Indicação de Reposição de Albumina
A albumina intravenosa tem indicações baseadas em evidências muito limitadas na prática clínica, sendo recomendada apenas em duas situações específicas relacionadas à cirrose: paracentese de grande volume (>5L) e peritonite bacteriana espontânea. 1
Indicações com Recomendação Baseada em Evidências
Cirrose Hepática - Indicações Estabelecidas
Paracentese de Grande Volume (>5L):
- Albumina é sugerida condicionalmente para prevenir disfunção circulatória induzida pela paracentese 1
- Dose: 6-8g de albumina por litro de líquido ascítico removido 2
- Certeza de evidência: muito baixa 1
Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE):
- Albumina é sugerida condicionalmente em conjunto com antibióticos 1
- Dose: 1,5g/kg no diagnóstico, seguido de 1g/kg no dia 3 1
- Reduz mortalidade e insuficiência renal 1, 3
- Certeza de evidência: muito baixa a moderada 1
Síndrome Hepatorrenal (SHR-LRA):
- Albumina é o expansor de volume de escolha em pacientes hospitalizados com cirrose e ascite que apresentam lesão renal aguda 1
- Dose: 1g/kg/dia por 2 dias consecutivos (máximo 100g/dia) 1
- Deve ser usada em conjunto com vasoconstritores (terlipressina, norepinefrina ou octreotida/midodrina) especificamente para SHR-LRA, não para outras formas de LRA na cirrose 1
Situações Onde Albumina NÃO É Recomendada
Terapia Intensiva - Recomendações Contra o Uso
Pacientes Críticos Adultos (excluindo queimaduras e SDRA):
- Albumina NÃO é sugerida para reposição volêmica de primeira linha ou para aumentar níveis séricos de albumina 1
- Certeza de evidência: moderada 1
- Cristaloides são a alternativa preferencial e mais custo-efetiva 1
Sepse e Choque Séptico:
- Albumina não melhora sobrevida em 28 ou 90 dias comparada a cristaloides 4
- Não há diferença em disfunção orgânica, tempo de ventilação mecânica ou permanência na UTI 4
- Em pacientes imunocomprometidos com sepse, albumina não afeta desfechos clínicos 5
Lesões Térmicas e SDRA:
- Albumina NÃ O é sugerida para reposição volêmica ou aumento de albumina sérica 1
- Certeza de evidência: muito baixa 1
Remoção de Fluido Extravascular:
- Albumina em conjunto com diuréticos NÃO é sugerida para remoção de fluido extravascular em pacientes críticos 1
- Certeza de evidência: muito baixa 1
Populações Pediátricas e Neonatais
Neonatos Prematuros:
- NÃO é sugerida para melhorar função respiratória em prematuros com desconforto respiratório e hipoalbuminemia 1
- NÃO é sugerida para reposição volêmica em prematuros com ou sem hipoperfusão 1
Cirurgia Cardiovascular Pediátrica:
- NÃO é sugerida para priming do circuito de bypass ou reposição volêmica 1
Terapia de Substituição Renal
Hemodiálise:
- Albumina NÃO é sugerida para prevenção ou tratamento de hipotensão intradialítica ou para melhorar ultrafiltração 1
- Certeza de evidência: muito baixa 1
Situações Explicitamente Contraindicadas
Hipoalbuminemia Crônica:
- Albumina NÃO deve ser usada como fonte de nutrição proteica em 6:
- Cirrose crônica
- Má absorção
- Enteropatias perdedoras de proteína
- Insuficiência pancreática
- Desnutrição
Nefrose Crônica:
- Albumina infundida é prontamente excretada pelos rins sem alívio do edema crônico 6
Considerações Importantes
Riscos e Efeitos Adversos
A albumina pode causar 1:
- Sobrecarga volêmica
- Hipotensão
- Hemodiluição necessitando transfusão de hemácias
- Anafilaxia
- Gangrena periférica por diluição de anticoagulantes naturais
Custo-Efetividade
- Albumina custa aproximadamente $130 USD por 25g (custo de aquisição) 1
- É significativamente mais cara que cristaloides sem benefício comprovado na maioria das situações 1
Disparidades no Uso
- Estudos mostram variação significativa na prática clínica, com uso inadequado em até 79% dos casos de PBE 3
- Pacientes negros têm menor probabilidade de receber albumina conforme diretrizes (OR 0,76) 3
- Consulta com gastroenterologia/hepatologia aumenta uso apropriado (OR 1,60) 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não usar albumina apenas para "corrigir" hipoalbuminemia - níveis baixos são marcadores de doença, não alvos terapêuticos 1
- Não usar em choque hipovolêmico como primeira linha - cristaloides são igualmente eficazes e mais baratos 1
- Não usar em paracentese de volume modesto (<5L) - evidência insuficiente 2
- Evitar em pacientes com sobrecarga volêmica - risco de descompensação cardíaca 6