Prednisolona para Lactentes (0–12 meses)
A prednisolona sistêmica em lactentes deve ser reservada para indicações específicas e bem estabelecidas—principalmente exacerbações moderadas a graves de asma/sibilância recorrente, síndrome nefrótica idiopática, e condições inflamatórias graves—com dose baseada em peso de 1–2 mg/kg/dia (máximo 60 mg/dia) administrada pela manhã, duração de 3–10 dias para condições agudas respiratórias sem necessidade de desmame, e monitoramento rigoroso de efeitos adversos incluindo supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, hipertensão, e comprometimento do crescimento. 1, 2, 3, 4
Indicações Apropriadas em Lactentes
Exacerbações de Asma/Sibilância Recorrente
Critérios para iniciar corticosteroides sistêmicos: Lactentes com 4 ou mais episódios de sibilância no último ano que duraram >1 dia e afetaram o sono, E que possuem índice preditivo de asma positivo (história parental de asma, diagnóstico médico de dermatite atópica, ou evidência de sensibilização a aeroalérgenos; OU 2 dos seguintes: sensibilização alimentar, >4% de eosinofilia periférica, ou sibilância fora de resfriados). 1
Exacerbações agudas moderadas a graves: Prednisolona 1–2 mg/kg/dia (máximo 60 mg) dividida em 2 doses por 3–10 dias para lactentes com sibilância aguda que não respondem prontamente a broncodilatadores de curta ação. 2, 3, 4
Evidência de eficácia: Estudos randomizados demonstram que 1 mg/kg/dia é não-inferior a 2 mg/kg/dia em termos de melhora clínica e recorrência de sibilância em 1 semana, com menos vômitos na dose mais baixa (RR 0,19–0,99). 5
Síndrome Nefrótica (Primeiro Episódio)
Fase de indução (4–6 semanas): Prednisolona 60 mg/m²/dia OU 2 mg/kg/dia (máximo 60 mg) como dose única matinal antes das 9h, continuando por no mínimo 12 semanas de terapia total com corticosteroides. 1
Fase de manutenção (2–5 meses): Transição para dosagem em dias alternados de 40 mg/m² OU 1,5 mg/kg (máximo 40 mg nos dias de dose) com redução gradual ao longo do período de 2–5 meses. 1
Outras Indicações Específicas
Crupe grave: Dose única de prednisolona 1 mg/kg (não aplicar regimes de asma de 1–2 mg/kg/dia por múltiplos dias ao crupe). 6
Displasia broncopulmonar grave: Dados limitados sugerem que prednisolona prolongada (>30 dias) está associada a melhora modesta de curto prazo no escore de gravidade pulmonar, mas prejudica o crescimento linear; o perfil risco-benefício não favorece uso prolongado. 7
Algoritmo de Dosagem Baseado em Peso
Cálculo da Dose
Para condições agudas (asma/sibilância): Iniciar com 1 mg/kg/dia dividida em 2 doses; considerar 2 mg/kg/dia (máximo 60 mg) apenas para exacerbações graves com dificuldade respiratória significativa, SpO₂ <92%, ou resposta inadequada a broncodilatadores. 2, 3, 4
Para síndrome nefrótica: Usar 60 mg/m²/dia OU 2 mg/kg/dia (máximo 60 mg) como dose única matinal. 1
Ajuste para lactentes com sobrepeso: Calcular a dose com base no peso corporal ideal, não no peso real, para evitar exposição excessiva a esteroides e efeitos comportamentais. 2
Teto absoluto de dose: Nunca exceder 60 mg/dia independentemente do peso ou cálculo baseado em superfície corporal. 2, 3, 4
Horário de Administração
Dose única matinal antes das 9h para minimizar a supressão adrenocortical e imitar os padrões fisiológicos de secreção de cortisol. 2
Para condições agudas respiratórias, a dose pode ser dividida em 2 administrações diárias para efeito ótimo. 3, 4
Duração e Desmame
Condições Respiratórias Agudas
Duração típica: 3–10 dias até que o pico de fluxo expiratório atinja ≥70% do previsto ou melhor pessoal, ou até resolução dos sintomas. 2, 3, 4
Sem necessidade de desmame: Para cursos <7–10 dias, especialmente se o lactente já estiver usando corticosteroides inalatórios, o desmame é desnecessário e pode levar a subdosagem durante o período crítico de recuperação. 2, 3
Síndrome Nefrótica
Duração mínima total: 12 semanas de terapia com corticosteroides. 1
