What is the standard anamnesis for a patient with suspected gastroenteritis?

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Anamnese Padrão para Gastroenterite

A anamnese para gastroenterite deve focar em estabelecer a gravidade da desidratação, identificar sinais de alarme que sugerem etiologia bacteriana invasiva, e determinar se a infecção é comunitária ou associada aos cuidados de saúde.

História da Doença Atual

Características dos Sintomas Gastrointestinais

  • Diarreia: Perguntar sobre o número de evacuações líquidas nas últimas 24 horas (≥3 evacuações líquidas define gastroenterite aguda), consistência das fezes, presença de sangue ou muco, e volume aproximado 1, 2.

  • Vômitos: Documentar frequência, volume, presença de bile (vômito bilioso verde sugere obstrução intestinal e requer avaliação cirúrgica urgente), e capacidade de reter líquidos orais 1.

  • Dor abdominal: Caracterizar localização, intensidade, padrão (cólica versus contínua), e se é desproporcional aos achados do exame físico (pode sugerir abdome cirúrgico) 3.

  • Febre: Temperatura máxima documentada, padrão temporal, e presença de calafrios ou toxicidade sistêmica 3, 1.

Cronologia e Duração

  • Tempo de início: Estabelecer quando os sintomas começaram; início dentro de 6 horas após alimentação sugere toxina pré-formada de S. aureus ou Bacillus cereus 4.

  • Duração dos sintomas: Sintomas <7 dias sugerem gastroenterite viral autolimitada; sintomas >7 dias requerem investigação para protozoários (Giardia, Cryptosporidium) ou C. difficile 3.

  • Período de incubação: O período de incubação pode sugerir a etiologia; 1-3 dias é típico para sapovírus e norovírus 5.

Sinais de Alarme (Red Flags)

Indicadores de Desidratação Grave

  • Estado mental alterado: Letargia grave, consciência diminuída, ou irritabilidade extrema indica desidratação grave (≥10% déficit de líquidos) e constitui emergência médica 1.

  • Perfusão periférica: Extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), e pulso rápido e fraco 1.

  • Turgor cutâneo: Retração cutânea prolongada (>2 segundos quando a pele é pinçada) é preditor confiável de déficit hídrico significativo 1.

  • Respiração: Respiração rápida e profunda indica acidose metabólica por desidratação grave 1.

Indicadores de Infecção Bacteriana Invasiva

  • Fezes sanguinolentas com febre alta: Sugerem disenteria bacteriana (Shigella, Salmonella, E. coli enterohemorrágica) e risco de síndrome hemolítico-urêmica; requer cultura de fezes e avaliação imediata 3, 1.

  • Toxicidade sistêmica: Aparência tóxica, febre alta (>38,5°C), e cólicas abdominais graves 1.

Avaliação de Ingestão e Eliminação de Líquidos

  • Ingestão oral: Perguntar especificamente se houve diminuição na ingestão de líquidos, que tipo de líquidos foram oferecidos (evitar sucos de frutas não diluídos e refrigerantes), e se a criança/paciente consegue reter líquidos 1, 2.

  • Débito urinário: Frequência de micção nas últimas 24 horas, volume aproximado, e cor da urina (urina escura concentrada sugere desidratação) 1, 2.

  • Perdas contínuas: Quantificar perdas contínuas por vômitos e diarreia para calcular reposição de líquidos (10 mL/kg para cada evacuação líquida, 2 mL/kg para cada episódio de vômito) 1.

História Epidemiológica

Exposições e Contatos

  • Contatos doentes: Investigar se contatos próximos (familiares, visitantes, colegas de creche) apresentam sintomas semelhantes; disseminação intrafamiliar de estreptococo do grupo A é comum, e o mesmo princípio se aplica a patógenos entéricos 3, 6.

  • Surtos: Perguntar se há conhecimento de surto em creche, escola, instituição de longa permanência, ou comunidade 3.

  • Viagem recente: Viagem internacional para países em desenvolvimento aumenta risco de diarreia do viajante; mais de 50% dos viajantes são afetados 7.

