Sim, idosos apresentam diminuição na produção de saliva
Os idosos experimentam uma redução significativa no fluxo salivar relacionada ao envelhecimento, independentemente do uso de medicamentos. Esta diminuição é clinicamente relevante e afeta múltiplas funções orais e da deglutição.
Evidência da Diminuição Salivar com o Envelhecimento
A redução do fluxo salivar em idosos está bem documentada nas diretrizes mais recentes:
- O envelhecimento resulta em taxas de fluxo salivar mais baixas 1, o que, em combinação com efeitos de medicamentos, pode levar ao início de xerostomia (boca seca)
- O fluxo salivar diminui com a idade 2, sendo esta uma variável demográfica fixa que deve ser considerada em avaliações clínicas
- A taxa de fluxo salivar (TFS) declina com a idade, portanto diferenças etárias entre pacientes e controles devem ser evitadas em estudos 2
Magnitude da Redução
A pesquisa quantifica esta diminuição de forma precisa:
- Meta-análise demonstra redução significativa: O fluxo salivar total (SMD = 0.551, P < 0.001) e submandibular/sublingual (SMD = 0.582, P < 0.001) estão significativamente reduzidos em participantes mais velhos 3
- Taxa anual de declínio: Estudo recente estima que o fluxo salivar diminui aproximadamente 0.005 mL/min por ano de idade 4
- Redução de 62% no fluxo: Demonstrada em estudos de viscoelasticidade salivar relacionados à idade 5
Especificidade por Glândula Salivar
Importante: A redução não afeta todas as glândulas igualmente:
- Saliva total e submandibular/sublingual: Significativamente reduzidas com a idade 3
- Saliva não estimulada: Mais afetada que a estimulada 6
- Glândulas parótidas e menores: NÃO apresentam redução significativa com o envelhecimento 3
Isto significa que os idosos mantêm capacidade de responder a estímulos salivares (sialogogos), mas a produção basal está comprometida 6.
Independência de Medicamentos
Achado crucial: A redução do fluxo salivar ocorre independentemente do uso de medicamentos:
- O fluxo salivar está associado à idade, independente de diabetes tipo 2 e uso de medicamentos 4
- Fluxos salivares submandibular/sublingual não estimulados e estimulados, e fluxo salivar total não estimulado foram significativamente menores em adultos mais velhos, independentemente do uso de medicamentos 3
Implicações Clínicas
Consequências Funcionais
A diminuição salivar em idosos leva a:
- Mastigação mais lenta e ineficiente, aumentando risco de asfixia 1
- Xerostomia (quando TFS < 0.1 mL/min) 2
- Aumento da viscoelasticidade salivar (54% de aumento no tempo de relaxação), comprometendo propriedades reológicas e de lubrificação 5
- Maior vulnerabilidade a infecções orais e cáries dentárias 2
- Comprometimento de várias funções salivares, já que não apenas o fluxo mas também a quantidade total de componentes salivares está reduzida 7
Considerações Práticas
Armadilhas comuns a evitar:
Não atribuir toda xerostomia a medicamentos: 50% dos idosos fazem queixas sensoriais orais, mas quando medicamentos não estão envolvidos, existe aparentemente uma capacidade compensatória 7
Reconhecer hipossalivação: Definida como TFS em repouso < 0.1 mL/min ou TFS estimulada < 0.7 mL/min 4. Em adultos com menos de 60 anos, 24% apresentam hipossalivação em repouso e 85% sob estimulação 4
Métodos alternativos de coleta: Em idosos com xerostomia, swabs orais podem ser mais apropriados que o método de gotejamento passivo para coleta de saliva 2
Diferenças de gênero: Mulheres têm TFS significativamente menor que homens tanto em saliva não estimulada (p < 0.005) quanto estimulada (p < 0.05) 6
Relevância para Disfagia
A redução salivar contribui para dificuldades de deglutição em idosos, sendo parte das alterações fisiológicas do envelhecimento saudável que afetam a alimentação 1. Esta diminuição, combinada com sarcopenia dos músculos da deglutição e alterações na mastigação, aumenta o risco de disfagia orofaríngea.