Achados Necroscópicos em Recém-Nascidos com Síndrome Congênita pelo Vírus Oropouche
Os achados necroscópicos em recém-nascidos com síndrome congênita pelo vírus Oropouche incluem principalmente microcefalia grave secundária a danos cerebrais, artrogripose, anomalias do corpo caloso, atrofia cerebral, cistos cerebrais, anormalidades da fossa posterior e alterações oculares características.
Manifestações Neurológicas
As alterações neurológicas são as mais proeminentes e incluem:
Microcefalia grave: Caracterizada por suturas sobrepostas e atrofia cerebral significativa 1, 2
Danos cerebrais estruturais:
Alterações microscópicas cerebrais:
- Alterações necróticas e apoptóticas de neurônios
- Alterações em micróglia e astrócitos
- Vacuolização tecidual
- Atrofia tecidual 2
Alterações Musculoesqueléticas
- Artrogripose: Contraturas articulares congênitas sugestivas de processo disruptivo embrionário/fetal 1
Alterações Oculares
- Achados fundoscópicos:
- Cicatrizes coriorretinianas maculares
- Manchas pigmentares focais
- Atenuação vascular 1
Alterações Vasculares e Sistêmicas
- Vasculite: Evidenciada pela presença de antígenos virais em células endoteliais 2
- Comprometimento multissistêmico: Detecção de RNA viral e antígenos em:
Diferenças em Relação a Outras Síndromes Congênitas
Embora a síndrome congênita pelo vírus Oropouche apresente semelhanças com a síndrome congênita pelo Zika vírus, existem características distintivas nas imagens cerebrais e em vários aspectos da apresentação neurológica 1.
Diagnóstico Laboratorial
Em casos de necropsia, o diagnóstico pode ser confirmado por:
- RT-PCR em tempo real: Para detecção do genoma viral em múltiplos tecidos 2
- Imunohistoquímica: Para detecção de antígenos virais, principalmente em neurônios, micróglia e células endoteliais 2
Considerações Importantes
- A infecção vertical pelo vírus Oropouche está associada a morte fetal e malformações congênitas graves 1, 2, 3
- O padrão de acometimento sugere um processo disruptivo durante o desenvolvimento embrionário/fetal 1
- A presença do vírus em múltiplos órgãos indica disseminação sistêmica da infecção 2
Implicações para Vigilância e Saúde Pública
- O vírus Oropouche deve ser considerado no diagnóstico diferencial de malformações congênitas, especialmente em áreas endêmicas ou com surtos recentes 2, 4
- Gestantes devem evitar viagens para áreas com surtos ativos de febre Oropouche 4
- É fundamental a investigação detalhada de casos de infecção materna ou fetal pelo vírus Oropouche 2
A síndrome congênita pelo vírus Oropouche representa uma nova preocupação em saúde pública, especialmente após o surgimento de cepas reassortantes com maior patogenicidade e capacidade de transmissão vertical 3.