Hipertensão Intracraniana Idiopática Assintomática
Recomendação Principal
Pacientes assintomáticos com hipertensão intracraniana idiopática (HII) descoberta incidentalmente devem ser tratados ativamente com perda de peso e monitoramento oftalmológico rigoroso, pois a ausência de sintomas não garante estabilidade da doença e o risco de perda visual permanente permanece significativo. 1, 2, 3
Avaliação Inicial Obrigatória
Neuroimagem Urgente
- Realize ressonância magnética cerebral com venografia dentro de 24 horas para excluir trombose venosa cerebral, hidrocefalia, lesões estruturais ou vasculares 1, 2
- Se a ressonância não estiver disponível em 24 horas, realize tomografia computadorizada urgente seguida de ressonância quando disponível 1, 2
- A venografia (TC ou RM) é obrigatória dentro de 24 horas para excluir trombose de seios venosos 1, 2
Punção Lombar Diagnóstica
- Após neuroimagem normal, todos os pacientes com papiledema devem realizar punção lombar para medir pressão de abertura 1, 2
- A pressão de abertura deve ser medida em decúbito lateral com pernas estendidas, paciente relaxado e respirando normalmente, após estabilização do traçado de pressão 1, 2
- Pressão de abertura ≥25 cm H₂O confirma pressão intracraniana elevada 1, 2
Avaliação Oftalmológica Completa
- Documente acuidade visual, exame pupilar, campimetria formal, fundoscopia dilatada para graduar o papiledema e fotografias seriadas do disco óptico ou OCT 1, 2
- Calcule o IMC e documente o peso, pois ganho de 5-15% no ano anterior ao diagnóstico é comum 2
Abordagem Terapêutica
Tratamento de Primeira Linha (Todos os Pacientes)
- Perda de peso de 5-10% é o único tratamento modificador da doença e deve ser enfatizado mesmo quando outros tratamentos são iniciados 4
- Programa de perda de peso com dieta hipossódica para todos os pacientes com sobrepeso 4
Tratamento Médico
- Acetazolamida é a terapia médica de primeira linha para pacientes sintomáticos ou com evidência de perda visual 4
- Estudos pediátricos mostram que pacientes assintomáticos requerem doses menores de acetazolamida para resolução do papiledema comparado aos sintomáticos 5
- Topiramato pode ser alternativa quando acetazolamida causa efeitos colaterais excessivos 1
Considerações Especiais para Pacientes Assintomáticos
- Pacientes assintomáticos frequentemente apresentam pressão de abertura inicial mais baixa, graus menores de edema do nervo óptico bilateralmente e menor probabilidade de achatamento do globo na ressonância 5
- Apesar da apresentação mais branda, o curso da doença pode ser variável e visualmente significativo 3
- Pacientes podem progredir para doença sintomática ou apresentar edema persistente do disco óptico ou palidez mesmo com medicação para reduzir a pressão intracraniana 3
Monitoramento e Seguimento
Intervalos de Seguimento Baseados em Evidência
- Para papiledema leve com campos visuais normais: seguimento a cada 6 meses 1
- Para papiledema moderado com campos visuais normais: seguimento a cada 3-4 meses 1
- Para papiledema grave com campos visuais normais: seguimento a cada 1-3 meses 1
Armadilha Crítica em Pacientes Assintomáticos
- Atenção especial é necessária em pacientes assintomáticos na apresentação, pois provavelmente permanecerão assintomáticos se ocorrer recorrência, e seguimento de longo prazo deve ser considerado mesmo após resolução do papiledema 1
- Uma vez que o papiledema tenha resolvido, o monitoramento visual dentro dos serviços hospitalares pode não ser mais necessário, mas cautela é essencial neste subgrupo 1
Indicações para Intervenção Cirúrgica
Critérios para Cirurgia Urgente
- Evidência de declínio da função visual ou perda visual grave na apresentação requer tratamento cirúrgico urgente para preservar a visão 4
- Drenagem lombar temporária pode ser usada enquanto se planeja intervenção cirúrgica definitiva 4
- Derivação ventriculoperitoneal (DVP) é o procedimento preferido de derivação liquórica devido a menores taxas de revisão relatadas por paciente 4
Quando Não Operar
- Derivação liquórica geralmente não é recomendada como tratamento exclusivo para cefaleia na HII 1
- Procedimentos de derivação liquórica para manejo de cefaleia devem ser realizados apenas em ambiente multidisciplinar e após período de monitoramento da pressão intracraniana 1
Taxas de Falha Terapêutica e Prognóstico
Dados de Longo Prazo
- Falha terapêutica com piora da visão após estabilização inicial ocorre em 34% dos pacientes em 1 ano e 45% em 3 anos 2, 4
- Um terço a metade dos pacientes falham em alcançar melhora da cefaleia 4
- Estes dados enfatizam a necessidade de vigilância prolongada e monitoramento contínuo 2, 4
Considerações Especiais
Gravidez
- Comunicação multidisciplinar entre clínicos experientes é recomendada durante gravidez, periparto e pós-parto 4
- Acetazolamida deve ser usada com cautela durante gravidez após avaliação clara de risco-benefício 4
- Topiramato não deve ser usado na gravidez devido a evidência clara de maior taxa de anormalidades fetais 1
Duração do Tratamento
- O tratamento da HII não é limitado por tempo, mas orientado por desfechos, focando em monitoramento contínuo 4
- Nunca interrompa o tratamento baseado apenas em melhora sintomática sem evidência objetiva de resolução do papiledema e campos visuais estáveis 4
- Continue o tratamento enquanto o papiledema persistir 4