  • Exposição a alimentos: Alimentos de risco incluem frutos do mar crus (risco de Vibrio vulnificus em pacientes com doença hepática crônica), carnes mal cozidas, laticínios não pasteurizados, e alimentos manipulados por pessoas doentes 6.

  • Exposição a água: Água não tratada, piscinas, lagos, ou fontes recreacionais de água 6.

História de Uso de Medicamentos

  • Antibióticos recentes: Uso de antibióticos nos últimos 30 dias aumenta significativamente o risco de colite por C. difficile; deve-se solicitar ensaio de toxina de C. difficile em amostra de fezes diarreicas 3.

  • Inibidores da bomba de prótons (IBP): IBPs são fator de risco para colite microscópica e C. difficile 3.

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): AINEs podem precipitar colite microscópica 3.

  • Agentes antimotilidade: Documentar se loperamida ou outros agentes foram usados (contraindicados em crianças <18 anos e em diarreia sanguinolenta) 1.

Comorbidades e Fatores de Risco

  • Imunocomprometimento: HIV, transplante, malignidade, terapia imunossupressora, ou quimioterapia aumentam risco de doença grave e prolongada; limiar mais baixo para internação e terapia antimicrobiana 1.

  • Idade: Lactentes <3 meses e idosos ≥65 anos têm maior risco de desidratação grave e complicações; limiar mais baixo para preocupação e internação 1, 5.

  • Doença hepática crônica ou alcoolismo: Risco aumentado de infecção por Vibrio vulnificus de frutos do mar crus 6.

  • Gravidez: Gestantes devem evitar carnes mal cozidas, laticínios não pasteurizados, queijos macios, e carnes frias não aquecidas devido ao risco de Listeria 6.

História Ocupacional e Social

  • Manipuladores de alimentos: Trabalhadores da área de alimentação e profissionais de saúde requerem duas amostras de fezes negativas consecutivas com 24 horas de intervalo e pelo menos 48 horas após resolução dos sintomas antes de retornar ao trabalho 6.

  • Creche: Crianças em creches têm alta probabilidade de transmissão pessoa-a-pessoa de E. coli O157:H7 e Shigella sonnei 6.

História Vacinal

  • Vacina contra rotavírus: A vacinação reduziu infecções por rotavírus em até 90% em crianças; perguntar sobre status vacinal 8.

Sintomas Associados

  • Sintomas respiratórios superiores: A tríade clássica de vômitos, diarreia e sintomas respiratórios superiores sugere sapovírus 5.

  • Sintomas urinários: Volume urinário reduzido, frequência aumentada, e dor abdominal podem sugerir pielonefrite; obter urinálise com microscopia e urocultura 1.

Avaliação de Complicações Pós-Infecciosas

  • Síndrome do intestino irritável pós-infecciosa: Aproximadamente 9% dos pacientes com gastroenterite aguda desenvolvem SII pós-infecciosa, que representa >50% de todos os casos de SII 8.

  • Intolerância à lactose: Complicação pós-infecciosa comum 8.

Armadilhas Comuns a Evitar

  • Não subestimar desidratação em idosos: Pacientes idosos podem não manifestar sinais clássicos e têm maior risco de mortalidade 1.

  • Não atrasar reidratação aguardando testes diagnósticos: A reidratação deve ser iniciada prontamente com base na avaliação clínica 1.

  • Não usar bebidas esportivas ou sucos como soluções primárias de reidratação: Essas bebidas carecem de composição eletrolítica apropriada e podem piorar a diarreia por efeitos osmóticos 1.

  • Reconhecer que a maioria das gastroenterites agudas é autolimitada: Culturas de fezes de rotina não são necessárias em pacientes imunocompetentes com diarreia aquosa típica 1, 2.

References

Guideline

Management of Gastroenteritis

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2026

Research

Gastroenteritis in Children.

American family physician, 2019

Guideline

Guideline Directed Topic Overview

Dr.Oracle Medical Advisory Board & Editors, 2025

Guideline

Sapovirus: Epidemiology, Diagnosis, Transmission, and Infection‑Control Guidelines

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2026

Guideline

Patient Education for Gastroenteritis

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2025

Research

Acute gastroenteritis.

Primary care, 2013

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