Nutrição Parenteral para Aporte Calórico
Para adultos que necessitam de nutrição parenteral, o esquema ideal fornece 25-30 kcal/kg/dia de energia total, com 1,0-1,5 g/kg/dia de proteína (aminoácidos), distribuindo as calorias não-proteicas em aproximadamente 60-70% de glicose e 30-40% de lipídios 1, 2, 3.
Composição do Esquema de Nutrição Parenteral
Energia Total
- Meta calórica: 25-30 kcal/kg/dia baseado no peso corporal ideal 1, 3
- Em pacientes críticos, pode-se aproximar de 30 kcal/kg em condições de estresse grave 3
- Evitar superalimentação, que aumenta deposição de gordura, produção de CO2 e complicações hepáticas 2, 3
Proteína (Aminoácidos)
- Dose padrão: 1,0-1,5 g/kg/dia baseado no peso ideal 1, 2
- Equivale a aproximadamente 20% das calorias totais 3
- Em pacientes não estressados: 0,8-1,0 g/kg/dia pode ser suficiente 4
Carboidratos (Glicose)
- Proporção: 60-70% das calorias não-proteicas (anteriormente era 50:50 com lipídios) 3
- Taxa máxima de infusão: 5-7 mg/kg/min para evitar hiperglicemia 1
- Glicose fornece 3,4 kcal/mL como monohidrato 1
- Monitorar glicemia diariamente, mantendo <180-200 mg/dL 1
- Adicionar insulina regular à solução de NPT se necessário (dose inicial: 0,1 U/g de glicose) 1
Lipídios
- Proporção: 20-30% das calorias infundidas 1, 2
- Dose máxima: Não exceder 1,0-1,5 g/kg/dia 2, 5, 4
- Emulsão lipídica a 20% é mais densa caloricamente que glicose 1
- Manter triglicerídeos séricos <400 mg/dL (idealmente) ou <700-800 mg/dL (máximo) 1
- Ácidos graxos essenciais: mínimo 7-10 g/dia 4
Relação Energia:Nitrogênio
- Ideal: 100-150 kcal não-proteicas por grama de nitrogênio 2
- Equivale aproximadamente a uma relação proteína:gordura:glicose de 20:30:50% 3
Administração e Monitoramento
Via de Acesso
- Periférica: Osmolaridade não deve exceder 850-900 mOsmol/L 6
- Central: Necessária para soluções hiperosmolares de longo prazo 4
Modo de Infusão
- Infusão contínua 24h: Proporciona melhor economia de nitrogênio quando todos os componentes são administrados simultaneamente 3
- Infusão cíclica noturna: Preferível para nutrição parenteral domiciliar, permitindo atividades diurnas normais 2, 4
Líquidos e Eletrólitos
- Volume: 30-40 mL/kg/dia em adultos com hidratação normal 7
- Ajustar conforme perdas intestinais (em síndrome do intestino curto: 1-4 L/dia dependendo das perdas) 2
- Monitorar sódio, potássio e magnésio rigorosamente 2
Micronutrientes
- Vitaminas e oligoelementos: Devem ser suplementados diariamente em NPT >1 semana 3, 7
- Atenção especial para: zinco, selênio, magnésio (aumentados em perdas digestivas) 1, 2
- Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) e hidrossolúveis (complexo B, C) conforme tabela de recomendações 1
Armadilhas Comuns a Evitar
Superalimentação: Glicose >5 mg/kg/min ou lipídios >1,5 g/kg/dia aumentam risco de esteatose hepática e colestase 2, 5
Hiperglicemia não controlada: Requer ajuste de insulina quando >0,2 U/g de glicose 1
Hipertrigliceridemia: Suspender lipídios temporariamente se triglicerídeos >12 mmol/L (>1.000 mg/dL) por >72h 8
Déficit de magnésio: Frequentemente subdiagnosticado mesmo com magnésio sérico normal; medir magnésio urinário 24h 2
Sobrecarga hídrica: Excesso de fluidos intravenosos pode prejudicar a entrega de nutrição enteral e aumentar déficits calórico-proteicos 9
Ajustes Específicos
- Fase pós-operatória inicial: Priorizar estabilidade hemodinâmica com solução salina/Ringer (1-4 L/dia) antes de iniciar NPT 2
- Intolerância à glicose: Aumentar proporção de lipídios (mantendo <1,5 g/kg/dia) 1
- Pacientes críticos: Considerar NPT suplementar se nutrição enteral <60% das necessidades após 2 dias 10