Leucocitose na Gastroenterite Aguda
Sim, a gastroenterite aguda pode aumentar os leucócitos acima de 23.000, especialmente em infecções bacterianas graves, embora não seja um achado comum em todas as formas de gastroenterite.
Alterações Leucocitárias na Gastroenterite Aguda
- A contagem de leucócitos e o diferencial podem fornecer indícios de etiologia bacteriana quando etiologias virais ou parasitárias também estão sendo consideradas 1
- A contagem total de leucócitos e a contagem de neutrófilos frequentemente estão aumentadas com patógenos bacterianos invasivos 1
- Em casos de sepse bacteriana, a contagem total de leucócitos pode estar diminuída em comparação com os valores normais para a idade 1
Padrões Específicos de Leucocitose por Patógeno
- A shigelose pode estar associada a uma reação leucemoide (leucocitose extrema) 1
- Infecções por STEC O157 (Escherichia coli produtora de toxina Shiga) que posteriormente desenvolvem SHU (Síndrome Hemolítico-Urêmica) frequentemente apresentam contagem elevada de leucócitos totais e neutrófilos 1
- A contagem absoluta de bastonetes (neutrófilos imaturos) é significativamente maior em adultos com gastroenterite por Shigella 2
- Uma proporção de bastonetes para neutrófilos totais aumentada pode aumentar a especificidade do diagnóstico para shigelose 2
Diagnóstico Diferencial e Avaliação
- A gastroenterite infecciosa aguda é uma causa frequente de visitas ambulatoriais e hospitalizações nos Estados Unidos, com uma carga anual estimada de 179 milhões de visitas ambulatoriais e quase 500.000 hospitalizações 1
- Exames laboratoriais podem não refletir com precisão a gravidade da condição clínica, especialmente em pacientes imunocomprometidos 1
- A gastroenterite pós-infecciosa produz uma profunda depleção da microbiota comensal, o que pode contribuir para alterações na resposta imunológica 1
Quando Suspeitar de Complicações
- Em casos de diarreia com ou sem abdome agudo, um teste específico para Clostridioides difficile e sua toxina deve ser realizado 1
- Monitoramento frequente da hemoglobina e contagem de plaquetas, eletrólitos, ureia e creatinina sanguíneas é necessário quando há suspeita de SHU 1
- Pacientes com contagem de plaquetas decrescente durante os dias 1-14 da doença diarreica têm maior risco de desenvolver SHU 1
Considerações Especiais
- A enterocolite neutropênica (síndrome ileocecal ou tiflite) é a causa mais comum de dor abdominal aguda em pacientes com câncer neutropênicos 1
- A enterocolite neutropênica geralmente se apresenta com neutropenia associada a um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: febre, espessamento da parede intestinal, diarreia e dor abdominal 1
- Pacientes com doença inflamatória intestinal (DII) têm risco aumentado de desenvolver infecção por C. difficile, juntamente com piores resultados, taxas mais altas de colectomia e taxas mais altas de recorrência 1
Abordagem Diagnóstica
- A amostra ideal para diagnóstico laboratorial de diarreia infecciosa é uma amostra de fezes diarreicas 1
- O exame de leucócitos fecais e a detecção de lactoferrina nas fezes não devem ser usados para estabelecer a causa da diarreia infecciosa aguda 1
- Tomografia computadorizada com contraste, sempre que possível, é o exame mais confiável para diagnosticar doença intra-abdominal em pacientes imunocomprometidos 1
Em conclusão, embora a leucocitose acima de 23.000 não seja um achado típico em todas as formas de gastroenterite aguda, ela pode ocorrer em infecções bacterianas graves, particularmente em casos de shigelose, infecções por STEC ou em pacientes com complicações como enterocolite neutropênica.