Técnica de Radioterapia no Protocolo INTERLACE para Câncer de Colo Uterino
O protocolo INTERLACE para câncer de colo uterino utiliza radioterapia conformacional baseada em CT, com braquiterapia intracavitária como componente crítico do tratamento, sendo a IMRT (Radioterapia de Intensidade Modulada) uma opção para minimizar doses em órgãos críticos, mas não deve substituir a braquiterapia para tratamento da doença central.
Componentes da Radioterapia no Protocolo
Radioterapia Externa (EBRT)
- O planejamento baseado em CT com bloqueio conformacional é considerado o padrão de cuidado para EBRT 1
- A RM é a melhor modalidade de imagem para determinar o envolvimento de tecidos moles e parametrial em tumores avançados 1
- Em pacientes não estadiados cirurgicamente, o PET é útil para definir o volume nodal a ser tratado 1
Volume de Tratamento
- O volume de EBRT deve cobrir:
- Doença macroscópica (se presente)
- Paramétrios
- Ligamentos uterossacrais
- Margem vaginal suficiente (pelo menos 3 cm)
- Linfonodos pré-sacrais
- Outros volumes nodais em risco 1
Doses e Fracionamento
- Para doença microscópica nodal: aproximadamente 45 Gy em fracionamento convencional (1,8-2,0 Gy diários) 1
- Boost altamente conformacionais de 10-15 Gy adicionais podem ser considerados para volumes limitados de adenopatia não ressecada 1
- Para a maioria dos pacientes, quimioterapia concomitante baseada em cisplatina é administrada durante a EBRT 1
Braquiterapia
- Componente crítico da terapia definitiva para todos os pacientes com câncer cervical primário não candidatos à cirurgia 1
- Geralmente realizada usando abordagem intracavitária, com tandem intrauterino e colpostatos vaginais 1
- Iniciada na parte final do tratamento, quando ocorreu regressão tumoral suficiente para permitir geometria satisfatória do aparelho 1
Uso da IMRT
A IMRT e métodos similares altamente conformacionais podem ser úteis para:
- Minimizar a dose no intestino e outras estruturas críticas no cenário pós-histerectomia
- Tratar linfonodos para-aórticos quando necessário
- Administrar altas doses para tratar doença macroscópica em linfonodos regionais 1
Importante: técnicas conformacionais de feixe externo (como IMRT) não devem ser usadas como alternativas de rotina à braquiterapia para tratamento da doença central em pacientes com colo uterino intacto 1, 2
Considerações Temporais
- Todo o curso de RT (incluindo componentes de EBRT e braquiterapia) deve ser concluído em tempo hábil (dentro de 8 semanas) 1
- Atrasos ou interrupções no tratamento de radiação devem ser evitados sempre que possível 1
- Prolongar o tratamento geral além de 6 a 8 semanas pode resultar em aproximadamente 0,5% a 1% de diminuição no controle pélvico e sobrevida específica por causa para cada dia extra de tempo total de tratamento 1
Considerações Técnicas Importantes
Atenção muito cuidadosa aos detalhes e reprodutibilidade é necessária para entrega adequada de IMRT e tecnologias altamente conformacionais relacionadas, incluindo:
- Definições de alvo e tecido normal
- Movimento do paciente e órgãos internos
- Deformação de tecidos moles
- Garantia de qualidade dosimétrica e física rigorosa 1
O BED (Dose Biológica Efetiva) cumulativo de 70-80 Gy10 no ponto A é apropriado para pacientes com câncer cervical tratados com combinação de EBRT e braquiterapia de alta taxa de dose (HDR-ICBT) 3
O BED cumulativo no ponto retal deve ser mantido abaixo de 100-120 Gy3 para prevenir complicação retal tardia 3
Monitoramento e Seguimento
- O monitoramento cuidadoso durante e após o tratamento é essencial para avaliar a resposta e detectar recorrências precoces
- Outros estudos de imagem (como raio-X de tórax, TC, RM e PET/CT subsequente) também podem ser usados para avaliar ou acompanhar recorrência quando clinicamente indicado 1
A combinação adequada de EBRT e braquiterapia, com atenção cuidadosa à técnica, doses e tempo total de tratamento, é fundamental para maximizar os resultados oncológicos e minimizar complicações no tratamento do câncer de colo uterino.