Anatomia Torácica para Cirurgia: Resumo com Aplicações Cirúrgicas
Estruturas da Parede Torácica
A parede torácica funciona como um cilindro expansível que protege as vísceras internas e facilita o fluxo de ar variável para os pulmões, sendo composta por costelas, esterno, vértebras, diafragma, espaços intercostais e músculos extratorácicos 1.
Artéria Torácica Interna (Mamária Interna)
- A artéria torácica interna origina-se diretamente da artéria subclávia ou de um tronco comum com outras artérias em todos os casos 2.
- O comprimento médio é de 20,4 cm, com terminação mais frequente no sexto espaço intercostal (93% bifurcação, 7% trifurcação) 2.
- A artéria é coberta pelo músculo transverso do tórax por aproximadamente 7,5 cm 2.
- O nervo frênico cruza anteriormente a artéria torácica interna em 70% dos casos, representando risco de lesão durante dissecção 2.
- A artéria pericardiofrênica origina-se da artéria torácica interna em 89% dos casos 2.
- O ramo costal lateral está presente em 15% dos casos 2.
Ducto Torácico
- O ducto torácico transporta gordura ingerida, drena linfa do leito vascular gastrointestinal e entrega a linfa às veias centrais no pescoço 3.
- O local de terminação mais comum é na veia jugular interna (46%), seguido pelo ângulo jugulosubclávio (32%) e veia subclávia (18%) 3.
- Existem variações significativas na formação na cisterna do quilo, trajeto através do tórax e terminação no sistema venoso 3.
Anatomia de Superfície e Marcos Anatômicos
Os marcos de superfície dos pulmões, coração, grandes vasos e mediastino são críticos para o cuidado adequado do paciente e devem ser aprendidos em conjunto com a anatomia clássica 4.
- A anatomia de superfície é parte integral do arsenal do cirurgião torácico para auxiliar no diagnóstico, estadiamento e tratamento da patologia torácica 4.
Incisões Cirúrgicas e Aplicações
Incisão Toracoabdominal Esquerda
- Proporciona excelente exposição do esôfago inferior, junção gastroesofágica, cárdia gástrica e estômago completo 5.
- Permite acesso ao hemidiafragma esquerdo, pâncreas distal e baço, rim esquerdo e glândula adrenal, e aorta 5.
Incisão Toracoabdominal Direita
- Oferece excelente exposição do esôfago superior, fígado, tríade hepática e veia cava inferior 5.
- Permite acesso ao pâncreas proximal, hemidiafragma direito, rim direito e glândula adrenal 5.
Armadilhas Cirúrgicas a Evitar
- Lesão esplênica ocorre mais frequentemente durante divisão e ressecção do diafragma 5.
- Lesão do nervo frênico pode resultar em disfunção diafragmática 5.
- Lesão ureteral durante dissecção retroperitoneal 5.
- Lesão da primeira veia lombar esquerda (localizada no aspecto posterior da veia renal esquerda) durante mobilização do rim esquerdo 5.
- Dor no pós-operatório precoce pode ocorrer secundária à transecção do arco costal cartilaginoso, minimizada por fixação segura usando Prolene nº 1 5.
Aplicações em Cirurgia Videoassistida (VATS)
Princípios Técnicos
- As incisões de VATS devem ser alinhadas com possíveis incisões futuras de toracotomia para permitir ressecção dos tratos de VATS se cirurgia subsequente for necessária, prevenindo recorrência tumoral nessas áreas 6.
- A taxa de conversão para toracotomia é aproximadamente 6% dos casos, frequentemente devido a aderências ou visualização inadequada 6.
- O cirurgião deve estar preparado para converter para toracotomia quando a visualização é inadequada, particularmente quando aderências impedem exame seguro, o que ocorre em aproximadamente 20% dos casos 7, 6.
Vantagens da Abordagem VATS
- VATS oferece dor pós-operatória significativamente reduzida comparada à toracotomia, com pacientes pontuando dor <50% na escala visual analógica 6.
- Proporciona excelente visualização das estruturas torácicas apesar da abordagem minimamente invasiva 6.
- Para pacientes com câncer de pulmão não pequenas células estágio clínico I, uma abordagem minimamente invasiva como VATS é preferida sobre toracotomia para ressecção pulmonar anatômica em centros experientes 8.
Resultados Clínicos
- VATS está associada a menos complicações totais (26% vs 35%, P < 0,0001), menos complicações pulmonares (8% vs 12%, P < 0,0001), menos fibrilação atrial requerendo tratamento médico (7% vs 12%, P < 0,0004) e menos transfusões sanguíneas (2% vs 5%, P < 0,003) 8.
- A remoção do dreno torácico é mais precoce (mediana 3 dias vs 4 dias, P < 0,0001) e o tempo de internação hospitalar é menor (mediana 4 dias vs 6 dias, P < 0,0001) 8.
- A mortalidade para VATS no estadiamento mediastinal é 0% em 669 pacientes revisados, com taxa média de complicações de 2% 6.
Manejo de Linfonodos Mediastinais
A definição de "ressecção completa" desenvolvida pelo Comitê Internacional de Estadiamento da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão exige que margem microscópica negativa seja obtida e dissecção linfonodal sistemática seja realizada 8.
- Extensão extracapsular nodal não pode estar presente, e o linfonodo mediastinal mais alto (mais distante) deve ser examinado e encontrado livre de câncer 8.
- Qualquer coisa menos (margem positiva, disseminação linfonodal extracapsular, ou linfonodos mediastinais positivos deixados in situ) torna a ressecção incompleta 8.
- Meta-análise sistemática demonstra nenhuma diferença entre VATS vs ressecção aberta no número de linfonodos dissecados ou biopsiados 8.