Fisioterapia Cardiorrespiratória: Recomendações Baseadas em Evidências
A mobilização ativa ou passiva e o treinamento muscular devem ser instituídos precocemente após a estabilização cardiorrespiratória e neurológica inicial, com progressão sistemática desde posicionamento até exercícios aeróbicos e de resistência. 1
Critérios para Início da Fisioterapia
Inicie a fisioterapia cardiorrespiratória quando o paciente apresentar:
- Estabilidade hemodinâmica
- FiO₂ não elevada
- Níveis baixos de suporte ventilatório
Pacientes com instabilidade hemodinâmica, FiO₂ alta ou níveis elevados de suporte ventilatório não são candidatos para mobilização agressiva. 1
Protocolo de Progressão Algorítmica
Fase 1: Posicionamento e Mobilização Passiva
- Posicionamento vertical: Aumenta volumes pulmonares, troca gasosa, estimula atividade autonômica e reduz estresse cardíaco 1
- Mobilização passiva e alongamento muscular
- Estimulação elétrica neuromuscular (NMES) para pacientes incapazes de contrações voluntárias - aplicar diariamente por pelo menos 6 semanas 1
Fase 2: Mobilização Ativa Precoce
- Utilize auxílios para marcha (andadores modificados, mesas de inclinação) 1
- Reduza massa muscular ativa, duração do exercício ou número de repetições para diminuir demandas metabólicas 1
- Ventilação não invasiva durante mobilização pode melhorar tolerância ao exercício 1
Fase 3: Treinamento Estruturado
Para pacientes em ventilação mecânica prolongada:
- Treinamento aeróbico + fortalecimento muscular: Superior à mobilização isolada para distância de caminhada 1
- Programa de 6 semanas de treinamento de membros superiores e inferiores melhora força muscular, tempo livre de ventilador e desfechos funcionais 1
Prescrição de exercícios resistidos:
- 3 séries de 8-10 repetições a 50-70% de 1 repetição máxima (RM)
- Realizar diariamente dentro da tolerância 1
- Baixa resistência com múltiplas repetições aumenta massa muscular, geração de força e enzimas oxidativas 1
Modalidades Específicas por Condição
Para Pacientes com AVC
Treinamento inspiratório e expiratório combinado (CIET) é a intervenção de maior ranking para:
- Redução da frequência cardíaca de repouso (p-score: 94,02%) 2
- Redução da percepção de esforço (p-score: 89,12%) 2
- Melhora da função pulmonar (FEV₁ e CVF) 3
Treinamento resistido (RT) apresenta maior ranking para melhora do VO₂ pico (p-score: 88,26%) 2
Para Pacientes com DPOC
Reabilitação pulmonar deve incluir:
- Mínimo de 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana 4
- Ventilação não invasiva como adjuvante ao exercício em doença avançada melhora tolerância ao exercício imediatamente pós-reabilitação 5
- Suporte ventilatório bilevel durante treinamento (pressão inspiratória 8-12 cm H₂O, expiratória 2 cm H₂O) permite maior tempo de exercício 5
Armadilhas Comuns
Evite:
- Mobilização agressiva em pacientes hemodinamicamente instáveis - os riscos superam os benefícios 1
- Negligenciar o treinamento respiratório específico - CIET e treinamento inspiratório isolado são superiores ao treinamento convencional para função pulmonar 3
- Focar exclusivamente em mobilização sem incluir fortalecimento muscular estruturado - a combinação é superior 1
Monitorização e Ajustes
A prescrição de exercícios na UTI baseia-se principalmente na condição clínica e resposta ao tratamento 1. Nenhum efeito adverso da atividade física no status inflamatório de pacientes críticos foi demonstrado 1.
Para pacientes recém-desmamados da ventilação mecânica, adicionar exercícios de membros superiores potencializa os efeitos da fisioterapia torácica na resistência ao exercício e dispneia 1.