Abordagem Imediata para Paciente com Ingestão de Óleo de Motor
A abordagem para paciente que ingeriu óleo de motor deve priorizar a avaliação das vias aéreas, respiração e circulação, evitando a indução de vômito e carvão ativado, e realizando monitoramento por 6-8 horas para sinais de pneumonite química. 1
Avaliação Inicial
Avaliação das vias aéreas e função respiratória:
- Verificar sinais de dificuldade respiratória (taquipneia, hipoxemia, estridor)
- Monitorar saturação de oxigênio (oximetria de pulso)
- Observar sinais de aspiração pulmonar (tosse, dispneia, cianose)
Avaliação hemodinâmica:
- Monitorar sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória)
- Avaliar perfusão periférica e estado de consciência
Contato com Centro de Controle de Intoxicações:
- Fornecer informações sobre o tipo de óleo, quantidade ingerida e tempo decorrido desde a ingestão 1
Contraindicações Importantes
NÃO induzir vômito:
NÃO administrar carvão ativado:
- O carvão ativado é contraindicado em casos de ingestão de destilados de petróleo como óleo de motor, gasolina, querosene e solventes 2
NÃO realizar lavagem gástrica:
- Procedimentos como lavagem gástrica aumentam o risco de aspiração 3
Manejo Terapêutico
Se o paciente estiver assintomático:
- Manter observação por 6-8 horas no serviço de emergência 3
- Realizar radiografia de tórax ao final do período de observação para detectar possíveis alterações pulmonares iniciais 3
- Liberar o paciente se permanecer assintomático e com radiografia normal após o período de observação
Se o paciente apresentar sintomas respiratórios:
- Administrar oxigênio suplementar conforme necessidade
- Internação hospitalar para monitoramento cardiorrespiratório e cuidados de suporte 3
- Radiografia de tórax para avaliar pneumonite química (infiltrados pulmonares bilaterais podem aparecer 4-8 horas após a ingestão) 3
Se houver comprometimento respiratório grave:
- Admissão em UTI para pacientes com aumento do trabalho respiratório, alteração do sensório ou convulsões 3
- Considerar ventilação mecânica em casos de hipoxemia refratária à oxigenoterapia 3
- Monitorar para complicações como SARA (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda) 4, 5
Exames Complementares
- Radiografia de tórax (após 4-8 horas da ingestão)
- Hemograma completo
- Eletrólitos séricos
- Função renal
- Função hepática (avaliar possível toxicidade sistêmica) 1
- Gasometria arterial (em casos de comprometimento respiratório)
Tratamento Específico
Terapia de suporte:
- Manutenção da oxigenação
- Hidratação adequada
- Monitoramento de sinais vitais
Corticosteroides:
- Não há evidência de benefício no uso rotineiro de corticosteroides na pneumonite por hidrocarbonetos 3
- Considerar apenas em casos selecionados de inflamação grave
Antibióticos:
- Não indicados profilaticamente
- Administrar apenas em casos de infecção bacteriana secundária confirmada 3
Complicações Potenciais
- Pneumonite química (complicação mais comum, ocorre em aproximadamente 15% dos casos) 3
- Insuficiência respiratória aguda (em até 5% dos casos de pneumonite) 3
- Pneumatoceles (podem aparecer após 6-10 dias e resolver em até 6 meses) 3
- Em casos graves, pode evoluir para falência de múltiplos órgãos 4
Seguimento
- Orientar retorno imediato se houver desenvolvimento de sintomas respiratórios (tosse, falta de ar, dor torácica)
- Acompanhamento ambulatorial com radiografia de tórax em 1-2 semanas para pacientes que desenvolveram pneumonite
A abordagem adequada e o monitoramento cuidadoso são fundamentais para identificar precocemente complicações pulmonares, que representam o principal risco após ingestão de óleo de motor.