Hidratação para Infecção no Sangue (Sepse)
Para um paciente com infecção no sangue (sepse ou choque séptico), você deve administrar cristaloides como fluido de escolha inicial, começando com um mínimo de 30 mL/kg de peso corporal, aplicando a técnica de desafio de fluidos e continuando a administração enquanto houver melhora dos fatores hemodinâmicos. 1
Tipo de Fluido
Use cristaloides como primeira escolha (recomendação forte, evidência de qualidade moderada). 1 As diretrizes da Surviving Sepsis Campaign 2016 estabelecem claramente que cristaloides são superiores a outras opções para ressuscitação inicial e reposição volêmica subsequente.
Cristaloides Balanceados vs Solução Salina
Você pode usar tanto cristaloides balanceados quanto solução salina (recomendação fraca, evidência de baixa qualidade). 1 Porém, evidências mais recentes sugerem que cristaloides balanceados são mais seguros e eficazes comparados à solução salina normal. 2
Quando Considerar Albumina
Adicione albumina aos cristaloides quando o paciente necessitar quantidades substanciais de cristaloides (recomendação fraca, evidência de baixa qualidade). 1 Estudos recentes mostram que a reposição de albumina é segura e pode reduzir mortalidade em sepse e choque séptico. 2
O Que NÃO Usar
Não use amidos hidroxietílicos (recomendação forte, evidência de alta qualidade). 1 Estes aumentam o risco de morte e lesão renal aguda. 3
Volume e Velocidade de Administração
Ressuscitação Inicial
- Mínimo de 30 mL/kg de cristaloides para pacientes com hipoperfusão tecidual induzida por sepse e suspeita de hipovolemia 1
- Administração rápida pode ser necessária em alguns pacientes
- Evidências recentes sugerem que volumes de 40-45 mL/kg administrados em ≤3 horas podem estar associados a menor mortalidade em 28 dias comparado a volumes menores 4
Técnica de Desafio de Fluidos
Continue administrando fluidos enquanto os fatores hemodinâmicos continuarem melhorando (melhor prática). 1 Isso significa:
- Monitorar variáveis dinâmicas (variação de pressão de pulso, variação de volume sistólico) ou estáticas (pressão arterial, frequência cardíaca)
- Parar quando não houver mais melhora hemodinâmica
- Reavaliar repetidamente para evitar acúmulo de fluidos
Avaliação da Responsividade a Fluidos
Após a ressuscitação inicial, avalie a responsividade a fluidos antes de administrar mais volume. 5 As diretrizes ESICM 2025 recomendam:
- Teste de elevação passiva das pernas (PLR) em pacientes ventilados mecanicamente com ou sem respiração espontânea
- Variação de pressão de pulso (PPV) em pacientes ventilados mecanicamente sem respiração espontânea e volume corrente ≥8 mL/kg
- Teste de oclusão expiratória final como alternativa ao PLR em pacientes ventilados sem respiração espontânea
Armadilhas Comuns
Não confie apenas em pressão venosa central (PVC) para avaliar responsividade a fluidos - variáveis dinâmicas são superiores 3
Evite ressuscitação excessiva - o acúmulo de fluidos está associado a edema, disfunção orgânica e piores desfechos 3, 2
Não use mudanças no diâmetro da veia cava inferior isoladamente para avaliar responsividade a fluidos 5
Inicie vasopressores precocemente se a ressuscitação com fluidos for inadequada - não espere completar toda a ressuscitação volêmica se o paciente permanecer hipotenso 6, 7
Estratégia Prática
Para sepse comunitária: a administração precoce de 30 mL/kg de cristaloides é eficaz e segura 7
Para sepse nosocomial: realize avaliação mais aprofundada antes de iniciar ressuscitação agressiva 7
Monitore continuamente e ajuste baseado no perfil hemodinâmico - administre mais fluidos, um segundo vasopressor ou inotrópicos conforme necessário 7