Uso da Paroxetina na Prática Clínica
A paroxetina não deve ser completamente evitada, mas deve ser prescrita com cautela e considerando alternativas mais seguras, especialmente em crianças, adolescentes, gestantes e pacientes com risco de descontinuação abrupta.
Riscos Específicos da Paroxetina
- A paroxetina está associada a maior risco de pensamentos e comportamentos suicidas em comparação com outros ISRSs 1
- Apresenta síndrome de descontinuação mais grave e frequente do que outros antidepressivos, caracterizada por tonturas, fadiga, letargia, mal-estar geral, mialgias, calafrios, dores de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia, insônia, desequilíbrio, vertigem, distúrbios sensoriais, parestesias, ansiedade, irritabilidade e agitação 1
- Tem maior potencial para interações medicamentosas devido à inibição do CYP2D6 1, 2
- Está associada a malformações congênitas, particularmente cardiovasculares, quando usada durante a gravidez 2
Situações em que Outros ISRSs São Preferíveis
- Em pacientes idosos, citalopram, escitalopram, bupropiona, mirtazapina, venlafaxina e sertralina são preferíveis devido a perfis de efeitos adversos mais favoráveis 1
- Em pacientes com risco de descontinuação abrupta da medicação, ISRSs de meia-vida mais longa como fluoxetina são preferíveis 1
- Em pacientes que tomam múltiplos medicamentos, citalopram/escitalopram podem ter menor propensão para interações medicamentosas 1
- Em crianças e adolescentes com transtornos de ansiedade, outros ISRSs devem ser considerados primeiro 1
Indicações Válidas para Paroxetina
- Transtorno depressivo maior em adultos sem comorbidades significativas ou riscos específicos 3, 4
- Transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social, transtorno de estresse pós-traumático e transtorno do pânico em adultos 3, 4, 5
- Ejaculação precoce, onde doses de 10-40mg diários ou 20mg situacionalmente 3-4 horas antes da relação sexual podem ser eficazes 1
Monitoramento e Precauções
- Iniciar com doses baixas e aumentar gradualmente, especialmente em pacientes com ansiedade 1
- Monitorar cuidadosamente para sintomas de agitação, irritabilidade e mudanças comportamentais, especialmente no início do tratamento 2
- Evitar descontinuação abrupta; reduzir a dose gradualmente ao interromper o tratamento 1
- Evitar em pacientes com história de transtorno bipolar devido ao risco de mania 1
- Usar com extrema cautela em pacientes com síndrome do QT longo ou predisposição a arritmias ventriculares 1
- Evitar completamente durante a gravidez devido ao risco aumentado de malformações cardíacas 2
Alternativas à Paroxetina
- Para depressão e ansiedade: sertralina, escitalopram, citalopram ou fluoxetina 1
- Para ejaculação precoce: sertralina, fluoxetina ou clomipramina 1
- Para transtorno do pânico: sertralina, fluoxetina ou terapia cognitivo-comportamental 5
A paroxetina continua sendo uma opção terapêutica válida para várias condições psiquiátricas, mas devido aos seus riscos específicos, deve ser considerada após outras alternativas mais seguras, especialmente em populações vulneráveis como crianças, adolescentes, gestantes e idosos.