Avaliação de Libido Baixo no Sexo Masculino
Homens com sintomas de libido baixo devem ser submetidos a uma avaliação completa que inclui dosagem de testosterona sérica matinal, avaliação de comorbidades médicas e psicológicas, e análise de fatores relacionais que possam afetar o desejo sexual. 1
Avaliação Diagnóstica
Avaliação Hormonal
- Testosterona sérica total matinal: Deve ser medida entre 8-10h da manhã para diagnóstico preciso de hipogonadismo 1, 2
- Testosterona livre ou biodisponível: Particularmente importante se a testosterona total estiver próxima ao limite inferior 1
- Globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG): Importante para calcular a testosterona livre, especialmente em homens com diabetes que frequentemente apresentam SHBG baixa 2, 1
- Hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH): Para distinguir entre hipogonadismo primário e secundário 1
- Prolactina: Deve ser medida mesmo se a testosterona estiver normal, para descartar hiperprolactinemia 1
- Estradiol: Particularmente se houver sintomas mamários ou ginecomastia 1
Avaliação Metabólica e Cardiovascular
- Hemoglobina A1c ou glicemia de jejum: Para avaliar diabetes, que pode afetar os níveis de testosterona 2, 1
- Perfil lipídico e pressão arterial: Como parte da avaliação inicial da saúde cardiovascular 1
- Eletrocardiograma (ECG): Particularmente em homens com hipertensão ou diabetes 1
- Hemoglobina/hematócrito: Antes de iniciar terapia com testosterona 1, 3
Avaliação Psicossocial
- Questionários validados: Como o Inventário de Desejo Sexual-2 para iniciar discussão com pacientes e avaliar a libido 4
- Avaliação de saúde mental: Para identificar depressão, ansiedade e estresse crônico que podem interferir nas vias centrais e periféricas da resposta sexual 5
- Avaliação da relação conjugal: A insatisfação com o relacionamento é frequentemente um fator importante na diminuição do desejo 6
Tratamento
Terapia de Reposição de Testosterona
- Indicações: Recomendada para homens com níveis de testosterona abaixo de 230 ng/dL 1
- Consideração de teste terapêutico: Para homens sintomáticos com níveis entre 231-346 ng/dL, com alvo de testosterona na faixa média (350-600 ng/dL) 1
- Formulações: Preferir formulações facilmente tituladas (gel, spray, adesivo) em homens acima de 70 anos ou com doenças crônicas 1, 3
- Monitoramento: Avaliar hematócrito antes de iniciar o tratamento e depois de 3-6 meses, e anualmente após isso 3
- Contraindicações: Câncer de mama ou câncer de próstata conhecido ou suspeito 3
Outras Intervenções Farmacológicas
- Inibidores da PDE5 (sildenafil, tadalafil, vardenafil): Podem melhorar tanto a função erétil quanto a libido em homens com disfunção erétil 1
Intervenções Psicossexuais
- Terapia psicossexual: Tratamento de primeira linha com taxa de sucesso de 50-80%, abordando fatores psicológicos subjacentes que afetam o desejo 1
- Terapia de casal: Para melhorar a comunicação e abordar problemas do parceiro 1
Modificações no Estilo de Vida
- Exercício físico regular: Pode melhorar a função sexual e a saúde cardiovascular 1
- Dieta mediterrânea: Associada a melhor função sexual 1
Considerações Especiais
Revisão de Medicamentos
- Muitos medicamentos podem contribuir para a disfunção sexual, incluindo antidepressivos, anti-hipertensivos e outros 1
- Considerar medicamentos alternativos com menor risco de disfunção sexual 1
Fatores Psicológicos
- Fatores psicológicos podem contribuir ou exacerbar a disfunção sexual 1, 7
- A libido reduzida primária (não associada a condições como hipogonadismo ou hiperprolactinemia) está frequentemente relacionada a distúrbios nos relacionamentos domésticos e diádicos 7
Comorbidades
- A disfunção erétil, ejaculação precoce e ejaculação retardada podem coexistir com libido reduzida em 38%, 28,2% e 50% dos casos, respectivamente 7
- Homens com diabetes têm maior risco de hipogonadismo e devem ser avaliados para sintomas de baixa testosterona 2
Armadilhas e Cuidados
- A libido reduzida é relativa e depende da definição do paciente, não de um padrão absoluto de frequência sexual 6
- O uso de contraceptivos orais por mulheres parceiras não corrige a causa da amenorreia hipotalâmica funcional e não protege contra a perda de densidade mineral óssea 2
- A testosterona tem sido objeto de abuso, tipicamente em doses mais altas que as recomendadas e em combinação com outros esteroides anabolizantes androgênicos 3
- Estudos epidemiológicos e ensaios clínicos randomizados têm sido inconclusivos quanto ao risco de eventos cardiovasculares adversos maiores com o uso de testosterona 3