Explain the pathophysiology of leukemias.

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Fisiopatologia das Leucemias

As leucemias resultam de alterações genéticas adquiridas nas células-tronco hematopoiéticas que levam à proliferação clonal descontrolada e falha na diferenciação celular, com mecanismos fisiopatológicos distintos entre os tipos mieloides e linfoides.

Leucemia Mieloide Crônica (LMC)

A LMC possui a fisiopatologia mais bem compreendida entre todas as leucemias 1.

Evento Molecular Primário

  • Translocação t(9;22)(q34;q11) resulta no cromossomo Philadelphia (Ph), presente em >95% dos casos
  • Esta translocação justapõe o gene ABL1 do cromossomo 9 com o gene BCR do cromossomo 22
  • Forma-se o gene de fusão BCR-ABL1 que codifica proteínas de fusão (P210 mais comum, raramente P190 ou P230) 2

Mecanismo Patogênico

A proteína BCR-ABL1 possui atividade tirosina quinase constitutivamente ativada localizada no citoplasma 2. Esta atividade enzimática desregulada:

  • Ativa múltiplas vias de sinalização downstream
  • Transforma células-tronco hematopoiéticas
  • Promove proliferação celular excessiva
  • Inibe apoptose

Instabilidade Genética e Progressão

As células BCR-ABL1 positivas são geneticamente instáveis e propensas a desenvolver múltiplas anormalidades genômicas heterogêneas 1. Este processo resulta em:

  • Transformação do fenótipo leucêmico de crônico para agudo
  • Progressão da fase crônica (FC) para fase acelerada (FA) e fase blástica (FB)
  • Desenvolvimento de mutações pontuais no domínio quinase do BCR-ABL1, causando resistência aos inibidores de tirosina quinase 2

Alterações na Medula Óssea

A medula óssea não tratada demonstra 2:

  • Hipercelularidade por proliferação da série granulocítica em diferentes estágios de maturação
  • Predomínio de mielócitos e formas segmentadas
  • Blastos devem representar <5% da população celular
  • Megacariócitos menores que o normal com núcleos hipolobulados ("megacariócitos anões")
  • Fibrose reticulínica moderada a acentuada em ~30% dos casos
  • Presença de células pseudo-Gaucher e histiócitos azul-marinho

Leucemia Mieloide Aguda (LMA)

A LMA surge de células-tronco hematopoiéticas com proliferação clonal 3.

Mecanismo de Desenvolvimento

  • Aquisição sequencial de mutações leva à expansão de progenitores mieloides clonais
  • Falha na diferenciação celular resulta em acúmulo de blastos imaturos
  • O processo culmina em LMA fulminante com substituição da hematopoiese normal 3

Transformação de Progenitores

Estudos demonstram que células-tronco leucêmicas podem surgir de progenitores comprometidos sem reprogramação generalizada da expressão gênica 4. O processo envolve:

  • Manutenção da identidade fenotípica do progenitor original
  • Ativação de programa limitado de genes associados à auto-renovação
  • Reativação de subconjunto de genes altamente expressos em células-tronco hematopoiéticas normais

Heterogeneidade Biológica

A LMA é biologicamente heterogênea, com profundidade de resposta variável entre pacientes 3. Fatores predisponentes incluem:

  • Quimioterapia e radioterapia prévias
  • Fatores ambientais
  • Predisposição germinal

Progressão e Evolução Clonal

Fase Crônica para Fase Blástica (LMC)

A progressão não tratada da FC-LMC para FA-LMC ou FB-LMC ocorre em média em 3-5 anos 5. Características importantes:

  • Perfil de expressão gênica mostra correlação próxima entre FA e FB, indicando que a maioria das alterações genéticas ocorre na transição de FC para FA 5
  • Ativação da via de sinalização beta-catenina em progenitores granulócito-macrófago pode ser evento patobiológico chave na evolução para FB 5
  • Progressão pode ser baseada em fatores BCR-ABL1-dependentes (mutações pontuais) ou independentes (aberrações citogenéticas adicionais causando evolução clonal) 1

Armadilhas Comuns

  1. Nem todos os pacientes com cromossomo Philadelphia têm LMC: 5% dos casos não apresentam Ph detectável por citogenética convencional, necessitando confirmação por FISH ou RT-PCR 1

  2. LMC atípica (Ph-negativa e BCR-ABL1-negativa) representa entidade de doença separada com fisiopatologia distinta 1

  3. O mecanismo que leva à translocação gênica inicial permanece desconhecido, apesar da patogênese molecular da LMC ser bem compreendida 1

  4. A leucostase não se desenvolve em todos os pacientes com hiperleucocitose: a capacidade das células leucêmicas de responder a citocinas quimiotáticas e sua expressão de moléculas de adesão específicas são provavelmente mais importantes que o número de blastos circulantes 6

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