Conduta na Falha Virológica com Tenofovir-Lamivudina-Dolutegravir
Você deve primeiro confirmar a falha virológica com teste de genotipagem de resistência enquanto o paciente ainda está usando o esquema atual, e então trocar para um inibidor de protease potencializado (IP/r) com 2 NRTIs (pelo menos 1 totalmente ativo baseado no teste de resistência). 1
Confirmação da Falha Virológica
- Duas cargas virais consecutivas de 600 cópias/mL confirmam falha virológica (definida como HIV RNA >200 cópias/mL em 2 medições consecutivas). 1, 2
- Esta situação não é um "blip" viral isolado, que seria <1000 cópias/mL com retorno subsequente a indetectável. 1, 2
- A falha virológica com dolutegravir é rara nos ensaios clínicos, assim como o surgimento de resistência a drogas. 1
Teste de Resistência Imediato
- Solicite teste de genotipagem de resistência AGORA, enquanto o paciente ainda está tomando o esquema atual. 1
- Se não for possível fazer enquanto em uso, o teste pode ser feito até 4 semanas após a interrupção da TARV. 1
- Colete todos os resultados de mutações de resistência de genótipos anteriores disponíveis, juntamente com o histórico completo de TARV, para informar a seleção do novo esquema. 1
Investigação de Causas da Falha
Antes de trocar o esquema, avalie sistematicamente:
- Adesão: A má adesão é a causa mais provável de falha, especialmente com esquemas baseados em inibidores de integrase que têm alta barreira genética. 1
- Interações medicamentosas: Revise todas as medicações concomitantes. 1
- Circunstâncias psicossociais ou financeiras que possam afetar a adesão. 1
Novo Esquema de TARV Recomendado
Primeira Escolha: IP/r + 2 NRTIs
Um inibidor de protease potencializado (darunavir/ritonavir ou lopinavir/ritonavir) com 2 NRTIs (pelo menos 1 totalmente ativo) é o esquema recomendado para falha inicial de um regime contendo inibidor de integrase. 1
- Esta recomendação tem classificação de evidência AIII. 1
- O IP/r deve ser combinado com pelo menos 1 NRTI totalmente ativo determinado pelo teste genotípico. 1
- Exemplos práticos:
- Darunavir/ritonavir + tenofovir + lamivudina (se sensíveis)
- Darunavir/ritonavir + zidovudina + lamivudina (se resistência ao tenofovir)
Alternativa: Dolutegravir em Dose Dobrada
- Dolutegravir 50 mg duas vezes ao dia com pelo menos 1 outro agente totalmente ativo pode ser eficaz no cenário de resistência ao raltegravir ou elvitegravir. 1
- Esta opção tem classificação de evidência BIII. 1
- Importante: Não há dados de ensaios clínicos para orientar mudanças de tratamento após falha com dolutegravir inicial, então esta opção é menos preferível. 1
Considerações Especiais sobre Reciclagem de NRTIs
Embora estudos recentes mostrem que reciclar tenofovir-lamivudina com dolutegravir pode ser eficaz mesmo com resistência aos NRTIs 3, 4, 5, as diretrizes atuais não recomendam esta abordagem como primeira linha para falha virológica com dolutegravir. 1
- Estes estudos avaliaram falha de esquemas baseados em NNRTI (efavirenz/nevirapina), não falha de dolutegravir. 3, 4
- A reciclagem de NRTIs com dolutegravir mostrou 85-90% de supressão virológica em pacientes falhando NNRTI, mesmo com resistência substancial aos NRTIs. 3, 4
- No entanto, seu caso é diferente: falha de um esquema inicial baseado em inibidor de integrase, onde a recomendação é mudar para IP/r. 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Nunca adicione apenas um único agente ativo a um esquema em falha. 1
- Não troque a TARV baseado em "blips" isolados <1000 cópias/mL que retornam a indetectável. 1, 2
- Não continue o mesmo esquema sem investigação adequada e teste de resistência. 1
- Não use monoterapia com IP/r potencializado ou dolutegravir. 1
Suporte à Adesão
Independentemente do novo esquema escolhido:
- Forneça aconselhamento intensivo sobre adesão. 1
- Aborde barreiras psicossociais, financeiras ou relacionadas a efeitos adversos. 1
- Considere regimes que melhorem a adesão, tolerabilidade ou ambos. 1