Antidepressivos Permitidos Durante a Gravidez
A sertralina é o antidepressivo de primeira escolha durante a gravidez devido ao seu perfil de segurança estabelecido, seguido pelo citalopram, que também é geralmente considerado seguro. 1
Considerações Gerais
A depressão afeta aproximadamente 10-20% das mulheres grávidas, e o tratamento adequado é essencial para evitar complicações tanto para a mãe quanto para o feto. Os antidepressivos são classificados como categoria C pela FDA, significando que devem ser usados apenas quando os benefícios potenciais justificam os riscos potenciais para o feto 1.
Opções de Tratamento Não-Farmacológico
- A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é recomendada como abordagem inicial para a maioria das pacientes com transtornos de ansiedade durante a gravidez 1
- Para depressão leve com início recente (menos de duas semanas), recomenda-se monitoramento, exercícios e busca de apoio social 2
Antidepressivos Recomendados Durante a Gravidez
Primeira Linha:
- Sertralina: Considerada a opção mais segura devido ao seu perfil de segurança estabelecido e menor risco de desfechos adversos 1, 3
- Citalopram: Geralmente considerado seguro durante a gravidez 1
Segunda Linha:
- Outros ISRSs: Fluoxetina e escitalopram podem ser considerados, mas têm mais evidências de possíveis riscos que a sertralina 4, 5
Evitar se Possível:
- Paroxetina: Classificada como categoria D pela FDA devido a preocupações sobre malformações cardíacas congênitas 1, 4
Riscos Associados ao Uso de Antidepressivos na Gravidez
Riscos Comprovados (pequeno risco absoluto):
- Síndrome de adaptação neonatal: Caracterizada por choro contínuo, irritabilidade, tremores, dificuldades de alimentação e outros sintomas, especialmente com exposição no terceiro trimestre 1, 3
- Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (PPHN): Risco ligeiramente aumentado, com número necessário para causar dano de 286-351 1
Riscos com Evidências Conflitantes:
- Malformações congênitas: Estudos mostram associação principalmente com paroxetina e fluoxetina, mas não com sertralina 4, 5
- Parto prematuro: Algumas evidências sugerem risco aumentado, mas pode estar relacionado à depressão materna não tratada 4
Algoritmo de Decisão para Uso de Antidepressivos na Gravidez
Para depressão leve com início recente (menos de 2 semanas):
- Iniciar com abordagens não-farmacológicas (TCC, exercícios, apoio social)
- Monitorar sintomas
Para depressão moderada a grave OU depressão leve que não melhora em 2 semanas:
- Considerar tratamento farmacológico quando os benefícios superam os riscos
- Escolher sertralina como primeira opção (25-50mg/dia, titulando conforme necessário)
- Se ineficaz ou não tolerada, considerar citalopram
Para mulheres já em tratamento antes da gravidez:
- Se estável com bom controle dos sintomas, continuar o tratamento atual
- Se usando paroxetina, considerar troca para sertralina ou citalopram
Monitoramento do Recém-Nascido
- Monitorar sinais de toxicidade ou abstinência durante a primeira semana de vida
- Observar irritabilidade, problemas de alimentação ou distúrbios do sono
- Acompanhamento precoce após alta hospitalar inicial
Considerações para Amamentação
- Sertralina e fluvoxamina são excretadas no leite materno em níveis <10% da dose materna diária 1
- A paroxetina tem uma razão de concentração plasma infantil/materno <0,10 1
- Monitorar o bebê amamentado quanto a irritabilidade, problemas de alimentação ou distúrbios do sono
Armadilhas Comuns e Como Evitá-las
- Descontinuação abrupta: Evitar interromper abruptamente o tratamento, pois pode levar a recaída da depressão materna
- Foco apenas nos riscos: Considerar também os riscos da depressão não tratada (parto prematuro, diminuição da iniciação da amamentação)
- Generalização dos riscos: Lembrar que diferentes ISRSs têm perfis de segurança distintos, com a sertralina tendo o perfil mais favorável
As evidências atuais sugerem que o uso de antidepressivos durante a gravidez, especialmente sertralina, é relativamente seguro quando clinicamente indicado, e os riscos de depressão não tratada geralmente superam os riscos potenciais da medicação 2, 6.