What are the definition, etiology, classification, and diagnostic methods for placental accreta?

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Acretismo Placentário: Definição, Etiologia, Classificação e Diagnóstico

O Espectro de Acretismo Placentário (PAS) é uma placentação anormal caracterizada pela retenção parcial ou completa da placenta no momento do parto devido à aderência ou invasão anormal das vilosidades placentárias na parede uterina, resultando de defeitos na interface endométrio-miometrial causados principalmente por cicatrizes uterinas. 1

Definição

O PAS engloba um espectro de condições que incluem tradicionalmente:

  • Placenta accreta (creta/adherenta): aderência anormal ao miométrio
  • Placenta increta: invasão do miométrio
  • Placenta percreta: invasão transmural através de toda a parede uterina

A nomenclatura moderna recomendada substitui esta terminologia categórica tradicional por um sistema descritivo de graduação que se alinha com as diretrizes da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) 1. Esta mudança reflete melhor a compreensão atual da fisiopatologia e as necessidades da equipe clínica.

Etiologia e Fisiopatologia

Mecanismo Primário

A hipótese principal é que defeitos na interface endométrio-miometrial causados por cicatrizes uterinas levam à falha da decidualização normal, permitindo ancoragem anormalmente profunda das vilosidades placentárias 1.

Fisiopatologia Detalhada

O processo envolve múltiplos componentes 2, 3:

  • Dano uterino: Grandes defeitos cicatriciais no segmento uterino inferior associados à falha da decidualização normal e perda do miométrio subdecidual
  • Implantação anormal: As vilosidades de ancoragem placentária implantam-se e as células trofoblásticas extravilosas migram próximo à superfície serosa do útero
  • Deposições de fibrinoide: Em mais de 70% dos casos, há deposições espessas de fibrinoide entre a ponta das vilosidades de ancoragem e a parede uterina subjacente
  • Recrutamento vascular: Recrutamento progressivo de grandes artérias na parede uterina (helicinas, arqueadas e/ou radiais), resultando em sangue materno de alta velocidade entrando no espaço interviloso desde o primeiro trimestre
  • Perda do plano de clivagem: A distorção da interface uteroplacentária por estas deposições densas e a perda do plano normal de separação são os principais fatores levando à aderência placentária anormal

Importante: Não há evidência de que o trofoblasto extraviloso seja anormalmente invasivo no acretismo placentário ou que o tecido viloso possa atravessar a serosa uterina para a pelve 2. As alterações celulares observadas são provavelmente secundárias ao ambiente miometrial incomum, não um defeito primário da biologia trofoblástica 3.

Fatores de Risco

Fator de Risco Principal

A cesariana prévia é o principal fator de risco em países desenvolvidos 1. A incidência aumenta progressivamente:

  • 0,24% após a primeira cesariana
  • 6,74% em mulheres com seis ou mais cesarianas 1

Outros Fatores de Risco

  • Idade materna avançada
  • Multiparidade
  • Cirurgias uterinas prévias ou curetagem
  • Síndrome de Asherman
  • Placenta prévia (especialmente quando combinada com cesariana prévia) 1

Epidemiologia

A prevalência está aumentando mundialmente 1:

  • Anos 1970-1980: 1 em 2.510 a 1 em 4.017
  • 1982-2002: 1 em 533
  • 2016 (Estados Unidos): 1 em 272

Classificação Moderna

Sistema de Graduação Recomendado

A classificação atual separa 1:

  1. Para espécimes de histerectomia: Termo "PAS" com sistema de graduação descritivo
  2. Para placentas entregues: Categoria separada designada como "fibras miometriais da placa basal" (BPMF)

Esta separação é crucial porque:

  • 18-29% dos casos clinicamente diagnosticados como PAS não têm confirmação patológica na histerectomia 1
  • A aderência simples (accreta vera) representa cerca de 60% dos casos de PAS
  • As formas invasivas (increta e percreta) representam 16% e 22%, respectivamente 1

Diagnóstico

Diagnóstico Pré-natal

O rastreamento e diagnóstico pré-natal são feitos primariamente por ultrassonografia 1, às vezes complementada com ressonância magnética 1.

Sinais Ultrassonográficos Principais 3

  • Desaparecimento da interface uteroplacentária normal (zona clara)
  • Adelgaçamento extremo do miométrio subjacente
  • Alterações vasculares:
    • Dentro da placenta (lacunas)
    • No leito placentário (hipervascularidade)

Caveat Importante

Nenhum sinal ultrassonográfico único ou combinação de sinais foi considerado específico para a profundidade da placentação anormal ou preciso para o diagnóstico diferencial entre placentação aderente e invasiva 3. Isto ocorre porque placentação aderente e invasiva podem coexistir no mesmo leito placentário e evoluir com o avanço da gestação.

Diagnóstico Patológico

O diagnóstico patológico fornece 1:

  • Feedback para radiologia e cirurgia como ferramenta de melhoria de qualidade
  • Avaliação essencial dos resultados das estratégias de manejo
  • Padronização diagnóstica necessária para a equipe multidisciplinar

Importância do Diagnóstico Preciso

O diagnóstico pré-natal preciso é essencial para planejar um parto seguro em centro de excelência com equipe multidisciplinar e acesso a cuidados intensivos adultos e neonatais 1. Isto é crítico porque:

  • Morbimortalidade materna: Pode ocorrer hemorragia obstétrica maciça, frequentemente requerendo transfusão sanguínea e/ou histerectomia 1
  • Planejamento cirúrgico: Permite preparação adequada com radiologia intervencionista, cirurgia vascular ou urológica 1
  • Gestações subsequentes: O diagnóstico de placenta accreta em uma placenta entregue pode desencadear imagens mais avançadas durante gestação subsequente devido ao risco aumentado associado 1

Armadilha Comum

Se não suspeitado no momento do parto, tentativas de remoção manual do tecido acreta estão frequentemente associadas a sangramento maior e às vezes incontrolável 4. Portanto, a identificação pré-natal é fundamental para reduzir morbidade e mortalidade maternas.

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