Exames para Confirmar Suspeita de Síndrome Hemofagocítica
A avaliação laboratorial para confirmar uma suspeita de síndrome hemofagocítica deve incluir ferritina sérica, hemograma completo, triglicerídeos, fibrinogênio, receptor solúvel de IL-2 (sCD25) e avaliação da função das células NK, com aspirado de medula óssea para verificar hemofagocitose.
Critérios Diagnósticos
Os critérios diagnósticos HLH-2004 são os mais utilizados para diagnóstico de síndrome hemofagocítica (SH), exigindo 5 dos 8 critérios abaixo ou diagnóstico molecular consistente com SH 1:
- Febre (temperatura ≥38.5°C)
- Esplenomegalia
- Citopenias afetando ≥2 linhagens:
- Hemoglobina <9 g/dL
- Plaquetas <100.000/μL
- Neutrófilos <1.000/μL
- Hipertrigliceridemia (≥265 mg/dL) e/ou hipofibrinogenemia (≤150 mg/dL)
- Hemofagocitose na medula óssea, baço, linfonodos ou fígado
- Atividade de células NK baixa ou ausente
- Ferritina ≥500 μg/L (valores >7.000-10.000 μg/L são fortemente sugestivos em adultos)
- Receptor solúvel de IL-2 (sCD25) elevado ≥2.400 U/mL
Exames Laboratoriais Essenciais
Primeira Linha (Iniciais)
- Ferritina sérica: Marcador mais característico, com valores >7.000-10.000 μg/L fortemente sugestivos de SH em adultos 1
- Hemograma completo: Para avaliar citopenias em duas ou mais linhagens 2
- Triglicerídeos e fibrinogênio: Hipertrigliceridemia e hipofibrinogenemia são critérios diagnósticos 1
- Enzimas hepáticas: AST/ALT, fosfatase alcalina, bilirrubina (elevação de AST ≥30 U/L suporta o diagnóstico) 1, 3
- Coagulograma: Tempo de protrombina, tempo de tromboplastina parcial ativada 2
- LDH: Geralmente elevada na SH 1, 3
Segunda Linha (Confirmatórios)
- Receptor solúvel de IL-2 (sCD25): Marcador de ativação de células T, elevado na SH 1
- Avaliação da atividade de células NK: Tipicamente baixa ou ausente na SH 1
- Aspirado de medula óssea: Para verificar hemofagocitose, embora este achado não seja nem sensível nem específico para SH 1, 2
- Proteína C-reativa: Geralmente elevada 4
- Sódio sérico: Hiponatremia é comum 1, 4
Exames para Identificar Causas Subjacentes
A SH pode ser primária (genética) ou secundária (reativa). Em adultos, é importante investigar causas secundárias:
Doenças Malignas
- Biópsia de linfonodos: Linfomas são a causa mais comum de SH em adultos (56% dos casos) 4, 2
- Imunofenotipagem de sangue periférico e medula óssea: Para detectar malignidades hematológicas 2
- Tomografia computadorizada/ultrassom: Para avaliar hepatoesplenomegalia e linfonodomegalia 2
Infecções
- Sorologia para EBV e CMV: Vírus do grupo herpes são gatilhos frequentes 5
- Hemoculturas: Para descartar septicemia 2
- Testes para HIV: Em pacientes selecionados 2
Doenças Reumatológicas
- Autoanticorpos: Para síndrome de ativação macrofágica em doenças reumatológicas 5
Imunodeficiências Primárias
- Testes genéticos: Para síndromes como Chediak-Higashi, Griscelli tipo 2 e XLP1 em casos selecionados 2
- Citometria de fluxo: Para detectar defeitos de desgranulação de células NK/T e expressão de proteínas relevantes (perforina, SAP) 2
Monitoramento da Atividade da Doença
Para acompanhar a resposta ao tratamento, os seguintes parâmetros devem ser monitorados 1:
- Contagem de plaquetas
- Ferritina
- Fibrinogênio
- Níveis de sCD25
- LDH
Considerações Importantes
- A hemofagocitose na medula óssea, embora característica, não é nem sensível nem específica para SH e pode estar presente em outras condições como septicemia 2, 1
- Os critérios HLH-2004 foram desenvolvidos para crianças e não são formalmente validados para adultos 1
- Em pacientes com malignidade, vários critérios podem estar presentes devido à doença subjacente e não à SH 1
- O atraso no diagnóstico pode ocorrer, com achados laboratoriais evoluindo ao longo do tempo, exigindo testes seriados se a SH for fortemente suspeita 1
A SH é uma condição potencialmente fatal que requer diagnóstico rápido e tratamento imediato. A combinação de achados clínicos e laboratoriais é essencial para o diagnóstico correto.