Sim, a ansiedade pode causar fadiga e cansaço persistente, sendo este um sintoma transdiagnóstico altamente prevalente em transtornos de ansiedade
A fadiga é um sintoma extremamente comum em transtornos de ansiedade, com prevalências variando entre 18% e 100% em pacientes com transtornos mentais comuns, incluindo transtornos de ansiedade 1. A relação é bidirecional: a fadiga pode prever o início da ansiedade/depressão, e a ansiedade pode prever o início da fadiga 1.
Avaliação Recomendada
Triagem e Identificação Inicial
- Realize triagem estruturada para sintomas de ansiedade em todos os pacientes com fadiga persistente 2
- Procure sinais específicos de ansiedade: ataques de pânico, tremores, sudorese, taquipneia, taquicardia, palpitações, e mãos suadas 2
- Avalie a gravidade dos sintomas, possíveis estressores, comprometimento das atividades diárias, fatores de risco e momentos de vulnerabilidade 2
Causas Médicas a Excluir Primeiro
Antes de atribuir a fadiga à ansiedade, você deve diagnosticar e tratar causas médicas e induzidas por substâncias 2. Especificamente:
- Dor não controlada e outros sintomas físicos não aliviados 2
- Delirium (infecções, desequilíbrios eletrolíticos) 2
- Medicamentos que causam fadiga 3
- Doenças pós-virais 4
- Distúrbios do sono 3
Avaliação Psiquiátrica Formal
- Para sintomas moderados a graves, confirme o diagnóstico de transtorno de ansiedade usando critérios DSM-V antes de iniciar tratamento específico 2
- Considere que o transtorno de pânico ocorre em 13% dos pacientes com fadiga crônica (10 vezes mais que na população geral), frequentemente precedendo ou coincidindo com o início da fadiga 5
- Avalie história de depressão grave, pensamentos suicidas e tendência à somatização, que são mais comuns quando há transtorno de pânico associado 5
Tratamento Recomendado
Modelo de Cuidado Escalonado
Use um modelo de cuidado escalonado baseado em 2:
- Nível atual de sintomatologia e presença/ausência de diagnóstico DSM-V
- Nível de comprometimento funcional nas principais áreas da vida
- Presença/ausência de fatores de risco
- Cronicidade e resposta a tratamentos anteriores
- Preferência do paciente
Para Ansiedade Leve a Moderada
- A equipe de cuidados primários pode gerenciar com cuidados de suporte habituais 2
- Habilidades de comunicação como escuta cuidadosa e aconselhamento são métodos úteis 6
Para Ansiedade Moderada a Grave
Considere intervenções farmacológicas e/ou não farmacológicas administradas por profissionais adequadamente treinados 2:
Tratamento Farmacológico
- ISRSs (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) e ISRSNs (inibidores de recaptação de serotonina-norepinefrina) são medicamentos de primeira linha 7
- A escolha do ansiolítico deve considerar: perfil de efeitos adversos, tolerabilidade, potencial de interação medicamentosa, resposta a tratamento anterior e preferência do paciente 2
- Tenha cautela com benzodiazepínicos: risco aumentado de abuso e dependência, comprometimento cognitivo; use por tempo limitado conforme diretrizes psiquiátricas estabelecidas 2
- Antidepressivos são indicados quando há depressão e ansiedade concomitantes 3
Tratamento Não Farmacológico
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a psicoterapia de primeira linha para transtornos de ansiedade 7
- Exercício graduado tem valor estabelecido 3
- Intervenções psicológicas e psicossociais devem derivar de manuais de tratamento de terapias empiricamente apoiadas 2
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não ignore sintomas psicológicos latentes escondidos atrás de sintomas somáticos - habilidades de comunicação são necessárias para entender o sofrimento dos pacientes 6
- Não inicie tratamento específico para ansiedade antes de excluir causas médicas tratáveis 2
- Aproximadamente 10-15% dos pacientes com fadiga, ansiedade e depressão requerem tratamento específico por psiquiatra 6
Quando Encaminhar
- Encaminhe imediatamente para profissionais treinados se houver risco de dano a si mesmo ou outros 2
- Encaminhe para psiquiatra, psicólogo ou profissional equivalentemente treinado quando houver sintomas graves confirmados 2
- Revise com o paciente, em processo de decisão compartilhada, as razões e benefícios potenciais do encaminhamento 2
- Avalie posteriormente a adesão do paciente ao encaminhamento e progresso ou resultados do tratamento 2
Educação e Suporte
- Ofereça suporte e forneça educação e informação a todos os pacientes e suas famílias sobre ansiedade, seu tratamento, e quais sintomas específicos ou piora justificam contato com o médico ou enfermeiro 2
- Avaliação rotineira desses sintomas é essencial para intervenção precoce 6
A fadiga na ansiedade deve ser tratada como parte da dor total experimentada pelo paciente, reconhecendo que embora comportamentos de doença como fadiga tenham papel no mecanismo de defesa do corpo, quando se tornam crônicos são prejudiciais 6.