Manejo de Paciente de 2 Anos com Ingestão Cáustica e Sintomas Respiratórios
Exclusão Explícita das Diretrizes Pediátricas Padrão
Crianças menores de 2 anos estão explicitamente excluídas das diretrizes clínicas pediátricas padrão porque a rinite e outras condições respiratórias nesta população podem ser diferentes das crianças mais velhas e não são informadas pela mesma base de evidências. 1
Abordagem Modificada para Paciente de 2 Anos
Prioridade Absoluta: Manejo das Vias Aéreas
A via aérea deve ser manejada antes de qualquer outra intervenção em emergências pediátricas com sintomas respiratórios. 2 Em uma criança de 2 anos com desconforto respiratório após ingestão cáustica, o atraso na intervenção das vias aéreas pode levar a cenários catastróficos de "não consegue intubar, não consegue oxigenar". 2
Manobras Iniciais Imediatas:
- Posicione a criança com manobra de elevação do queixo ou tração mandibular para abrir a via aérea 2
- Forneça 100% de FiO₂ através de máscara facial imediatamente durante a avaliação das vias aéreas 2
- Aplique CPAP para suportar a oxigenação enquanto prepara o manejo definitivo 3
- Descomprima o estômago com sonda nasogástrica para prevenir distensão gástrica 3
Equipamento e Equipe de Prontidão
Equipamento de via aérea de emergência (dispositivos supraglóticos, videolaringoscopia) e um cirurgião de otorrinolaringologia devem estar imediatamente disponíveis ao manejar uma criança com suspeita de lesão cáustica das vias aéreas. 2
Preparação Específica para Idade:
- Para uma criança de 2 anos (aproximadamente 12 kg), use tubo endotraqueal com cuff tamanho 4.0 ou 4.5 1, 4
- Mantenha a pressão do cuff ≤20 cmH₂O com manômetro 1, 3
- Tenha videolaringoscópio disponível como primeira opção ou resgate 3, 4
- NÃO use videolaringoscopia se houver obstrução produzindo estridor na via aérea superior 3
Dispositivos Supraglóticos como Ponte
Se a ventilação com máscara se tornar inadequada, considere dispositivo supraglótico como ponte temporária. 3 Dispositivos supraglóticos são altamente eficazes para prevenir hipoxemia em cenários de via aérea difícil pediátrica. 3 Limite as tentativas de inserção a 2-3 tentativas. 1
Critérios para Broncoscopia Rígida de Resgate
Broncoscopia rígida é reservada SOMENTE para cenários de "não consegue intubar, não consegue oxigenar" (CICO), definidos por SpO₂ < 80% e/ou frequência cardíaca decrescente, indicando falência respiratória iminente. 2 Broncoscopia rígida é uma técnica de ventilação de resgate para emergências de via aérea com risco de vida e NÃO deve ser empregada como ferramenta diagnóstica para avaliar a gravidade da lesão cáustica. 2
Protocolo Pós-Estabilização das Vias Aéreas
Sequência Recomendada:
Manter paciente em jejum (NPO) e iniciar ressuscitação volêmica intravenosa 2
Obter radiografias de tórax e abdome para excluir perfuração (pneumomediastino, pneumoperitônio) após a via aérea estar segura 2
Agendar endoscopia flexível dentro de 6-24 horas para classificar a lesão usando o sistema de classificação de Zargar 2, 5
Admitir em terapia intensiva para monitoramento contínuo de indicadores de perfuração (febre, enfisema subcutâneo, piora do desconforto respiratório) 2
Armadilhas Críticas a Evitar:
- NUNCA insira sonda nasogástrica às cegas antes da endoscopia devido ao risco de perfurar tecido esofágico friável 2
- NUNCA induza vômito ou administre agentes neutralizantes orais porque reexpõe o tecido danificado à substância cáustica 2
- Carvão ativado é contraindicado em ingestões cáusticas porque não se liga a agentes cáusticos e pode causar vômito 2
- A aparência clínica de queimaduras orais não prevê de forma confiável lesão gastrointestinal; aproximadamente 30% das crianças com queimaduras esofágicas graves não apresentavam lesões orais visíveis 2
Considerações Especiais para Menores de 2 Anos
Diferenças Farmacocinéticas:
Pacientes pediátricos experimentam diferenças únicas da população adulta em parâmetros farmacocinéticos e, consequentemente, requerem dosagem individualizada baseada na idade, tamanho e nível de maturidade dos órgãos. 6
Disponibilidade de Pessoal:
Pessoal treinado especificamente em suporte de vida pediátrico e manejo de vias aéreas deve estar prontamente disponível durante procedimentos sedados em crianças. 5 A endoscopia em crianças deve ser realizada por endoscopistas treinados em pediatria sempre que possível. 5
Monitoramento Hemodinâmico:
Para uma criança de 2 anos, os parâmetros normais incluem frequência cardíaca de 80-130 bpm, pressão arterial sistólica de 85-105 mmHg. 4 O limiar para iniciar drogas vasoativas inclui pressão arterial média <45-50 mmHg ou frequência cardíaca <60 bpm com hipotensão. 4