Seguimento Ambulatorial da Hepatite B Crônica em Tratamento Domiciliar
Para pacientes com hepatite B crônica em tratamento domiciliar, o seguimento ambulatorial deve incluir consultas a cada 3-6 meses com monitoramento de ALT e HBV DNA a cada 3-6 meses durante a terapia antiviral, mesmo após resposta virológica. 1
Periodicidade de Consultas e Exames
Pacientes em Tratamento com Análogos Nucleos(t)ídeos (NAs)
Durante o tratamento ativo:
- Consultas: A cada 3-6 meses
- Testes de função hepática (ALT): A cada 1-6 meses 1
- HBV DNA: A cada 1-6 meses inicialmente, depois a cada 3-6 meses mesmo após resposta virológica 1
- HBeAg/anti-HBe: A cada 3-6 meses (se inicialmente HBeAg positivo) 1
- Creatinina sérica: A cada 12 semanas para pacientes em tenofovir ou adefovir 2
- HBsAg quantitativo: A cada 6-12 meses em pacientes HBeAg negativos com HBV DNA persistentemente indetectável 2
Ponto crítico: Mesmo após alcançar HBV DNA indetectável, a monitorização deve continuar a cada 3-6 meses, pois pacientes com DNA detectável intermitentemente têm maior incidência de carcinoma hepatocelular do que aqueles com DNA persistentemente indetectável 1.
Pacientes em Tratamento com Interferon Peguilado
Durante o tratamento (48 semanas):
- Hemograma e função hepática: Mensalmente 1, 2
- HBV DNA: A cada 1-3 meses 1
- HBeAg/anti-HBe: Aos 6 e 12 meses durante tratamento e 6 meses pós-tratamento 1
- TSH: A cada 12 semanas 2
- HBsAg quantitativo: Pré-tratamento, após 12 e 24 semanas, e ao final do tratamento 1
Após término do tratamento:
- Monitorização por 6-12 meses com testes a cada 12 semanas 1
Pacientes NÃO em Tratamento Antiviral
HBeAg-positivos com ALT normal:
- ALT: A cada 3-6 meses 2
- HBV DNA: Quando ALT se elevar, ou a cada 6-12 meses 2
- HBeAg: A cada 6-12 meses 2
HBeAg-negativos (portadores inativos):
- ALT: A cada 3 meses durante o primeiro ano, depois a cada 6-12 meses 2
- HBV DNA: Se ALT aumentar acima do normal 2
Armadilha comum: Pacientes classificados como "portadores inativos" podem ter reativações. É essencial monitorização frequente no primeiro ano (ALT a cada 3 meses) para confirmar que estão verdadeiramente nesta fase 3.
Rastreamento de Carcinoma Hepatocelular (CHC)
Pacientes de alto risco devem realizar ultrassonografia abdominal a cada 6-12 meses 2:
Grupos de alto risco:
- Homens asiáticos >40 anos
- Mulheres asiáticas >50 anos
- Pacientes com cirrose (qualquer idade)
- História familiar de CHC
- Africanos >20 anos
- Qualquer portador >40 anos com ALT elevada persistente/intermitente e/ou HBV DNA >2.000 UI/ml 2
Método preferencial: Ultrassonografia é superior à alfafetoproteína (AFP) em sensibilidade e especificidade 2. AFP pode ser usada quando ultrassom não está disponível ou por questões de custo, mas muitos clínicos optam por usar ambos devido à variabilidade operador-dependente do ultrassom 2.
Monitorização Após Descontinuação do Tratamento
Ponto crítico de segurança: Flares hepáticos podem ocorrer após descontinuação da terapia antiviral.
Protocolo de monitorização pós-tratamento:
- ALT: Pelo menos mensalmente nos primeiros 3 meses, depois a cada 3 meses 4
- HBV DNA: Conforme necessário se ALT se elevar
- Coordenação com especialista em hepatite B é altamente recomendada para monitorar flares de retirada e determinar necessidade de retomada do tratamento 4
Considerações Especiais
Pacientes com cirrose compensada:
- Nunca descontinuar análogos nucleos(t)ídeos devido ao risco de insuficiência hepática grave por reativação 1
- Manter rastreamento de CHC mesmo se fibrose hepática melhorar 1
Avaliação de fibrose:
- Elastografia ou testes não-invasivos devem ser realizados a cada 12 meses em pacientes não tratados 5
- Em pacientes tratados com fibrose avançada, evolução da rigidez hepática pode ser útil para avaliar hipertensão portal 6
Vacinação:
- Todos os pacientes com hepatite B crônica não imunes à hepatite A devem receber 2 doses da vacina com intervalo de 6-18 meses 2