Efeitos da Quetiapina
A quetiapina é um antipsicótico atípico com efeitos terapêuticos significativos no tratamento de transtornos psiquiátricos, mas também apresenta diversos efeitos adversos importantes, incluindo sedação, ganho de peso, alterações metabólicas e efeitos cardiovasculares.
Efeitos Terapêuticos
A quetiapina é eficaz no tratamento de diversos transtornos psiquiátricos devido ao seu perfil de ligação a receptores:
Mecanismo de ação: Antagonista de receptores serotoninérgicos (5-HT2A) e dopaminérgicos (D1 e D2), com maior afinidade para receptores 5-HT2A do que para D2, além de afinidade para receptores histamínicos (H1) e adrenérgicos (alfa-1 e alfa-2) 1
Indicações terapêuticas:
- Esquizofrenia (sintomas positivos e negativos)
- Transtorno bipolar (episódios maníacos e depressivos)
- Delirium em pacientes com câncer 2
- Sintomas psicóticos em idosos
Benefícios clínicos:
Efeitos Adversos
Efeitos Neurológicos
- Sedação e sonolência: Efeitos muito comuns, especialmente no início do tratamento 6
- Sintomas extrapiramidais: Incidência semelhante ao placebo, menor que outros antipsicóticos 5
- Discinesia tardia: Risco menor comparado aos antipsicóticos típicos 2
- Síndrome neuroléptica maligna: Rara, mas pode ocorrer 2
Efeitos Metabólicos
- Ganho de peso: Efeito comum e potencialmente significativo 2, 6
- Hiperglicemia: Pode levar a complicações graves como cetoacidose 6
- Alterações lipídicas: Aumento de colesterol e triglicerídeos 6
Efeitos Cardiovasculares
- Prolongamento do intervalo QTc: Geralmente leve (6 ms em média), menor que outros antipsicóticos como tioridazina (25-30 ms) 2
- Hipotensão ortostática: Comum, especialmente no início do tratamento 2, 6
- Taquicardia: Pode ocorrer aumento da frequência cardíaca 6
Efeitos Hematológicos
- Leucopenia/neutropenia: Menos comum que com clozapina, mas requer monitoramento 7
- Trombocitopenia: Rara, pode manifestar-se como petéquias 7
Outros Efeitos Adversos
- Boca seca: Muito comum 6
- Constipação: Comum 6
- Dificuldade de deglutição: Pode ocorrer 6
- Alterações na função tireoidiana: Requer monitoramento 6
- Aumento de prolactina: Menor impacto comparado a outros antipsicóticos 4
Considerações Especiais
Populações Específicas
- Idosos: Usar doses mais baixas; maior sensibilidade a efeitos sedativos e hipotensão 2
- Crianças e adolescentes: Maior risco de aumento da pressão arterial e frequência cardíaca 6
- Pacientes com comprometimento hepático: Reduzir doses devido ao metabolismo hepático 6
Monitoramento Recomendado
Antes do início do tratamento:
- Glicemia de jejum
- Perfil lipídico
- Pressão arterial e frequência cardíaca
- Hemograma completo
- Função hepática e renal
Durante o tratamento:
- Peso corporal regularmente
- Glicemia e perfil lipídico periodicamente
- Sinais de sintomas extrapiramidais
- Pressão arterial (especialmente em crianças e adolescentes)
Sobredosagem
- Sintomas: Sedação excessiva, taquicardia, hipotensão 6
- Tratamento: Suporte respiratório, monitoramento cardíaco, carvão ativado 6
- Prognóstico: Geralmente favorável com tratamento adequado; sobrevivência relatada em sobredoses de até 30g 6
Considerações Práticas
- A quetiapina tem um perfil de segurança favorável em comparação com antipsicóticos típicos, especialmente quanto a sintomas extrapiramidais 5
- A dose deve ser ajustada gradualmente para minimizar efeitos adversos como sedação e hipotensão
- O uso concomitante com outros medicamentos que prolongam o intervalo QT deve ser evitado
- O risco de efeitos metabólicos requer monitoramento cuidadoso, especialmente em tratamentos de longo prazo
A quetiapina é uma opção terapêutica valiosa quando usada apropriadamente, com monitoramento adequado dos efeitos adversos potenciais.