Causas de Prurido em Couro Cabeludo
O prurido do couro cabeludo pode ser causado por dermatoses locais (dermatite seborreica, psoríase, infecções fúngicas), causas sistêmicas (doenças hematológicas, renais, hepáticas, endócrinas, malignidades), causas neuropáticas (disestesia do couro cabeludo, neuropatia de pequenas fibras), fatores psicogênicos, e desequilíbrio da barreira cutânea com alterações do microbioma.
Causas Dermatológicas Primárias
As causas mais comuns de prurido do couro cabeludo são condições dermatológicas locais:
Dermatite seborreica: A causa mais prevalente identificada em estudos recentes, representando uma proporção significativa dos casos 1, 2. Associada a barreira cutânea comprometida e alterações no microbioma, particularmente envolvendo Malassezia 2.
Psoríase do couro cabeludo: Causa importante de prurido intenso. A fisiopatologia é predominantemente não-histaminérgica, mediada por PAR2, interleucina-23, canais TRP (TRPV3, TRPM8) e substância P 3.
Couro cabeludo sensível/prurido de etiologia indeterminada: Segunda causa mais comum após dermatite seborreica, frequentemente relacionada ao estresse 1.
Desequilíbrio microbiano: Alteração na proporção Cutibacterium/Staphylococcus e aumento de bactérias ambientais não-residentes (como Leptolyngbya e Pseudomonas) correlacionam-se com prurido 4.
Causas Sistêmicas
Doenças Hematológicas
- Linfomas: Podem causar prurido generalizado ou localizado. O prurido associado a linfoma pode ser aliviado com cimetidina, gabapentina, carbamazepina ou mirtazapina 5.
- Policitemia vera: Causa prurido aquagênico característico 5.
- Deficiência ou sobrecarga de ferro: Ambas podem causar prurido 5.
Doença Renal
O prurido urêmico afeta 42% dos pacientes em hemodiálise 5. Pode afetar predominantemente o couro cabeludo, face ou braço da fístula arteriovenosa 5. Importante: uremia pode ser assintomática exceto pelo prurido, portanto ureia e eletrólitos devem ser incluídos na investigação inicial 5.
Doenças Endócrinas
Tanto hipertireoidismo quanto hipotireoidismo são classicamente associados a prurido, embora a evidência clínica seja limitada 5. Não realizar investigações endócrinas de rotina (incluindo função tireoidiana) a menos que existam características clínicas adicionais sugerindo diabetes, endocrinopatia ou doença renal 5.
Malignidades Sólidas
Tumores sólidos são causa relativamente rara de prurido. Pode ser sintoma paraneoplásico verdadeiro, secundário a neuropatia paraneoplásica, ou efeito colateral de tratamentos oncológicos 5. Pacientes oncológicos recebendo terapias biológicas devem ser questionados sobre prurido nas revisões 5.
Doença Hepática
Prurido colestático pode afetar o couro cabeludo como parte de prurido generalizado 5.
Causas Neuropáticas
Disestesia do couro cabeludo é uma sensação anormal do couro cabeludo na ausência de doença cutânea, caracterizada por queimação e/ou prurido 6. É especialmente comum em:
- População geriátrica
- Mulheres
- Pacientes com diabetes mellitus
- Pacientes com história psiquiátrica
Etiologias Neurogênicas:
- Lesões do sistema nervoso central: doença da coluna cervical, síndrome trófica trigeminal, tumor, AVC, esclerose múltipla 6
- Neuropatias de pequenas fibras: diabetes, lifting de sobrancelhas, cicatrizes queloides ou de queimaduras 6
- Pós-infecciosa: relatos recentes associados a COVID-19 6
Armadilha clínica importante: A disestesia do couro cabeludo é facilmente mal diagnosticada e subdiagnosticada na comunidade dermatológica devido às suas manifestações cutâneas limitadas 6.
Fatores Psicogênicos
O estresse foi identificado como fator-chave no prurido do couro cabeludo 1. Fatores psicológicos e emocionais podem contribuir significativamente, especialmente em pacientes angustiados com prurido crônico 5.
Perfil Epidemiológico
A prevalência de prurido do couro cabeludo na Espanha foi de 6,9%, predominantemente em mulheres com idade média de 52,5 anos 1. Este perfil demográfico é consistente com outras populações estudadas.
Abordagem Diagnóstica Algorítmica
- Primeiro: Examinar o couro cabeludo para dermatoses visíveis (dermatite seborreica, psoríase, infecções)
- Se sem dermatose evidente: Considerar causas sistêmicas baseadas em história e exame físico direcionado
- Investigações iniciais: Hemograma completo, ureia e eletrólitos, função hepática 5
- Não realizar rotineiramente: Testes de função tireoidiana a menos que sintomas sugestivos 5
- Se características neuropáticas (queimação, disestesia desproporcional): Considerar disestesia do couro cabeludo e causas neurogênicas 6
- Se história de malignidade ou sintomas sistêmicos: Investigações direcionadas para cânceres específicos 5
Considerações Importantes
- A proporção Cutibacterium/Staphylococcus e bactérias de baixa abundância no couro cabeludo merecem atenção como potenciais alvos terapêuticos 4
- A barreira cutânea do couro cabeludo e seu microbioma desempenham papéis significativos na propagação da doença 2
- O tratamento deve focar na saúde global do couro cabeludo e cabelo, não apenas no sintoma isolado 2