Larva Migrans Cutânea (Bicho Geográfico)
O diagnóstico mais provável é larva migrans cutânea (também conhecida como "bicho geográfico" ou "dermatite serpiginosa"), causada pela penetração de larvas de ancilostomídeos zoonóticos (principalmente Ancylostoma braziliense e A. caninum) na pele humana 1, 2.
Características Clínicas que Confirmam o Diagnóstico
A apresentação clínica deste paciente é patognomônica para larva migrans cutânea:
Lesão serpiginosa característica: A descrição de "caminho de cobra" ou "rastro na pele" é o achado clínico mais específico, representando o trajeto migratório das larvas na epiderme 1, 2, 3.
Prurido intenso: O prurido no local é uma característica cardinal da doença, frequentemente tão intenso que pode impedir o sono 3.
Progressão temporal: A disseminação da lesão em sentido "cobrioso" (serpiginoso) ao longo de 3 dias é típica, com as larvas avançando alguns milímetros a centímetros por dia 1, 4.
Ausência de dor, calor e pus: Estas características excluem infecção bacteriana secundária e são consistentes com larva migrans não complicada 2, 3.
Contexto Epidemiológico
O perfil ocupacional do paciente é altamente relevante:
Exposição ocupacional: Trabalhadores de coleta de resíduos têm contato frequente com solo contaminado por fezes de cães e gatos, que contêm ovos de ancilostomídeos 1, 3.
Localização da lesão: A região das costas próxima à axila esquerda sugere contato direto da pele exposta com solo ou superfícies contaminadas durante o trabalho 2, 4.
Clima brasileiro: As condições de temperatura e umidade elevadas no Brasil favorecem a maturação das larvas infectantes no solo 2, 3.
Fisiopatologia
As larvas de ancilostomídeos zoonóticos penetram a pele humana mas não conseguem atravessar a membrana basal devido à ausência de hialuronidases e proteases necessárias 2, 5.
Consequentemente, as larvas permanecem confinadas à epiderme, migrando lateralmente e criando o trajeto serpiginoso característico 2, 3.
A doença é autolimitada, mas sem tratamento pode persistir por semanas a meses 2, 3.
Tratamento Recomendado
A droga de escolha é ivermectina em dose única oral de 200 μg/kg de peso corporal 1, 2, 3:
Esta dose única demonstra eficácia de 100% na cura dos pacientes 2, 4.
É o tratamento mais eficaz e conveniente disponível atualmente 2, 3.
Alternativa Terapêutica
Albendazol 400 mg via oral diariamente: Pode ser usado como alternativa em locais onde ivermectina não está disponível, mas requer tratamento repetido por vários dias consecutivos 2, 4.
Albendazol é menos conveniente que ivermectina devido à necessidade de doses múltiplas 2, 3.
Armadilhas Comuns a Evitar
Não confundir com outras dermatoses serpiginosas: A larva currens causada por Strongyloides stercoralis progride muito mais rapidamente (vários centímetros por hora versus milímetros por dia) e geralmente afeta região perianal e nádegas 4.
Não confundir com escabiose: Embora ambas causem prurido intenso, a escabiose não produz trajetos lineares serpiginosos característicos 4.
Não atrasar o tratamento: Embora autolimitada, a doença causa prurido intenso e desconforto significativo que justificam tratamento imediato 2, 3.
Vigiar para infecção bacteriana secundária: Escoriações causadas pelo ato de coçar podem facilitar superinfecção bacteriana, que requereria antibioticoterapia adicional 1, 2, 3.