Anticorpos para Síndrome Antifosfolípide
Para diagnosticar a síndrome antifosfolípide, três anticorpos devem ser testados obrigatoriamente: anticoagulante lúpico (LA), anticorpos anticardiolipina (aCL) IgG/IgM, e anticorpos anti-beta2 glicoproteína I (aβ2GPI) IgG/IgM. 1
Painel Laboratorial Obrigatório
Os três testes devem ser realizados em paralelo no mesmo paciente, pois cada um detecta populações distintas de anticorpos e omitir qualquer teste leva a subdiagnóstico substancial 1, 2:
- Anticoagulante lúpico (LA) - detectado por ensaios de coagulação 1
- Anticorpos anticardiolipina (aCL) - isotipos IgG e IgM 1
- Anticorpos anti-beta2 glicoproteína I (aβ2GPI) - isotipos IgG e IgM 1
Metodologia de Testagem
Anticoagulante Lúpico (LA)
O teste de LA requer metodologia em 3 etapas: triagem, mistura e confirmação, com testagem paralela usando AMBOS tempo de tromboplastina parcial ativada (APTT) E tempo de veneno de víbora de Russell diluído (dRVVT) 1, 2.
Armadilha crítica: Omitir APTT ou dRVVT aumenta o risco de subdiagnóstico em até 55% das amostras triplo-positivas 1, 2. Nunca teste LA durante terapia anticoagulante, pois causa resultados falso-positivos ou falso-negativos 3.
Anticorpos Anticardiolipina e Anti-beta2 Glicoproteína I
Ambos aCL e aβ2GPI devem ser medidos por ensaios de fase sólida (ELISA ou sistemas automatizados validados) para isotipos IgG e IgM 1, 2.
Definição de positividade:
- Valores acima do percentil 99 de controles normais 1, 2
- Os critérios ACR/EULAR 2023 definem títulos moderados como > 40 Unidades e títulos altos como > 80 Unidades 1
Confirmação de Persistência
Todos os resultados positivos devem ser repetidos após pelo menos 12 semanas (e não mais que 5 anos) para confirmar persistência e excluir positividade transitória 1, 2. Esta repetição é obrigatória mesmo em pacientes triplo-positivos 1.
Estratificação de Risco Baseada no Perfil de Anticorpos
O perfil de anticorpos determina o risco trombótico e obstétrico 1:
- Triplo-positivo (LA + aCL + aβ2GPI todos positivos) - maior risco trombótico e perfil mais clinicamente significativo 1, 2, 3
- Duplo-positivo com isotipo concordante (aCL e aβ2GPI do mesmo isotipo, particularmente IgG) - risco elevado 1
- Títulos médios/altos (>40 Unidades ou >percentil 99) - associados a maior risco 1
- Isotipo IgG - clinicamente mais relevante que IgM 1, 2
- LA isolado positivo - risco trombótico menor comparado à tripla positividade 1, 2
Interpretação Clínica
Os resultados laboratoriais devem ser interpretados no contexto clínico com conhecimento do estado de anticoagulação do paciente 1, 2. Resultados baixo-positivos próximos ao valor de corte devem ser interpretados com cautela devido à potencial imprecisão de 10% dos métodos de fase sólida 2.
Importante: Os critérios de classificação ACR/EULAR 2023 são mais rigorosos que os critérios diagnósticos clínicos e foram desenhados para pesquisa 1, 3. Aplicá-los na prática diária leva a subdiagnóstico 1, 3. A avaliação clínica deve ser mais ampla para garantir que todos os pacientes que necessitam tratamento sejam identificados 1.
Monitoramento Contínuo
Para pacientes com SAF confirmada, retestagem anual de LA, aCL e aβ2GPI é recomendada para avaliar flutuação de títulos e mudanças no perfil de anticorpos ao longo do tempo 1, 3.