Tumores do Canal Auditivo Externo: Benignos, Malignos e Erosão Óssea
Tumores Benignos Mais Comuns
Os tumores benignos mais comuns do canal auditivo externo são os osteomas e as exostoses 1.
- Exostoses: Lesões hiperostóticas de base larga, tipicamente múltiplas, bilaterais, localizadas no canal auditivo medial próximo ao tímpano, associadas a história de natação em água fria 1
- Osteomas: Menos comuns, geralmente laterais no canal ósseo, solitários, unilaterais e pedunculados 1
Ambas as lesões podem limitar severamente a patência do canal auditivo e reter cerúmen e debris de queratina.
Tumores Malignos Mais Comuns
O carcinoma de células escamosas é de longe o tumor maligno mais comum do canal auditivo externo, representando aproximadamente 80% das neoplasias malignas desta região 2, 3, 4, 5, 6.
Outros tumores malignos incluem:
- Adenocarcinoma ceruminoso: 5-10% das malignidades do CAE 7
- Carcinoma basocelular
- Melanoma maligno
- Carcinoma de células de Merkel
- Carcinoma adenoide cístico
- Linfoma 4
Tumores Malignos Associados a Erosões Ósseas Evidentes
O carcinoma de células escamosas está mais fortemente associado a erosões ósseas extensas e evidentes do canal auditivo externo 2.
Padrões de Erosão Óssea por Tipo Histológico:
Carcinoma de Células Escamosas (CEC):
- Em estágios iniciais (T1-T2): envolve tanto a porção cartilaginosa quanto a porção óssea do CAE (11/12 casos) 2
- Em estágios avançados (T3-T4): demonstra envolvimento ósseo extenso e invasão de tecidos adjacentes 2
- Pode causar erosão da base do crânio, incluindo placas pterigoides e osso esfenoide 8
- Invasão perineural é comum, com potencial para osteomielite da base do crânio 9
- Necrose tumoral é significativamente mais comum no CEC (9/10 casos) comparado ao adenocarcinoma (3/13 casos) (P = 0.02) 2
Adenocarcinoma:
- Em estágios iniciais (T1-T2): envolve apenas a porção cartilaginosa do CAE (6/6 casos) 2
- Erosão óssea menos evidente nos estágios iniciais
- Em estágios avançados: também demonstra envolvimento ósseo, mas com padrão diferente do CEC 2
Consideração Clínica Importante:
A otite externa necrosante (maligna) pode mimetizar tumores malignos e também causa erosão óssea significativa, evoluindo para osteomielite da base do crânio 9. Esta condição afeta predominantemente pacientes idosos, diabéticos ou imunocomprometidos, com Pseudomonas aeruginosa isolada em >90% dos casos 9. Biópsia pode ser necessária para excluir neoplasia quando o diagnóstico de otite externa maligna é incerto ou a resposta à terapia é incompleta 9.
Armadilha Diagnóstica:
O diagnóstico de tumores malignos do CAE é frequentemente tardio porque os sintomas iniciais são inespecíficos e mimetizam condições otológicas benignas 4, 5. Dor não é comum na impactação de cerúmen e deve alertar o clínico para a possibilidade de infecção ou outra patologia, incluindo malignidade 1.