Tratamento da Esofagite e Gastrite: Duração e Uso de Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs)
A esofagite e gastrite geralmente requerem tratamento contínuo com inibidores da bomba de prótons (IBPs), especialmente em casos de esofagite erosiva, sendo frequentemente uma condição crônica que necessita manejo a longo prazo. 1, 2
O que são IBPs (Inibidores da Bomba de Prótons)?
Os IBPs são medicamentos que:
- Reduzem significativamente a produção de ácido no estômago
- São mais eficazes que outras opções para cicatrização e prevenção de danos gastroduodenais 2
- Incluem medicamentos como pantoprazol, omeprazol, esomeprazol e dexlansoprazol
- Atuam bloqueando a enzima responsável pela produção final de ácido nas células parietais do estômago
Duração do Tratamento
A duração do tratamento depende do tipo e gravidade da sua condição:
Esofagite erosiva:
Esofagite eosinofílica:
Riscos da Interrupção do Tratamento
A interrupção abrupta dos IBPs pode causar:
- Hipersecreção ácida rebote
- Piora dos sintomas
- Recorrência rápida da esofagite 2
- Possível progressão para complicações como estenose esofágica, sangramento ou esôfago de Barrett 2
Efeitos Colaterais do Uso Prolongado
O uso prolongado de IBPs pode estar associado a:
- Infecção por Clostridium difficile 4
- Fraturas osteoporóticas 4
- Deficiência de vitamina B12 (especialmente após 3 anos de uso) 4
- Hipomagnesemia (geralmente após 1 ano de terapia) 4
- Nefrite tubulointersticial aguda (rara) 4
- Pólipos de glândulas fúndicas (com uso prolongado, especialmente além de um ano) 4
Monitoramento Recomendado
Para pacientes em tratamento prolongado com IBPs:
- Consultas regulares com gastroenterologista para avaliar resposta ao tratamento 2
- Monitoramento dos níveis de vitamina B12 e magnésio 2, 4
- Endoscopias periódicas para avaliar cicatrização da esofagite e monitorar possíveis complicações 2
- Considerar monitoramento de pH esofágico para confirmar e caracterizar o refluxo 1, 2
Considerações Especiais
- Esofagite erosiva grave: Pacientes com esofagite erosiva grave (Los Angeles C/D) geralmente não devem interromper o tratamento com IBPs 1
- Esôfago de Barrett: Pacientes com esta condição devem manter o tratamento contínuo com IBPs 1
- Esofagite eosinofílica: Os IBPs são eficazes em 60-87% dos casos e podem ser necessários a longo prazo 3, 5
Conclusão
A esofagite e gastrite, especialmente quando erosivas ou associadas a complicações, frequentemente requerem tratamento prolongado ou contínuo com IBPs. A decisão sobre a duração do tratamento deve considerar a gravidade da doença, resposta ao tratamento e risco de complicações, sempre sob orientação médica.
É fundamental não interromper o tratamento sem supervisão médica, pois a descontinuação pode levar à recorrência rápida dos sintomas e possível progressão da doença.