Protocolo de desmame estruturado: Após a fase de indução, mudar para dosagem em dias alternados (40 mg/m²) por 2–5 meses com redução gradual: reduzir 5 mg a cada semana até atingir 10 mg/dia, depois 2,5 mg a cada semana até 5 mg/dia, finalmente 1 mg mensalmente até a dose efetiva mínima. 2
Terapia Prolongada (>10–14 dias)
Quando o desmame é necessário: Iniciar desmame para qualquer curso oral >10–14 dias ou quando terapia de alta dose (>1 mg/kg/dia) foi administrada por >2 semanas. 2
Risco de supressão adrenal: Doses superiores a 5 mg/dia de equivalente de prednisona aumentam a probabilidade de supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal; fornecer doses de estresse durante doença intercorrente quando a supressão do HPA é possível. 2
Monitoramento Essencial
Parâmetros Clínicos
Função respiratória: Medir o pico de fluxo expiratório ou saturação de oxigênio 15–30 minutos após o tratamento inicial e continuar monitorando de acordo com a resposta. 2, 3
Pressão arterial: Monitorar regularmente, pois a terapia com prednisolona em altas doses está associada a risco aumentado de desenvolver hipertensão. 2
Crescimento: Monitorar peso, comprimento e perímetro cefálico semanalmente durante terapia prolongada; os escores z de comprimento diminuem após 4 semanas de tratamento contínuo. 7
Prevenção de Efeitos Adversos
Suplementação de cálcio e vitamina D: Iniciar imediatamente ao começar a terapia para proteger a saúde óssea em pacientes pediátricos. 2
Medidas de prevenção de osteoporose: Para terapia prevista para durar >2–3 semanas em doses acima de 7,5 mg diários, implementar medidas de prevenção de osteoporose e antecipar supressão do eixo HPA. 2
Efeitos colaterais comuns: Monitorar características cushingoides, desaceleração do crescimento, ganho de peso/aumento do apetite, hipertensão, alterações comportamentais (hiperatividade, labilidade emocional). 2
Contraindicações e Precauções
Contraindicações Absolutas
Infecções sistêmicas não tratadas (especialmente varicela, sarampo, tuberculose ativa).
Hipersensibilidade conhecida à prednisolona ou qualquer componente da formulação.
Precauções Especiais em Lactentes
Imunizações com vírus vivos: Evitar durante terapia com corticosteroides sistêmicos e por período apropriado após a descontinuação.
Exposição a infecções: Lactentes em corticosteroides sistêmicos têm risco aumentado de infecções graves; evitar exposição a varicela e sarampo.
Insuficiência hepática ou renal: Ajustar a dose com cautela, embora diretrizes específicas para lactentes sejam limitadas.
Histórico de úlcera péptica ou sangramento gastrointestinal: Usar com cautela; o maior risco de sangramento gastrointestinal com esteroides de curto prazo ocorre em pacientes com histórico de sangramento GI ou aqueles em anticoagulantes. 3
Armadilhas Clínicas Comuns
Não subestimar a gravidade: Sempre fazer medições objetivas (pico de fluxo expiratório, frequência respiratória, saturação de oxigênio) em vez de confiar apenas na impressão clínica subjetiva. 3
Não atrasar a administração de corticosteroides sistêmicos: Administrar precocemente em exacerbações moderadas a graves, pois os efeitos anti-inflamatórios levam 6–12 horas para se tornarem aparentes; o atraso está associado a piores desfechos. 2, 3
Não usar doses desnecessariamente altas: Doses superiores a 2 mg/kg/dia (máximo 60 mg) não demonstraram benefício adicional em exacerbações graves de asma e aumentam o risco de efeitos adversos. 2, 3
Não desmamar cursos curtos (<7 dias): O desmame é desnecessário e pode levar a subdosagem durante o período crítico. 2, 3
Não dosar com base no peso real em lactentes com sobrepeso significativo: Isso leva a exposição excessiva a esteroides sem benefício adicional. 2
Não aplicar regimes de asma ao crupe: O regime recomendado para crupe é uma dose única oral de prednisolona 1 mg/kg, não 1–2 mg/kg/dia por múltiplos dias. 6
Não usar sedativos: Sedativos são contraindicados em lactentes com asma aguda e podem ser fatais. 2