Principais Queixas em Ambulatório de Neuropediatria
As queixas mais frequentes em ambulatório de neuropediatria são cefaleia (27%), distúrbios paroxísticos (33%, incluindo epilepsia e eventos não epilépticos) e atraso psicomotor (11,5%), seguidos por alterações na forma ou tamanho da cabeça, problemas escolares/déficit de atenção, distúrbios comportamentais e alterações da marcha. 1
Distribuição das Queixas e Diagnósticos
Queixas Principais:
- Distúrbios paroxísticos: 33% (incluindo suspeita de epilepsia)
- Cefaleia: 27%
- Atraso psicomotor: 11,5%
- Alterações na forma/tamanho da cabeça: 5,6%
- Problemas escolares/déficit de atenção: 4,5%
- Distúrbios comportamentais: 4,25%
- Alterações da marcha: 3,5%
- Sofrimento perinatal: 3,4%
Diagnósticos Mais Frequentes:
- Cefaleia/enxaqueca: 26%
- Distúrbios paroxísticos não epilépticos: 16,5%
- Encefalopatia pré-natal: 10,5%
- Epilepsia: 8%
- Retardo mental: 7,5%
- Paralisia cerebral: 4,6%
- TDAH criptogênico: 3,8%
- Autismo criptogênico: 3,6%
Características da População Atendida
A distribuição etária dos pacientes mostra uma curva bimodal com picos no primeiro ano de vida e aos 11 anos de idade 2. Um estudo realizado em hospital regional identificou uma média de 409 novos pacientes por ano em neuropediatria 3, demonstrando a alta demanda por este tipo de atendimento especializado.
Em comparação com outras especialidades pediátricas, a neuropediatria apresenta uma porcentagem maior de pacientes novos, semelhante apenas à cardiologia pediátrica 2.
Abordagem das Principais Queixas
1. Cefaleia/Enxaqueca (26%)
- Representa a queixa mais comum em ambulatório de neuropediatria
- O pediatra de atenção primária, em estreita relação com as crianças e suas famílias, é o principal responsável pelo acompanhamento destes casos 1
- Exames complementares mais utilizados: neuroimagem em casos selecionados
2. Distúrbios Paroxísticos (33%)
- Incluem eventos epilépticos (8%) e não-epilépticos (16,5%)
- O EEG é o exame complementar mais frequentemente realizado 2
- Tratamento farmacológico: o valproato de sódio é o medicamento mais utilizado, enquanto o fenobarbital é o mais frequentemente descontinuado 2
- Crianças com transtornos do neurodesenvolvimento apresentam alta prevalência de crises epilépticas, sendo as crises tônico-clônicas generalizadas as mais comuns 4
3. Atraso Psicomotor/Retardo Mental (11,5%)
- Frequentemente associado a encefalopatias pré-natais (10,5%)
- Requer abordagem multidisciplinar com avaliação neuropsicológica
- Importante investigar etiologias tratáveis (metabólicas, genéticas)
4. Transtornos do Neurodesenvolvimento
- Incluem TDAH (3,8%) e autismo (3,6%)
- O pediatra de atenção primária tem papel fundamental no acompanhamento de TDAH 1
- Necessitam de protocolos claros e baseados em evidências para minimizar variabilidade nas intervenções 1
Exames Complementares
- EEG: exame mais frequentemente realizado em neuropediatria 2
- Neuroimagem: realizada em 46% do total de pacientes 2
- Avaliação neuropsicológica: importante para diagnóstico e acompanhamento de transtornos do neurodesenvolvimento
Considerações sobre o Manejo
A complexidade e diversidade da patologia neurológica na infância justificam a necessidade de neuropediatras e serviços de neuropediatria em hospitais de referência regional 3. É fundamental estabelecer processos claramente especificados, baseados nas melhores evidências, com a participação de todos os profissionais envolvidos, para favorecer a homogeneidade e minimizar a variabilidade nas intervenções 1.
A comunicação eficaz entre o neuropediatra e o pediatra de atenção primária é essencial, pois este último tem papel fundamental no acompanhamento de muitos dos problemas mais prevalentes, como cefaleias, distúrbios paroxísticos não epilépticos e TDAH 1.
Pontos de Atenção
- A patologia neurológica infantil apresenta grande frequência, diversidade e complexidade 3
- Os transtornos neurológicos na infância podem ter grande impacto pessoal, familiar e social 5
- É necessário estabelecer canais de comunicação, incluindo tecnologias de informação e comunicação, para permitir que os profissionais de saúde estejam permanentemente atualizados e capazes de controlar seus pacientes da melhor maneira possível 1
- Crianças com transtornos do neurodesenvolvimento têm maior risco de desenvolver crises epilépticas, sendo a idade do paciente e a consanguinidade fatores significativos nessa correlação 4