Características Clínicas da Marcha Coreica
A marcha coreica é caracterizada por movimentos involuntários, não estereotipados, aleatórios e imprevisíveis que afetam o tronco e as extremidades, resultando em um padrão de caminhada irregular, instável e com aparência de "dança" 1.
Manifestações Principais da Marcha Coreica
Características Fundamentais
- Movimentos involuntários: Movimentos rápidos, fluidos e sem propósito que interferem com o padrão normal da marcha 1
- Imprevisibilidade: Padrão irregular e aleatório de movimentos durante a caminhada 2
- Aparência de "dança": Origem do termo "coreia" (do grego "dança") devido ao fluxo contínuo de movimentos 3
- Ausência de estereotipia: Os movimentos não seguem um padrão repetitivo fixo 1
Alterações Posturais e de Equilíbrio
- Instabilidade postural: Dificuldade em manter postura estável durante a caminhada 1
- Risco aumentado de quedas: Especialmente quando associada a déficits cognitivos concomitantes 1
- Movimentos do tronco: Oscilações e movimentos involuntários do tronco que comprometem o equilíbrio 1
Padrão de Passos
- Passos irregulares: Variabilidade na amplitude e velocidade dos passos 3
- Movimentos súbitos: Interrupções abruptas do padrão de marcha por movimentos involuntários 2
- Desvios laterais: Tendência a desviar da linha reta de caminhada 4
- Amplitude variável: Movimentos podem ser de pequena amplitude (coreia) ou grande amplitude (balismo) 3
Características Associadas
Manifestações Neurológicas Concomitantes
- Fraqueza muscular: Frequentemente associada à coreia, comprometendo ainda mais a marcha 1
- Impersistência motora: Incapacidade de manter contração muscular constante (sinal da "ordenha" - milkmaid's grasp) 3
- Labilidade emocional: Alterações de humor que frequentemente acompanham quadros coreicos 1
Fatores Moduladores
- Piora com estresse e ansiedade: Aumento dos movimentos coreicos em situações de estresse 3
- Melhora durante o sono: Diminuição ou desaparecimento dos movimentos durante o sono 3
- Tentativa de disfarce: Pacientes frequentemente incorporam os movimentos involuntários em atividades voluntárias para disfarçá-los 3
Avaliação Clínica da Marcha Coreica
Exame Físico Direcionado
- Observação da marcha: Avaliação do padrão de caminhada em diferentes velocidades 1
- Teste de alta elevação dos joelhos: Pode precipitar movimentos coreicos, auxiliando no diagnóstico 1
- Avaliação de equilíbrio: Fundamental para determinar o risco de quedas 1
Sinais de Alerta
- Assimetria acentuada: Coreia predominantemente unilateral (hemicoreia) pode sugerir causas secundárias como doença cerebrovascular 1
- Início súbito: Pode indicar causas adquiridas como acidente vascular cerebral ou doenças autoimunes 4
- Idade de início: Início após os 20 anos pode sugerir causas secundárias 1
Diagnóstico Diferencial
Condições Neurológicas Relacionadas
- Doença de Huntington: Causa genética mais comum de coreia, com atrofia progressiva do núcleo caudado 1, 5
- Coreia de Sydenham: Associada à febre reumática, mais comum em crianças e adolescentes 1
- Distúrbios do movimento paroxísticos: Episódios breves de movimentos anormais desencadeados por movimento 1
Distinção de Outros Distúrbios do Movimento
- Diferenciação de tiques: Os movimentos coreicos não são estereotipados ou suprimíveis como os tiques 1
- Diferenciação de atetose: Movimentos mais lentos e contorcidos na atetose 1
- Diferenciação de reação de conversão: Ausência de padrão neurológico consistente nas reações de conversão 1
A marcha coreica representa um desafio diagnóstico que requer avaliação neurológica detalhada para identificação da causa subjacente e implementação do tratamento adequado, visando minimizar o impacto na mobilidade e qualidade de vida do paciente.