SINAIS DE ALERTA E ABORDAGEM DO PACIENTE COM QUEDA DA PRÓPRIA ALTURA E ESCORIAÇÕES TORÁCICAS
A avaliação imediata da via aérea, respiração e circulação é essencial para pacientes que sofreram queda da própria altura com escoriações torácicas, com atenção especial para sinais de comprometimento respiratório ou hemodinâmico que podem indicar lesões graves subjacentes.
Avaliação Inicial
Sinais de Alerta Imediatos
- Alteração do nível de consciência: Confusão, sonolência ou inconsciência 1
- Dificuldade respiratória: Taquipneia, uso de musculatura acessória, cianose
- Instabilidade hemodinâmica: Taquicardia, hipotensão, palidez cutânea 1
- Dor torácica intensa: Especialmente se piorar com a respiração
- Assimetria na expansibilidade torácica: Pode indicar pneumotórax ou fraturas costais
- Crepitação à palpação: Sugere enfisema subcutâneo ou fraturas
- Equimoses ou hematomas extensos: Podem indicar sangramento significativo
Verificação de Responsividade
- Cheque a segurança da cena antes de se aproximar do paciente
- Verifique a responsividade sacudindo suavemente os ombros e perguntando "Você está bem?" 1
- Se o paciente responder, mantenha-o na posição encontrada (desde que não haja perigo adicional)
- Se não houver resposta, ative o sistema de emergência imediatamente 1
Avaliação Secundária
Sinais de Alerta para Lesões Torácicas Graves
- Padrão respiratório anormal: Respiração superficial ou irregular
- Sons respiratórios anormais: Diminuição ou ausência de murmúrio vesicular
- Deformidades visíveis no tórax: Podem indicar fraturas costais múltiplas
- Hipersonoridade ou macicez à percussão: Sugestivo de pneumotórax ou hemotórax
- Dor à compressão do tórax: Indica possível fratura costal
- Enfisema subcutâneo: Crepitação à palpação da pele
- Contusão pulmonar: Pode se desenvolver progressivamente nas primeiras horas
Sinais de Alerta para Complicações
- Dispneia progressiva: Pode indicar pneumotórax em evolução
- Hipotensão persistente: Sugere sangramento significativo
- Distensão venosa jugular: Pode indicar tamponamento cardíaco
- Assimetria de pulsos: Sugere lesão vascular
- Dor abdominal: Pode indicar lesão de órgãos abdominais associada 1
Abordagem e Manejo
Manejo Imediato
Garantir via aérea pérvia com proteção da coluna cervical:
- Assumir lesão cervical até prova contrária
- Fornecer oxigênio suplementar se necessário 2
Avaliar padrão respiratório:
- Observar frequência, profundidade e simetria da respiração
- Monitorar saturação de oxigênio
Avaliar circulação:
- Verificar pulsos, tempo de enchimento capilar e pressão arterial
- Estabelecer acesso venoso se sinais de instabilidade 2
Exames Complementares
- Radiografia de tórax: Para identificar fraturas costais, pneumotórax ou hemotórax
- FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma): Para detecção de líquido livre intra-abdominal 2
- Tomografia computadorizada: Para pacientes hemodinamicamente estáveis com suspeita de trauma torácico 1
Critérios para Intervenção Imediata
- Dificuldade respiratória grave: Considerar toracocentese de emergência se pneumotórax hipertensivo
- Instabilidade hemodinâmica com líquido livre intra-abdominal: Indicação de intervenção cirúrgica urgente 1
- Sangramento ativo identificado: Proceder com controle imediato do sangramento 1
Considerações Especiais
Pacientes Idosos
- Maior risco de fraturas costais devido à osteoporose
- Podem apresentar sintomas menos evidentes apesar de lesões graves
- Menor reserva fisiológica para compensar perdas sanguíneas
- Maior risco de complicações pulmonares pós-traumáticas
Comorbidades Relevantes
- Uso de anticoagulantes: Aumenta risco de sangramento e hematomas
- Doença pulmonar prévia: Menor tolerância a lesões pulmonares traumáticas
- Cardiopatias: Maior risco de complicações com hipoxemia ou hipovolemia
Critérios de Internação
- Fraturas costais múltiplas
- Pneumotórax ou hemotórax, mesmo que pequenos
- Contusão pulmonar
- Idade avançada com qualquer lesão torácica
- Comorbidades significativas
- Dor não controlada com analgesia oral
- Impossibilidade de seguimento adequado
Orientações para Alta (casos leves)
- Analgesia adequada para permitir respiração eficaz
- Orientação para retorno imediato se piora da dor, dispneia ou febre
- Exercícios respiratórios para prevenir atelectasias
- Seguimento em 24-48 horas para reavaliação
A abordagem cuidadosa e sistemática do paciente com queda da própria altura e escoriações torácicas é fundamental para identificar precocemente lesões potencialmente graves e prevenir complicações que possam aumentar a morbidade e mortalidade.