Mecanismo de Ação dos AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides)
Os AINEs exercem seu efeito analgésico principalmente através da inibição periférica da síntese de prostaglandinas, atuando sobre a enzima ciclo-oxigenase, embora existam outros mecanismos periféricos e centrais de ação analgésica. 1
Mecanismo de Ação Principal
Inibição da Ciclo-oxigenase (COX): Os AINEs inibem as enzimas COX-1 e COX-2, que são responsáveis pela conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas 1
Formas da COX:
- COX-1: Expressa constitutivamente em células normais (presente em condições normais)
- COX-2: Induzida principalmente em células inflamatórias 1
Efeitos da inibição:
- Redução da produção de prostaglandinas
- Diminuição da inflamação
- Alívio da dor
- Redução da febre
Diferenças entre os AINEs
A toxicidade gastrointestinal de um AINE não seletivo para COX geralmente se correlaciona com sua atividade anti-inflamatória 1:
- AINEs com alto efeito analgésico em doses com baixa atividade anti-inflamatória (como ibuprofeno) são menos ulcerogênicos
- AINEs que alcançam efeito analgésico adequado apenas em doses com alta atividade anti-inflamatória (como piroxicam) têm maior risco de efeitos adversos 1
Efeitos Farmacológicos
Os AINEs possuem três efeitos principais:
- Efeito analgésico: Redução da dor através da diminuição da sensibilização dos nociceptores periféricos
- Efeito anti-inflamatório: Redução da inflamação pela diminuição da produção de mediadores inflamatórios
- Efeito antipirético: Redução da febre por ação no hipotálamo
Farmacocinética (exemplo do naproxeno)
- Absorção: Rápida e completa pelo trato gastrointestinal (biodisponibilidade de 95%)
- Distribuição: Volume de distribuição de 0,16 L/kg, ligação às proteínas plasmáticas >99%
- Metabolismo: Extensivamente metabolizado no fígado
- Excreção: Principalmente renal (95% da dose é excretada na urina)
- Meia-vida: 12 a 17 horas 2
Efeitos Adversos
Gastrointestinais
- Lesões na mucosa gástrica e duodenal
- Risco de úlceras pépticas e sangramento gastrointestinal
- Recomenda-se proteção gástrica com inibidores da bomba de prótons (IBP) para pacientes de alto risco 3
Cardiovasculares
- Aumento do risco cardiovascular, especialmente com uso prolongado
- Tanto os inibidores seletivos da COX-2 quanto os AINEs tradicionais podem aumentar o risco cardiovascular 4
Renais
- Redução do fluxo sanguíneo renal
- Risco de insuficiência renal aguda, especialmente em pacientes idosos ou com doença renal prévia 5
Considerações para Prescrição
- Para alívio da dor, recomenda-se um AINE com alto efeito analgésico e baixa ação anti-inflamatória (ex: ibuprofeno) na menor dose eficaz 1
- Para condições inflamatórias agudas (ex: gota), AINEs com meia-vida curta (ex: indometacina) são preferidos
- Para condições inflamatórias crônicas (ex: artrite reumatoide), AINEs com meia-vida longa (ex: naproxeno) são mais adequados 1
Precauções Importantes
- Avaliar riscos gastrointestinais e cardiovasculares antes da prescrição
- Considerar gastroproteção com IBP para pacientes de alto risco
- Usar a menor dose eficaz pelo menor tempo possível
- Monitorar função renal, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades
Os AINEs continuam sendo medicamentos fundamentais no tratamento da dor e inflamação, mas seu uso deve ser criterioso, considerando o perfil de risco individual de cada paciente e as características específicas de cada medicamento.