Posologia da Faringoamigdalite Bacteriana
Para faringoamigdalite estreptocócica confirmada, a penicilina V ou amoxicilina por 10 dias é o tratamento de primeira linha, com penicilina V 250 mg 2-3x/dia em crianças ou 500 mg 2x/dia em adultos, ou amoxicilina 50 mg/kg/dia (máximo 1000 mg) em dose única diária por 10 dias. 1
Regimes Antibióticos Recomendados
Para Pacientes SEM Alergia à Penicilina
Opções de primeira linha (recomendação forte, evidência de alta qualidade): 1
Penicilina V oral:
Amoxicilina oral:
Penicilina G benzatina intramuscular (dose única):
Para Pacientes COM Alergia à Penicilina
Opções alternativas: 1
Cefalexina oral: 20 mg/kg/dose 2 vezes ao dia (máximo 500 mg/dose) por 10 dias (evitar em hipersensibilidade tipo I à penicilina) 1
Cefadroxil oral: 30 mg/kg uma vez ao dia (máximo 1 g) por 10 dias (evitar em hipersensibilidade tipo I à penicilina) 1
Clindamicina oral: 7 mg/kg/dose 3 vezes ao dia (máximo 300 mg/dose) por 10 dias 1
Azitromicina oral: 12 mg/kg uma vez ao dia (máximo 500 mg) por 5 dias 1
Claritromicina oral: 7,5 mg/kg/dose 2 vezes ao dia (máximo 250 mg/dose) por 10 dias 1
Evidência Emergente sobre Regimes Mais Curtos
Estudos recentes sugerem que penicilina V 800 mg 4 vezes ao dia por 5 dias pode ser não-inferior ao regime padrão de 10 dias em termos de cura clínica. 2 Este regime mais curto demonstrou:
- Taxa de cura clínica de 89,6% versus 93,3% com o regime de 10 dias (dentro da margem de não-inferioridade) 2
- Alívio mais rápido dos sintomas 2, 3
- Menor incidência e duração de eventos adversos (principalmente diarreia, náusea) 2
- Número similar de recidivas e complicações 2, 3
No entanto, a erradicação bacteriológica foi menor (80,4% versus 90,7%), e este regime ainda não está incorporado nas diretrizes oficiais. 2 O regime de 10 dias permanece o padrão recomendado pela IDSA. 1
Justificativa para a Escolha da Penicilina/Amoxicilina
A penicilina e amoxicilina são preferidas devido a: 1
- Espectro estreito de atividade
- Baixa frequência de reações adversas
- Custo modesto
- Eficácia comprovada na erradicação do Streptococcus pyogenes
Considerações Importantes sobre Macrolídeos
Atenção: A resistência do Streptococcus pyogenes aos macrolídeos (azitromicina, claritromicina) é bem conhecida e varia geograficamente e temporalmente. 1 Em algumas regiões, taxas de resistência à eritromicina superiores a 37% foram documentadas. 4 Portanto, macrolídeos devem ser reservados para casos de alergia verdadeira à penicilina.
Terapia Adjuvante
Para controle sintomático: 1
- Analgésicos/antipiréticos como paracetamol ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser usados para sintomas moderados a graves ou febre alta 1
- Evitar aspirina em crianças 1
- Corticosteroides não são recomendados 1
Armadilhas Comuns a Evitar
Não tratar empiricamente sem confirmação laboratorial: O diagnóstico clínico isolado é inadequado, pois características clínicas de faringoamigdalite estreptocócica e viral se sobrepõem amplamente 1
Não realizar culturas de seguimento rotineiramente: Culturas pós-tratamento não são recomendadas de rotina 1
Não tratar portadores assintomáticos: Portadores de Streptococcus pyogenes não requerem tratamento, pois têm baixo risco de transmissão e complicações 1
Não testar crianças <3 anos rotineiramente: A faringoamigdalite estreptocócica clássica e a febre reumática aguda são raras nesta faixa etária 1