Clindamicina para Infecção do Pé Diabético
A clindamicina NÃO deve ser usada como monoterapia para infecções do pé diabético de gravidade leve a moderada, pois não oferece cobertura adequada contra bactérias gram-negativas que frequentemente estão presentes nessas infecções polimicrobianas. 1
Quando a Clindamicina É Apropriada
A clindamicina deve ser combinada com uma fluoroquinolona (levofloxacino ou ciprofloxacino) para infecções moderadas a graves, fornecendo cobertura adequada para a natureza polimicrobiana dessas infecções. 1
Regimes Recomendados com Clindamicina
Para infecções moderadas:
- Levofloxacino 750 mg VO uma vez ao dia + clindamicina 300-450 mg VO três vezes ao dia por 2-3 semanas 1
- Ciprofloxacino 500-750 mg VO duas vezes ao dia + clindamicina 300-450 mg VO três vezes ao dia como alternativa 1
Para infecções graves:
- Levofloxacino ou ciprofloxacino IV + clindamicina 600 mg IV a cada 8 horas por 2-4 semanas 1
Vantagens da Clindamicina
- Excelente cobertura para cocos gram-positivos, incluindo MRSA adquirido na comunidade 1
- Boa cobertura para anaeróbios 1
- Útil em pacientes com alergia a beta-lactâmicos 1
Terapia de Primeira Linha (Sem Clindamicina)
Amoxicilina-clavulanato 875/125 mg VO duas vezes ao dia é a escolha de primeira linha para infecções leves a moderadas, oferecendo cobertura de espectro único para S. aureus, estreptococos, Enterobacteriaceae e anaeróbios. 1, 2
Para infecções moderadas a graves, piperacilina-tazobactam 3,375-4,5 g IV a cada 6-8 horas é o regime parenteral preferido. 1, 2
Dosagem e Duração
Duração do Tratamento
- Infecções leves: 1-2 semanas 1, 2
- Infecções moderadas: 2-3 semanas 1, 2
- Infecções graves: 2-4 semanas, dependendo da resposta clínica 1, 2
Monitoramento
- Pacientes internados: avaliar diariamente 1
- Pacientes ambulatoriais: avaliar a cada 2-5 dias inicialmente 1
Contraindicações e Precauções
Quando NÃO Usar Clindamicina
Nunca use clindamicina como monoterapia porque ela não cobre bactérias gram-negativas (Enterobacteriaceae), que são componentes essenciais da flora polimicrobiana típica. 1
Situações que Requerem Modificação
Adicione cobertura para MRSA (vancomicina, linezolida ou daptomicina) quando: 1
- Prevalência local de MRSA >50% (infecções leves) ou >30% (infecções moderadas)
- Hospitalização recente ou exposição a serviços de saúde
- Infecção ou colonização prévia por MRSA
- Falha clínica da terapia inicial
Adicione cobertura anti-pseudomonas (piperacilina-tazobactam ou ciprofloxacino) quando: 1
- Isolamento prévio de Pseudomonas do local
- Feridas maceradas com exposição frequente à água
- Residência em climas quentes (Ásia, Norte da África)
- Alta prevalência local de Pseudomonas
Medidas Adjuvantes Essenciais
O desbridamento cirúrgico de todo tecido necrótico, calo e material purulento dentro de 24-48 horas é obrigatório para o sucesso do tratamento; os antibióticos sozinhos são frequentemente insuficientes sem controle adequado da fonte. 1, 2
Avaliação vascular precoce e revascularização (dentro de 1-2 dias) devem ser realizadas para infecções isquêmicas, em vez de atrasar para cursos prolongados de antibióticos. 1, 2
A otimização do controle glicêmico melhora a erradicação da infecção e promove a cicatrização de feridas. 1, 2
Armadilhas Comuns a Evitar
NÃO continue os antibióticos até a cicatrização completa da ferida; interrompa quando os sinais de infecção resolverem (redução do eritema, diminuição da secreção purulenta, temperatura normalizada), pois continuar a terapia além da resolução aumenta a resistência sem benefício. 1
NÃO trate úlceras clinicamente não infectadas com antibióticos, pois não há evidências que apoiem essa prática para prevenção de infecção ou promoção da cicatrização. 1
NÃO use cobertura empírica desnecessariamente ampla para infecções leves; agentes direcionados a cocos gram-positivos aeróbicos são suficientes na maioria dos casos. 1
Terapia Definitiva
Estreite os antibióticos para atingir patógenos identificados (especialmente S. aureus e estreptococos do grupo A/B) assim que os resultados das culturas estiverem disponíveis. 1, 2
Se o paciente mostrar melhora clínica, o regime empírico pode ser continuado mesmo quando alguns isolados apresentam resistência in vitro. 1