ocupacional comparados a não-usuários, sem evidência de que os opioides melhoraram o status além do cuidado padrão. 3
Risco Específico em Paciente com Possível Vício
A presença de possível transtorno por uso de opioides é uma contraindicação absoluta para iniciar ou continuar terapia com opioides fortes, incluindo morfina em qualquer via de administração. 2
32% dos pacientes encaminhados a clínicas de fibromialgia já usam opioides, com mais de dois terços usando opioides fortes; o uso está fortemente associado a histórico de abuso de substâncias. 2
Pacientes com fibromialgia que descontinuaram opioides aos 12 meses relataram menos frequentemente melhora da dor como razão para descontinuação, mas mais frequentemente efeitos colaterais incômodos. 4
Alternativas Terapêuticas Recomendadas
Primeira Linha Farmacológica
Duloxetina 60 mg uma vez ao dia, pregabalina 300-450 mg/dia, ou amitriptilina 25-50 mg à noite são as opções farmacológicas de primeira linha recomendadas, com evidência Nível Ia, Grau A. 1
Duloxetina não deve ser aumentada acima de 60 mg/dia; doses de 120 mg não fornecem benefício adicional de alívio da dor e estão associadas a taxas mais altas de eventos adversos. 1
Pregabalina deve ser titulada para dose-alvo de 300-450 mg/dia em doses divididas; doses acima de 450 mg/dia não melhoram a eficácia e aumentam reações adversas dose-dependentes. 1
Segunda Linha (Quando Primeira Linha Falha)
Tramadol é recomendado para pacientes cuja dor permanece descontrolada após tentativas adequadas de duloxetina, pregabalina ou amitriptilina; demonstra tamanho de efeito moderado de 0,657 para redução da dor. 1
Tramadol deve ser usado com cautela dados os riscos relacionados a opioides, e a resposta clínica deve ser reavaliada a cada 4-8 semanas. 1
Abordagens Não-Farmacológicas (Primeira Linha)
Exercício aeróbico e de fortalecimento tem a evidência mais forte (Nível Ia, Grau A) e deve ser a intervenção não-farmacológica primária, com programa de baixa intensidade (10-15 min de caminhada, natação ou ciclismo, 2-3 sessões/semana) progredindo gradualmente. 1
Terapia em piscina aquecida com ou sem exercício é eficaz para fibromialgia, com evidência Nível IIa, Grau B, envolvendo sessões de 25-90 min, 2-3 vezes/semana, sustentadas por 5-24 semanas. 1
Terapia cognitivo-comportamental é particularmente benéfica para pacientes com transtornos de humor comórbidos, com evidência Nível Ia, Grau A. 1
Acupuntura manual (não eletroacupuntura) deve ser oferecida como parte de um plano de manejo multimodal, com sessões duas vezes por semana por pelo menos 8 semanas, evidência Nível Ia, Grau A. 1
Algoritmo de Tratamento Específico
Iniciar com educação do paciente sobre fibromialgia e programa de exercício aeróbico/fortalecimento progressivo. 1
Adicionar duloxetina 60 mg/dia OU pregabalina 300-450 mg/dia como primeira escolha farmacológica (duloxetina preferível se depressão comórbida; pregabalina se distúrbio do sono proeminente). 1
Se redução da dor <30% após 4-6 semanas, trocar para agente alternativo de primeira linha de classe diferente. 1
Se resposta parcial (30-50% redução da dor), considerar adicionar segundo agente de classe diferente. 1
Quando ambos os agentes de primeira linha falharem, introduzir tramadol com monitoramento cuidadoso para riscos relacionados a opioides. 1
Adicionar terapia em piscina aquecida e/ou acupuntura manual às 4-6 semanas se resposta inadequada. 1
Armadilhas Críticas a Evitar
Nunca prescrever opioides fortes ou corticosteroides para fibromialgia sob quaisquer circunstâncias. 1
Não usar AINEs como terapia única porque são ineficazes para dor de fibromialgia. 1
Nunca exceder duloxetina 60 mg/dia ou pregabalina 450 mg/dia; doses mais altas não aumentam eficácia e apenas elevam a probabilidade de eventos adversos. 1
Em paciente com possível transtorno por uso de opioides, qualquer prescrição de opioide (incluindo morfina oral ou PCA) aumenta o risco de recaída, overdose e morte. 2, 5
Considerações Sobre Bomba PCA Especificamente
As diretrizes da EAPC recomendam infusão subcutânea contínua de morfina como método preferido para morfina parenteral contínua, mas estas recomendações são para dor oncológica, não fibromialgia. 6
A via oral é a rota ótima de administração de morfina quando indicada (para dor oncológica), com morfina de liberação normal a cada 4 horas para titulação de dose. 6
Doses de resgate podem ser oferecidas até a cada hora por via oral, mas novamente, isto é para dor oncológica onde opioides têm eficácia comprovada. 6
Nenhuma destas recomendações se aplica a fibromialgia, onde opioides fortes não têm papel terapêutico. 1