Tratamento do Carcinoma Ductal Invasivo de Mama Direita em Paciente Pré-menopausa
O tratamento recomendado para carcinoma ductal invasivo de mama direita em paciente pré-menopausa com RE 100%, RP 10%, Her2 1+ (negativo), Ki67 40%, estadiamento cT1cN0M0 multifocal deve incluir cirurgia conservadora ou mastectomia, seguida de quimioterapia adjuvante e terapia endócrina por pelo menos 5 anos. 1
Avaliação Inicial
- A paciente apresenta carcinoma ductal invasivo G3 (alto grau), receptor de estrogênio (RE) positivo (100%), receptor de progesterona (RP) positivo (10%), HER2 negativo, Ki67 alto (40%), caracterizando um tumor luminal B com alta proliferação celular 1
- O estadiamento clínico cT1cN0M0 indica tumor primário entre 1-2 cm, sem comprometimento linfonodal clinicamente detectável e sem metástases à distância 1
- A multifocalidade é um fator adicional a ser considerado no planejamento cirúrgico 1
Abordagem Cirúrgica
- Opções de tratamento cirúrgico incluem cirurgia conservadora da mama (segmentectomia) com biópsia de linfonodo sentinela ou mastectomia com biópsia de linfonodo sentinela 1
- A multifocalidade pode influenciar a escolha entre cirurgia conservadora e mastectomia, dependendo da relação entre tamanho do tumor e volume mamário 1
- A biópsia do linfonodo sentinela é recomendada para estadiamento axilar, uma vez que clinicamente não há evidência de comprometimento linfonodal (cN0) 1
Tratamento Adjuvante Sistêmico
- Quimioterapia adjuvante é fortemente recomendada devido ao alto grau histológico (G3), alto índice de proliferação (Ki67 40%) e idade pré-menopausa, mesmo com linfonodos negativos 1, 2
- A quimioterapia deve ser administrada antes da terapia endócrina quando ambas são indicadas 1, 2
- Após a quimioterapia, a terapia endócrina é mandatória por pelo menos 5 anos devido à positividade para receptores hormonais 1, 3
- Para pacientes pré-menopáusicas, as opções de terapia endócrina incluem:
- A extensão da terapia endócrina para 10 anos pode ser considerada após reavaliação aos 5 anos 1, 3
Radioterapia
- Após cirurgia conservadora, a radioterapia adjuvante é mandatória 1
- A hipofracionação é a abordagem preferida para irradiação de toda a mama após cirurgia conservadora 1
- Considerar fortemente a irradiação nodal regional, mesmo com linfonodos negativos, devido às características de alto risco (grau 3, Ki67 alto) 1, 2
- Após mastectomia, a radioterapia da parede torácica deve ser considerada devido ao alto grau histológico, mesmo com linfonodos negativos 2
Considerações Especiais
- O status de menopausa deve ser cuidadosamente avaliado para determinar a terapia endócrina apropriada 1
- A menopausa é definida como:
- Ooforectomia bilateral prévia
- Idade ≥60 anos
- Idade <60 anos com amenorreia por 12 meses ou mais na ausência de quimioterapia, tamoxifeno ou supressão ovariana, com FSH e estradiol em níveis pós-menopáusicos 1
- Se a paciente permanecer pré-menopáusica após a quimioterapia, o tamoxifeno é a terapia endócrina preferida 3
- Se a paciente se tornar pós-menopáusica após a quimioterapia, um inibidor de aromatase pode ser considerado 1
Seguimento
- Exame clínico a cada 4-6 meses nos primeiros 5 anos, depois anualmente 2
- Mamografia anual da mama contralateral 2
- Para pacientes em uso de tamoxifeno, avaliação ginecológica anual se o útero estiver presente 2
- Para pacientes em uso de inibidores de aromatase, monitoramento da saúde óssea com densitometria óssea no início e periodicamente 2
Pontos de Atenção
- O alto índice de Ki67 (40%) é um fator prognóstico importante e indica maior risco de recorrência, justificando uma abordagem terapêutica mais agressiva 4, 5
- A multifocalidade aumenta o risco de recorrência local e deve ser considerada na decisão entre cirurgia conservadora e mastectomia 1
- A terapia neoadjuvante (pré-operatória) com quimioterapia ou terapia endócrina pode ser considerada como alternativa em casos selecionados, especialmente se houver desejo de cirurgia conservadora em tumores maiores 1
O tratamento deve seguir um algoritmo estruturado, priorizando a redução do risco de recorrência e mortalidade, considerando as características biológicas do tumor e o status pré-menopausa da paciente.