Irradiação Profilática Para-aórtica no Câncer de Colo Uterino
A irradiação profilática para-aórtica no câncer de colo uterino deve ser considerada apenas como opção terapêutica em casos selecionados, pois seu benefício não está claramente estabelecido e apresenta maior risco de complicações intestinais. 1
Indicações para Irradiação Profilática Para-aórtica
A irradiação profilática da região para-aórtica no câncer de colo uterino permanece controversa. As diretrizes atuais sugerem que:
Quando Considerar:
- Em pacientes com alto risco de recorrência para-aórtica
- Em tumores maiores que 4 cm (estágios IB, IIA, IIB proximal)
- Em casos com envolvimento de linfonodos pélvicos
Quando Não Considerar:
- Em tumores menores que 4 cm sem envolvimento linfonodal
- Em pacientes com baixa performance status devido à toxicidade aumentada
Evidências e Recomendações
A irradiação profilática para-aórtica é considerada uma opção terapêutica, não um tratamento padrão. As evidências mostram que:
- O benefício da irradiação profilática para-aórtica não está claramente estabelecido (nível de evidência C) 1
- Existe risco aumentado de complicações, particularmente intestinais (nível de evidência B) 1
- A dose padrão para irradiação profilática é de 45 Gy 1
Considerações Técnicas
Quando indicada, a irradiação para-aórtica deve seguir parâmetros específicos:
- O limite superior do campo para-aórtico deve ser pelo menos ao nível dos vasos renais 1
- A radioterapia de campo estendido deve incluir a pelve e toda a cadeia ilíaca comum e região linfonodal para-aórtica 1
- A dose para doença microscópica deve ser de 45 a 50 Gy 1
Resultados e Toxicidade
Um estudo retrospectivo avaliando a irradiação profilática semi-estendida (SEFRT) demonstrou:
- Apenas 2 pacientes de 103 apresentaram falha nos linfonodos para-aórticos na região da artéria renal ou área do hilo renal 2
- Taxa de sobrevida global de 82% em 5 anos 2
- Baixa toxicidade gastrointestinal aguda e tardia de grau 3 ou superior 2
Alternativas à Irradiação Profilática
Em pacientes com câncer de colo uterino e metástases em linfonodos pélvicos, outras abordagens podem ser consideradas:
- Quimiorradioterapia concomitante baseada em cisplatina, que mostrou melhora no controle local (nível de evidência A) e sobrevida global (nível de evidência B) em comparação com radioterapia isolada 1
- Radioterapia para-aórtica terapêutica (não profilática) para doença metastática comprovada na região para-aórtica 1
Considerações Importantes
- A irradiação profilática para-aórtica aumenta o risco de complicações intestinais 1, 3
- Pacientes submetidos a laparotomia exploradora para biópsia de linfonodos têm menor risco de complicações intestinais 3
- O benefício da irradiação profilática para-aórtica é maior em pacientes com lesões centrais e doença para-aórtica mínima 3
Algoritmo de Decisão
Avaliar fatores de risco:
- Tamanho do tumor (> 4 cm)
- Envolvimento de linfonodos pélvicos
- Invasão parametrial
- Histologia desfavorável
Se não houver envolvimento de linfonodos para-aórticos confirmado:
- Considerar quimiorradioterapia concomitante baseada em cisplatina como tratamento padrão
- Considerar irradiação profilática para-aórtica apenas em casos selecionados de alto risco
Se houver envolvimento de linfonodos para-aórticos confirmado:
- Irradiação para-aórtica terapêutica é o tratamento padrão
Em conclusão, a irradiação profilática para-aórtica deve ser considerada com cautela, avaliando cuidadosamente os riscos de complicações versus o potencial benefício em cada caso individual.