Sorologia negativa aos 30,90 e 150 dias descarta definitivamente infecção por hepatite C
Três testes de anticorpos anti-HCV negativos por imunoensaio de quimioluminescência aos 30,90 e 150 dias após exposição descartam efetivamente a infecção pelo vírus da hepatite C e eliminam a necessidade de terapia antiviral ou testagem adicional na grande maioria dos casos. 1
Interpretação da janela de soroconversão
O RNA do HCV torna-se detectável 1–3 semanas após a exposição, enquanto os anticorpos anti-HCV aparecem tipicamente 2–6 meses (em média 8–9 semanas) após a infecção. 1, 2
A janela de soroconversão (período entre infecção e detecção de anticorpos) dura até 70 dias com testes de anticorpos convencionais. 3, 4
Aos 150 dias (5 meses) após exposição, praticamente todos os pacientes imunocompetentes que desenvolveram infecção crônica terão anticorpos detectáveis. 3, 1
Por que três testes negativos são suficientes
Um teste negativo aos 30 dias captura a maioria das soroconversões precoces, pois anticorpos começam a aparecer em média 8–9 semanas após exposição. 1, 2
Um teste negativo aos 90 dias (3 meses) cobre o período típico de soroconversão para a maioria dos pacientes. 3, 1
Um teste negativo aos 150 dias (5 meses) ultrapassa amplamente o período máximo de soroconversão, incluindo casos raros de soroconversão tardia. 3, 2
Soroconversão tardia (além de 6 meses) é extremamente rara, ocorrendo apenas ocasionalmente. 3
Exceções que requerem testagem adicional de RNA do HCV
Mesmo com três testes de anticorpos negativos, testagem de RNA do HCV deve ser considerada em:
Pacientes imunocomprometidos
- Pacientes com HIV, transplante de órgãos sólidos, hemodiálise, terapia imunossupressora ou hipogamaglobulinemia podem ter testes de anticorpos falsamente negativos apesar de viremia ativa. 1, 5
- Nesses pacientes, a detecção de RNA do HCV pode ser a única evidência de infecção. 3, 1
- Testagem direta de RNA do HCV é mandatória independentemente do status de anticorpos nesta população. 1
Evidência clínica de doença hepática ativa
- Elevação inexplicada de transaminases (ALT/AST) ou sintomas sugestivos de hepatite aguda justificam testagem de RNA mesmo com anticorpos negativos. 1, 5
Preocupações com manuseio de amostra
- Armazenamento ou manuseio inadequado da amostra pode produzir resultados falso-negativos de RNA. 1, 5
- Amostras devem ser separadas (soro/plasma) dentro de 2–4 horas da coleta e armazenadas adequadamente. 1
Considerações sobre o método de quimioluminescência
Imunoensaios de quimioluminescência (como ARCHITECT Anti-HCV) demonstram especificidade de 99% e produzem menos resultados falso-positivos que ensaios enzimáticos convencionais. 6, 4
O valor preditivo positivo do método de quimioluminescência é 98% comparado a 93% com EIA convencional. 6
Importante: Alguns estudos demonstram que ensaios de quimioluminescência podem ter sensibilidade ligeiramente reduzida para anticorpos c22 e c33c em pacientes que clarearam a infecção e têm níveis naturalmente declinantes de anticorpos. 7
Esta limitação é irrelevante no seu caso, pois três testes negativos em momentos diferentes (30,90 e 150 dias) descartam tanto infecção ativa quanto infecção resolvida. 1, 5
Armadilhas a evitar
Não confundir anticorpos positivos com imunidade protetora: anticorpos anti-HCV não são neutralizantes e não conferem proteção contra reinfecção. 1, 5
Não assumir que um único teste negativo descarta infecção se a exposição foi recente (< 6 meses), mas três testes ao longo de 5 meses são definitivos. 1, 2
Não solicitar testagem de RNA do HCV rotineiramente após três testes de anticorpos negativos, exceto nas situações especiais descritas acima. 1, 5
Recomendação final
Nenhuma ação adicional é necessária na ausência de fatores de risco especiais (imunocomprometimento, doença hepática ativa). 1, 5 O paciente não tem infecção pelo HCV, não requer terapia antiviral, não é infeccioso e não necessita testagem de seguimento, a menos que ocorram novas exposições de risco. 1, 5