Principais Queixas em Ambulatório de Neuropediatria
As principais queixas em ambulatório de neuropediatria são transtornos paroxísticos não epilépticos, epilepsias e crises febris, seguidos por encefalopatias pré-natais, transtornos do desenvolvimento e comportamento, traumatismos cranianos, distúrbios do sistema nervoso periférico e nervos cranianos, cefaleias e encefalopatias perinatais. 1
Queixas Neurológicas Mais Frequentes
- Convulsões e crises epilépticas: Representam a causa mais comum de consultas em neuropediatria, incluindo epilepsia, crises febris e eventos paroxísticos não epilépticos 2, 1
- Cefaleias: Segunda queixa mais frequente em serviços de emergência neurológica pediátrica, muitas vezes associadas a sintomas somáticos 2, 3
- Transtornos do desenvolvimento e comportamento: Incluem atraso global do desenvolvimento, transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e deficiência intelectual 1, 4
- Sintomas somáticos e transtornos relacionados: Apresentações com sintomas neurológicos, dor, autonômicos ou gastrointestinais sem explicação médica clara 3
- Traumatismo cranioencefálico: Causa frequente de consulta em neuropediatria 1
Características das Apresentações Clínicas
Transtornos Paroxísticos e Epilepsia
- Aproximadamente 3,4% das admissões anuais em serviços de emergência pediátrica são baseadas em queixas neurológicas, sendo as convulsões o motivo mais frequente 2
- Crianças com transtornos do neurodesenvolvimento apresentam alta prevalência de crises epilépticas, sendo as crises tônico-clônicas generalizadas o tipo mais comum 4
- Cerca de um terço dos pacientes com diagnóstico neurológico (exceto cefaleias) já estão em acompanhamento com neurologista pediátrico 2
Transtornos Somáticos
- Apresentações comuns incluem sintomas neurológicos, dor, sintomas autonômicos ou gastrointestinais sem explicação médica clara 3
- Queixas vagas, mal descritas, eventos estressantes recentes, sintomas que flutuam com atividade ou estresse, e ausência de achados físicos e laboratoriais são características frequentes 3
- Em estudos com pacientes pediátricos com dor torácica sem causa médica identificada, 81% preencheram critérios para transtorno de ansiedade, com 28% apresentando critérios completos para transtorno do pânico 3
Transtornos do Neurodesenvolvimento
- Os subtipos de transtornos do neurodesenvolvimento identificados incluem: TEA (9,5%), TDAH (16,0%), paralisia cerebral (8,5%), atraso global do desenvolvimento (30,5%), deficiência intelectual (5%), e 30% apresentam múltiplos tipos 4
- Crianças com múltiplas deficiências, incluindo atrasos no desenvolvimento e problemas comportamentais, frequentemente têm epilepsia que requer tratamento 5
Abordagem Diagnóstica
Exames Complementares
- Neuroimagem (TC ou RM) é a técnica mais útil para estabelecer diagnósticos, contribuindo para o diagnóstico em 21% do total de crianças avaliadas e em 39% das crianças em que esta investigação foi realizada 6
- O EEG contribui para o diagnóstico de epilepsia em 11% das crianças, embora em 16% dos casos de epilepsia o EEG seja normal ou com alterações inespecíficas, sendo o diagnóstico feito apenas com base clínica 6
- Testes bioquímicos permitem descartar algumas patologias, mas contribuem para o diagnóstico em poucas ocasiões, sendo o LCR (principalmente em meningites e encefalites) e testes de enzimas musculares os mais úteis 6
Desafios Diagnósticos
- Sintomas somáticos são extremamente frustrantes para pacientes, famílias e profissionais médicos, pois muitas vezes os pais e crianças sentem que não estão sendo ouvidos 3
- Erros diagnósticos são comuns em ambientes de emergência pediátrica, incluindo erros de identificação do paciente, falta de experiência da equipe com pediatria, e desafios na realização de procedimentos técnicos e no cálculo de doses de medicamentos 3
Recomendações para Manejo
- Abordagem multidisciplinar: As emergências de saúde mental pediátricas são melhor gerenciadas por uma equipe multidisciplinar qualificada, incluindo ferramentas de triagem especializadas e consultores de saúde mental treinados em pediatria 3
- Comunicação eficaz: Estratégias para melhorar a comunicação incluem enfatizar a colaboração entre o paciente, família e todos os cuidadores; identificar objetivos e resultados comuns; e trabalhar para melhorar o funcionamento além da resolução dos sintomas 3
- Acesso a serviços especializados: Pacientes com suspeita de encefalite aguda devem ter acesso a uma opinião especializada em neurologia pediátrica e devem ser vistos o mais rápido possível, definitivamente dentro de 24 horas após o encaminhamento 3
- Reabilitação e suporte: No momento da alta, as crianças devem ter um diagnóstico definitivo ou suspeito, com arranjos para acompanhamento ambulatorial e planos para terapia contínua e/ou reabilitação formulados em uma reunião de alta 3
Considerações Importantes
- A frequência e diversidade da patologia neurológica na infância e os contínuos avanços no conhecimento exigem especialistas em áreas como eletroencefalografia e epilepsia, neurologia neonatal, aspectos neurológicos de cuidados intensivos, neuropsicologia, neuro-oncologia, distúrbios neurometabólicos, neurogenética e distúrbios neuromusculares 1
- O treinamento adequado em epileptologia pode ser útil para profissionais de saúde que trabalham em serviços de emergência pediátrica 2
- É fundamental reconhecer que muitas emergências de saúde mental pediátricas não são reconhecidas como tal, apresentando-se inicialmente como trauma ou queixas somáticas 3