Profilaxia Adicional para Adultos HIV-Positivos com Base na Contagem de CD4
Para adultos HIV-positivos já em profilaxia primária para PCP, toxoplasmose e MAC, as principais profilaxias adicionais recomendadas incluem vacinação pneumocócica, triagem e tratamento de tuberculose latente, e profilaxia antiviral para herpes em pacientes com histórico de infecção recorrente.
Profilaxias Adicionais Baseadas em Fatores de Risco
Tuberculose (TB)
- Todos os pacientes HIV-positivos devem ser rastreados para tuberculose latente com teste tuberculínico (PPD) ou IGRA, independentemente da contagem de CD4. 1
- Pacientes com PPD ≥5 mm ou IGRA positivo devem receber isoniazida por 12 meses após exclusão de TB ativa, independentemente da contagem de CD4. 2
- A tuberculose pode ocorrer em qualquer nível de CD4, mas o risco aumenta significativamente abaixo de 300 células/µL. 3, 4
- Antes de iniciar rifabutina para profilaxia de MAC, é obrigatório excluir TB ativa para evitar indução de resistência à rifampicina. 5
Vacinações
- Vacina pneumocócica polissacarídica é recomendada para todos os adultos HIV-positivos, independentemente da contagem de CD4, para prevenir infecções bacterianas invasivas. 2
- Vacina conjugada contra Haemophilus influenzae tipo b deve ser considerada, especialmente em pacientes com CD4 < 200 células/µL. 2
- Vacinas devem ser administradas preferencialmente quando CD4 > 200 células/µL para melhor resposta imunológica, mas não devem ser adiadas indefinidamente. 1
Herpes Simplex Virus (HSV) e Varicella-Zoster Virus (VZV)
- Aciclovir ou valaciclovir profilático é fortemente recomendado para pacientes com histórico de HSV ou VZV recorrente, especialmente quando CD4 < 200 células/µL. 5
- Aciclovir é eficaz em diminuir recorrências de infecção por HSV e deve ser considerado em pacientes com episódios frequentes. 2
Citomegalovírus (CMV)
- Profilaxia primária de rotina para CMV não é recomendada, mesmo com CD4 < 50 células/µL. 5, 6
- Monitoramento clínico rigoroso e exame fundoscópico dilatado são recomendados quando CD4 < 100 células/µL para detecção precoce de retinite por CMV. 5
Infecções Fúngicas
- Fluconazol profilático pode ser considerado para pacientes com CD4 < 100 células/µL que apresentam candidíase recorrente ou neutropenia prolongada esperada. 5
- Profilaxia antifúngica primária de rotina não é recomendada para a maioria dos pacientes. 5, 2
- Itraconazol pode ser considerado em áreas endêmicas de histoplasmose para pacientes com CD4 < 150 células/µL. 7
Infecções Bacterianas Respiratórias
- TMP-SMX oferece proteção cruzada contra muitos patógenos bacterianos respiratórios, incluindo Haemophilus, Salmonella e Staphylococcus. 5
- Este benefício adicional do TMP-SMX reforça sua posição como agente de primeira linha para profilaxia de PCP. 2
Triagem de Hepatites Virais
Hepatite C (HCV)
- Todos os pacientes HIV-positivos devem ser rastreados para HCV, independentemente da contagem de CD4. 1
- A importância da triagem universal de HCV foi enfatizada nas diretrizes de 2002 devido à alta prevalência de coinfecção. 1
Hepatite B (HBV)
- Triagem de HBV (HBsAg, anti-HBs, anti-HBc) deve ser realizada em todos os pacientes HIV-positivos antes de iniciar TARV. 6
- Pacientes com HBV ativo devem receber TARV que inclua agentes com atividade anti-HBV (tenofovir + emtricitabina ou lamivudina). 6
Considerações sobre Descontinuação de Profilaxia
Critérios para Interrupção Segura
- Profilaxia para PCP e toxoplasmose pode ser descontinuada quando CD4 > 200 células/µL por ≥3 meses em resposta à TARV com supressão viral sustentada. 1
- Profilaxia para MAC pode ser descontinuada quando CD4 > 100 células/µL por ≥3 meses em resposta à TARV. 1, 6
- Nunca basear a descontinuação em uma única medição de CD4; é necessária elevação sustentada por pelo menos 3 meses. 5
Reinício de Profilaxia
- Reiniciar profilaxia para PCP/toxoplasmose se CD4 cair abaixo de 200 células/µL. 1
- Reiniciar profilaxia para MAC se CD4 cair abaixo de 50-100 células/µL. 1, 6
Início Imediato de TARV
- TARV deve ser iniciada imediatamente no diagnóstico de HIV, mesmo antes dos resultados de genotipagem estarem disponíveis. 6
- Regimes de primeira linha preferidos incluem bictegravir/tenofovir alafenamida/emtricitabina ou dolutegravir + tenofovir + emtricitabina. 5, 6
- Para a maioria das infecções oportunistas, TARV deve ser iniciada dentro de 2 semanas do diagnóstico da IO. 6
- Para TB com CD4 < 50 células/µL, iniciar TARV dentro de 2 semanas do início do tratamento de TB; para CD4 ≥ 50 células/µL, iniciar dentro de 2-8 semanas. 6
Armadilhas Comuns a Evitar
- Nunca use pentamidina aerossolizada como profilaxia de primeira linha quando TMP-SMX é tolerado, pois não oferece cobertura sistêmica nem proteção contra toxoplasmose. 5
- Nunca combine claritromicina com rifabutina para profilaxia de MAC, pois aumenta efeitos adversos sem melhorar eficácia. 5
- Nunca atrase profilaxia para PCP enquanto aguarda resultados de CD4 em pacientes com candidíase orofaríngea ou doença definidora de AIDS prévia. 5
- Nunca use fluoroquinolonas sem excluir TB, pois podem mascarar TB e promover resistência. 3
- Nunca use monoterapia com macrolídeo em pacientes HIV devido a altas taxas de Streptococcus pneumoniae resistente. 3
Interações Medicamentosas Importantes
- Rifabutina requer ajustes de dose quando coadministrada com a maioria dos inibidores de protease e inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa. 5
- Claritromicina tem interações significativas com inibidores de protease; azitromicina é preferida devido a perfil de interação mais favorável. 5
- TMP-SMX tem interações mínimas com TARV, tornando-o compatível com regimes de primeira linha. 5