Estratégias de Manejo para Pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
O manejo do LES deve visar à remissão ou baixa atividade da doença, prevenção de danos orgânicos e minimização dos efeitos colaterais dos medicamentos, utilizando antimalariais como base do tratamento, com adição de glicocorticoides e imunossupressores conforme necessário. 1
Avaliação e Monitoramento
- A avaliação inicial e de seguimento deve incluir sinais clínicos (lesões cutâneas, artrite, serosite, manifestações neurológicas), exames laboratoriais (hemograma completo, creatinina sérica, proteinúria e sedimento urinário) e testes imunológicos (C3, anti-dsDNA, anti-Ro/SSA, anti-La/SSB, antifosfolípides, anti-RNP) 1
- O monitoramento regular da atividade da doença deve ser realizado usando índices de atividade validados, que têm capacidade diagnóstica para monitorar a atividade do lúpus e detectar surtos 1
- Biópsia renal, análise do sedimento urinário, proteinúria e função renal têm valor preditivo independente para o desfecho clínico na nefrite lúpica 1
Tratamento Farmacológico
Terapia de Base
- Antimalariais (principalmente hidroxicloroquina) são considerados a base do tratamento do LES e devem ser usados em todos os pacientes, salvo contraindicações 1, 2
- A fotoproteção é benéfica em pacientes com manifestações cutâneas 1
Tratamento de LES sem Manifestações Orgânicas Graves
- Antimalariais e/ou glicocorticoides são benéficos e podem ser usados 1
- AINEs podem ser usados criteriosamente por períodos limitados em pacientes com baixo risco de complicações 1
- Em pacientes não responsivos ou que não conseguem reduzir esteroides abaixo de doses aceitáveis para uso crônico, agentes imunossupressores como azatioprina, micofenolato mofetil e metotrexato devem ser considerados 1, 3
Tratamento de Manifestações Neuropsiquiátricas
- Pacientes com manifestações neuropsiquiátricas graves consideradas de origem inflamatória (neurite óptica, estado confusional agudo/coma, neuropatia craniana ou periférica, psicose e mielite transversa/mielopatia) podem se beneficiar de terapia imunossupressora 1
- A investigação diagnóstica (testes clínicos, laboratoriais, neuropsicológicos e de imagem) das manifestações neuropsiquiátricas deve ser semelhante à da população geral que apresenta as mesmas manifestações 1
Manejo de Comorbidades
- Pacientes com LES têm risco aumentado para certas comorbidades devido à doença e/ou seu tratamento, incluindo infecções, aterosclerose, hipertensão, dislipidemias, diabetes, osteoporose, necrose avascular e malignidades (especialmente linfoma não-Hodgkin) 1
- A minimização dos fatores de risco, juntamente com alto índice de suspeita, avaliação imediata e acompanhamento diligente desses pacientes é recomendada 1
Modificações no Estilo de Vida
- Modificações no estilo de vida (cessação do tabagismo, controle de peso, exercício) são benéficas para os desfechos dos pacientes e devem ser incentivadas 1
- Dependendo da medicação individual e da situação clínica, outros agentes (aspirina em baixa dose, cálcio/vitamina D, bifosfonatos, estatinas, anti-hipertensivos incluindo inibidores da enzima conversora de angiotensina) devem ser considerados 1
Situações Especiais
Síndrome Antifosfolípide
- Em pacientes com LES e anticorpos antifosfolípides, aspirina em baixa dose pode ser considerada para prevenção primária de trombose e perda gestacional 1
- Outros fatores de risco para trombose também devem ser avaliados 1
- Medicamentos contendo estrogênio aumentam o risco de trombose 1
- Em pacientes não grávidas com LES e trombose associada à SAF, a anticoagulação a longo prazo com anticoagulantes orais é eficaz para a prevenção secundária de trombose 1
Gravidez no Lúpus
- A gravidez pode aumentar a atividade da doença lúpica, mas esses surtos geralmente são leves 1
- Pacientes com nefrite lúpica e anticorpos antifosfolípides têm maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia e devem ser monitoradas mais de perto 1
- O LES pode afetar o feto de várias maneiras, especialmente se a mãe tiver histórico de nefrite lúpica, anticorpos antifosfolípides, anti-Ro e/ou anti-La 1
- Prednisolona, azatioprina, hidroxicloroquina e aspirina em baixa dose podem ser usados em gestações com lúpus 1
- Micofenolato mofetil, ciclofosfamida e metotrexato devem ser evitados durante a gravidez 1
Novas Abordagens Terapêuticas
- Três medicamentos para LES foram recentemente aprovados pela FDA: belimumabe (para LES ativo em 2011 e para nefrite lúpica em 2020), voclosporina (para nefrite lúpica) e anifrolumabe (para LES ativo) 3
- A adição de agentes biológicos ao tratamento padrão é eficaz para controlar a atividade da doença e prevenir surtos graves, permitindo uso reduzido de glicocorticoides e presumivelmente reduzindo a progressão de danos aos órgãos 4
Pontos Importantes
- Os primeiros cinco anos após o diagnóstico são cruciais para o prognóstico 4
- O dano orgânico pode ser minimizado controlando a atividade da doença e o risco de surtos, reduzindo a dose de glicocorticoides e garantindo uma intervenção terapêutica adequada com introdução precoce das terapias corretas 4
- Para surtos moderados a graves, recomenda-se pulsos de metilprednisolona seguidos por doses baixas a moderadas de prednisona oral com redução rápida para doses de manutenção ≤5 mg/dia 2
- A instituição imediata de drogas imunossupressoras é indicada em casos de doença grave, mas também como agentes poupadores de esteroides 2