Carcinomas Escamosos com Metástases Lombares e Hepáticas Hipovasculares
O carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (incluindo cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e nasofaringe) é o tipo mais provável de carcinoma escamoso a apresentar metástases para a coluna lombar e metástases hipovasculares para o fígado, embora ambos os padrões sejam relativamente raros nesta doença.
Padrões de Metástases à Distância
Metástases Ósseas (Coluna Lombar)
O carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço pode metastatizar para estruturas esqueléticas, incluindo vértebras e costelas, sendo detectado por TC de tórax com contraste que permite identificar metástases esqueléticas torácicas e vertebrais 1.
Até 25% dos pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço desenvolvem metástases à distância, com a maioria das recorrências ocorrendo nos primeiros 2 anos após o tratamento 1.
A doença em estágio avançado está diretamente associada ao aumento do risco de metástases à distância, incluindo disseminação óssea 1.
Metástases Hepáticas
As metástases hepáticas de carcinomas são tipicamente hipovasculares quando originadas de tumores primários não-hipervascularizados, sendo que a maioria dos carcinomas espinocelulares produz metástases hipovasculares 1.
Os carcinomas mais frequentes que desenvolvem metástases hepáticas incluem mama, pulmão, colorretal, gástrico e pancreaticobiliar, mas o carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço também pode metastatizar para o fígado, embora seja menos comum 1.
Subtipos Específicos de Carcinoma Espinocelular
Carcinoma de Cabeça e Pescoço
Mais de 90% das malignidades de cabeça e pescoço são carcinomas espinocelulares, com incidência bruta de 34,6/100.000 na União Europeia 1.
O carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço recorrente apresenta probabilidade significativamente maior de desenvolver doença metastática pulmonar, e pacientes com doença avançada têm risco aumentado de metástases à distância 1.
O carcinoma nasofaríngeo (subtipo de carcinoma espinocelular) apresenta doença localmente avançada em 25-35% dos casos com envolvimento da base do crânio e invasão intracraniana em 3-12% dos casos na apresentação inicial 1.
Carcinoma Espinocelular Cutâneo
O carcinoma espinocelular cutâneo tem risco de metástase de aproximadamente 4%, sendo que metástases cutâneas em trânsito e linfonodos regionais são as apresentações metastáticas mais comuns, seguidas por metástases à distância 1.
Em pacientes imunossuprimidos, particularmente transplantados de órgãos sólidos, o risco metastático pode ser 2 a 3 vezes maior 1.
Malignidades cutâneas podem metastatizar para linfonodos cervicais, mas metástases viscerais à distância (fígado, coluna) são menos características 1.
Considerações Diagnósticas Importantes
Armadilhas Comuns
É fundamental distinguir entre carcinoma espinocelular primário pulmonar versus metastático de cabeça e pescoço, pois carcinomas espinocelulares de cabeça e pescoço podem mimetizar tumores primários pulmonares 1.
Carcinomas espinocelulares pulmonares tendem a ser não-reativos para TTF-1, enquanto adenocarcinomas pulmonares são TTF-1 positivos, auxiliando na diferenciação 1.
A TC de tórax com contraste IV melhora a detecção de adenopatia mediastinal e hilar e auxilia na delineação da extensão de tecidos moles da doença metastática esquelética 1.
Vigilância e Detecção
A TC tem sensibilidade de 74% para metástases hipovasculares, sendo modalidade razoável para vigilância de metástases hepáticas 1.
História de tabagismo pesado é indicação separada para TC de tórax na vigilância, pois esses pacientes têm risco tanto para carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço quanto para câncer primário de pulmão 1.
Contexto Clínico Relevante
Tabagismo e consumo de álcool são fatores de risco sinérgicos para carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço, particularmente para doença não relacionada ao HPV 1.
Perda de peso inexplicada é comum em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, podendo indicar dificuldade de deglutição ou doença avançada 1.
Pacientes com história de tratamento prévio para malignidade de cabeça e pescoço têm risco de recorrência local, regional (nodal) ou segunda malignidade, e aqueles com radioterapia prévia têm risco de neoplasia secundária décadas depois 1.